Visita à Jordânia

Passei a última semana na Jordânia onde tinha planeado há algum tempo celebrar a passagem de ano. Trabalhando no Médio Oriente há já algum tempo, tenho tido a oportunidade de falar com muitos Palestinianos e descendentes de Palestinianos no último ano e meio, mas nunca tinha estado na Jordânia que, com 65% da sua população composta por Palestinianos ou descendentes de Palestinianos, será o país da região onde mais se sente a causa Palestiniana.
As atenções do país estavam viradas para a situação na Faixa de gaza. No lobby e restaurante do hotel, a televisão estava sempre sintonizada na CNN ou na versão inglesa da Aljazeera. Nas ruas a situação era idêntica, as lojas de rua estavam equipadas com pequenos televisores ou rádios a transmitir sem parar as últimas da situação em Gaza. Segundo os jornais locais, algumas dessas lojas esgotaram os stocks do tradicional kaffyeh preto e branco conotado com a causa Palestiniana.
Nas conversas com a população local cheguei à mesma conclusão que em conversas anteriores com palestinianos. A maioria considera que a solução ideal seria o desaparecimento do estado de Israel, embora quase todos considerem que estariam dispostos a aceitar a coexistência. Não surpreendentemente, quanto mais nova e mais iletrada a pessoa com quem se fala, maior a probabilidade de este ter uma posição extremista. Os mais velhos, os que melhor falavam inglês e a única mulher Palestiniana com quem falei tendem a ter posições mais moderadas.
Quando referia a questão dos rockets Palestinianos, a conversa acabava invariavelmente no direito de defesa (entre os mais extremistas) e na questão da proporcionalidade (entre os moderados). Não vislumbrei qualquer divisão entre apoiantes do Hamas ou da Fatah, ou alguém que culpasse de alguma forma o Hamas pelos ataques. Outro facto que para mim acabou por ser mais surpreendente é a percepção que a população tem do que está a acontecer em Gaza. Quem não tivesse acesso a orgãos de informação, e falasse apenas com a população local ficaria a pensar que o exército Israelita está a alvejar prioritariamente crianças. O papel das crianças na propaganda da causa Palestiniana ficaria ainda mais evidente nas manifestações a favor da causa Palestiniana que tive a oportunidade de presenciar.
A primeira manifestação aconteceu na noite da passagem de ano. Devido aos acontecimento em Gaza, todas as celebrações públicas de ano novo foram canceladas. Muitos hotéis cancelaram também as suas celebrações. Em vez das celebrações planeadas, foi convocada uma manifestação para o centro de Amã em solidariedade para com as vítimas dos ataques em Gaza. A manifestação foi muito pacífica e, tendo em conta a ausência de alternativas nessa noite e a população Palestinia de Amã, contou com pouca gente. Não deveriam estar mais de duas mil pessoas na manifestação, na sua esmagadora maioria homens com menos de 30 anos.

100_3273Talvez devido à hora a que se realizou estavam poucas crianças presentes, mas era delas o papel principal principal na manifestação. Eram as crianças que estavam na primeira linha das câmeras da imprensa local. Nas fotografias em baixo está um grupo de crianças que pousou para um fotógrafo durante, pelo menos, os 10 minutos em que estive junto a elas: colocavam o cachecol, tiravam-no, seguravam a vela mais ou menos acima… O rapaz mais à esquerda na primeira fotografia, ficou naquela posição durante mais de 5 minutos. A meio da “sessão” passaria por ali uma outra criança sendo-lhe pedido que se juntasse (a criança mais à esquerda na segunda fotografia).

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Mas as crianças não tinham apenas um papel passivo na manifestação. Também na altura de gritar palavras de ordem, elas tinham um papel desproporcionalmente importante. Durante o período que lá estive, o papel principal da manifestação foi assumido pelas duas crianças (que devem ter 10-12 anos de idade), que podemos ver a partir do primeiro minuto do vídeo abaixo.

A certa altura foi queimado um papel com o que me pareceu ser uma estrela de David, embora não o possa afirmar com certeza porque estava distante do local. O acto foi ignorado pela maioria das pessoas que estavam no local e contrastou com o tom pacífico da manifestação. Embora o meu árabe não seja suficiente para entender sequer as frases simples de uma manifestação, pareceu-me que a manifestação teve mais a ver com o desejo de paz do que outra coisa. Muito raramente ouvi a palavra “Israel” durante a manifestação. A presença policial foi quase inexistente e, diga-se, desnecessária durante o período em que lá estive.

A segunda manifestação a que assisti viria ter comigo enquanto almoçava num restaurante em Wadi Musa (junto a Petra) no sul da Jordânia. Bem mais barulhenta que a anterior (o facto de se realizar durante o dia terá colaborado para tal), foi igualmente pacífica na forma mas bem mais violenta no conteúdo. Era liderada por um homem velho de espada em punho que mais parecia saído de um cartoon do Iznogoud (fotografia abaixo).

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As crianças, em maior número do que na anterior manifestação, iam na frente da procissão. De vez em quando a procissão parava para que um dos líderes desenhasse uma Estrela de David no asfalto, incentivando posteriormente as crianças a pisá-la (vêr vídeo abaixo).

O nome “Israel” foi repetido várias vezes nos cânticos e palavras de ordem. Ao regressar ao restaurante em que almoçava quando a manifestação se cruzou comigo, o empregado do restaurante fez-me um gesto de resignação: “Nevermind! Crazy people, crazy people!”. O inglês dele (e o meu árabe) não era suficientemente bom para uma conversa mais alongada.
Do que vi e ouvi, fiquei convencido que ainda há muito caminho para percorrer para convenver a população da necessidade de uma coexistência pacífica. Este ataque a Gaza, embora compreensível do ponto de vista de defesa de Israel, está a servir os intentos do Hamas em unir a população Palestiniana em seu redor. Se a operação terrestre não tiver sucesso em derrubar o Hamas, Israel terá dias difíceis pela frente.

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24 pensamentos sobre “Visita à Jordânia

  1. Gostei sobretudo da frase: “o papel das crianças na propaganda da causa Palestiniana…”
    Esta insensibilidade face ao drama humano já me esclareceu sobre o vosso sistema de valores.
    Cumprimentos e despedidas… Ana

  2. Luís Lavoura

    “uma co-existência pacífica”

    É difícil coexistir pacificamente com quem roubou a terra dos nossos pais e avós.

    A maioria dos habitantes da Jordânia são descendentes de pessoas que tiveram que fugir das suas terras devido à criação do Estado de Israel. E Israel nunca mostrou qualquer vontade ou disponibilidade para que eles regressassem a essas terras que tinham abandonado.

    Agora vão pedir-lhes que coexistam pacificamente com quem lhes roubou a terra da família? É difícil de aceitar…

  3. lucklucky

    “Agora vão pedir-lhes que coexistam pacificamente com quem lhes roubou a terra da família? É difícil de aceitar…”

    Até parece que os Judeus não foram expulsos do Irão a quando do Golpe nazi, do Iraque, e depois aquando da Independência dos outros países àrabes…?

    Só para mostrar como as racionalizações funcionam para umas coisas e não para outras, num mais belo exemplo de dualidade de critérios:

    Aplicamos semelhante raciocínio á Europa? Alemanha, Roménia, Polónia, Italia? Só para mencionar alguns.

    Alpicamos semelhante raciocínio a Portugal: Retornados das colónias bem mais recentes?

    Luís Lavoura pensa que os Portugueses não devem coexistir pacificamente com quem lhes retirou as terras e a propriedade?
    Devemos continuar a Guerra com Angola, Moçambique e outros?

    Resumindo, justifica-se e prolonga-se o conflito com pressupostos que não se estão dispostos a usar em outros casos.

  4. Luís Lavoura

    Carlos Guimarães Pinto, não há solução para o conflito. Nem solução ideal, nem nenhuma outra. Eu não tenho nenhuma solução para apresentar, e não acedito em ninguém que pretenda ter uma.

    Mas mais vale assumir isto (que não há solução), do que passar o tempo a pretender ter uma. Por exemplo, em matemática há um teorema que diz que não há soluções algébricas para equações de grau superior a 4, e esse teorema é muito útil, porque evita que andemos a quebrar a cabeça à procura de algo que não existe!

  5. Luís Lavoura

    lucklucky, eu não pretendo prolongar conflito nenhum. Apenas pretendo explicar que aquilo que o Carlos pede (que os palestinianos aceitem a coexistência pacífica com um Estado que vêem como tendo-lhes roubado a terra) pode ser muito difícil de aceitar, pelo menos para alguns.

    A título de comparação, há ainda hoje muitos alemães que não aceitam de bom grado o facto de as suas famílias terem sido expulsas pela força da Europa Oriental (Chéquia e Polónia) no fim da 2ª Guerra.

  6. Gostei sobretudo da frase: “o papel das crianças na propaganda da causa Palestiniana…”
    Esta insensibilidade face ao drama humano já me esclareceu sobre o vosso sistema de valores.
    Cumprimentos e despedidas… Ana

    E o que dizer do sistema de valores que faz propaganda com crianças e que as usa como escudos humanos? Demonstra uma grande sensibilidade pelo drama humano, não é?

  7. António Martins

    Ao contrário do que sucedeu com os retornados ou com os alemães expulsos resta uma população significativa de palestinianos no território controlado por Israel. Cerca de 3,5 milhões nos territórios ocupados a que se juntam 20% da população israelita de origem árabe. Nos territórios ocupados temos uma situação de apartheid colonial. Isso é evidente com a politica de colonatos, o muro de separação, o uso de terras aráveis e a apropriação dos aquiferos. No estado de Israel os árabes são tratados como cidadãos de 2a. Concordo com o Luis quando diz que não há solução ideal para o conflito. Simplesmente o território não tem condições para permitir a coexistência pacifica dos dois povos. Não há espaço quando um Pais com mais de 10 milhões de habitantes (Israel + Territórios ocupados) ocupa uma área de 25000 Km2 dos quais entre 50 a 60% correspondem a deserto. Uma partilha dos recursos (água+terras) apenas diminuiria a qualidade de vida da população israelita (algo que naturalmente não aceitam). Os ódios acumulados e a desconfiança instalada são o húmus ideal para qualquer discurso extremista. O desejo muitas vezes confessado de ambas as partes é a expulsão do antagonista. Sinceramente acho que a solução será mesmo uma guerra de maiores proporções que a actual, envolvendo um Pais terceiro, do qual Israel sairá vencedor e que culminará com a limpeza étnica da população dos territórios ocupados. Após tal suceder podemos afirmar que foi criada uma situação idêntica à dos alemães pós 2a guerra mundial. Impossivel? A Israel basta o apoio da sua opinião pública e dos Estados Unidos. É óbvio que isto é desumano e em primeira análise o estado de Israel nunca devia ter sido criado, mas prefiro esta opção do que o contrário. Se Israel alguma vez estiver verdadeiramente ameaçado não duvido que utilizará o arsenal nuclear como teve em vias de o fazer em 73. E ai os custos humanos serão bastante mais pesados. Israel nunca aceitará sair de cena sem recorrer primeiro a todas as armas ao seu dispôr tal como nunca aceitará reconhecer a Palestina como um Estado.

  8. lucklucky

    “lucklucky, eu não pretendo prolongar conflito nenhum. Apenas pretendo explicar que aquilo que o Carlos pede (que os palestinianos aceitem a coexistência pacífica com um Estado que vêem como tendo-lhes roubado a terra) pode ser muito difícil de aceitar, pelo menos para alguns.
    A título de comparação, há ainda hoje muitos alemães que não aceitam de bom grado o facto de as suas famílias terem sido expulsas pela força da Europa Oriental (Chéquia e Polónia) no fim da 2ª Guerra.”

    Mas é o que faz com os seus argumentos. Pela sua ordem de ideias os Judeus deviam estar a explodir-se em Baghdad em Teerão, Egipto, em Paris contra os colaboracionistas Franceses, por toda a Alemanha e pelos locais da Europa onde foram perseguidos. Afinal pela nóvel lei da proporcionaliadade têm pelo menos direito a matar 6 milhões de Alemães não é?
    É esta sua dualidade de critérios.

    Os Alemães fazem barulho mas não se mexem porque a força bruta dos Aliados é muito maior do que a força fraquinha dos Israelitas vs Palestinianos. Logo quem começa a explorar esse ângulo é apenas apagado de cena. Não foi preciso cair uma bomba num País Aliado para se bombardear a Sérvia não é, é esse o poder Aliado. O jogo mediático é que domina a política e a “verdade” é o que lá se passa. Agora imagine uma TV alemã e um jornal de grande tiragem a levantar o assunto e a advogar o lançamento de rockets e atentados.
    Segundo as “legitimidades” que alguns escrevem por aqui os Alemães têm todo o direito a se ir explodir na Polónia. E os Polacos na Rússia/Bielorussia, os Italianos em França, na ex-Jugoslávia e Grécia…

    Espere pela altura em que ouver alguém -e haverá oportunistas europeus e não só que aprenderão as novas regras dos conflitos e as explorarão- que perceba que se fazem bons negócios( a sua ideia de que o Hamas é honesto é brincadeira não é?) e se pode ganhar poder cada vez que uma população é mais pobre, isto tudo desde que se controle a mensagem mediática e haja uma data de “idiotas úteis”.

  9. Luís Lavoura

    António Martins,

    como você bem diz, a solução para o conflito israelo-palestiniano passa por países terceiros (Portugal, por exemplo) aceitarem a imigração de alguns milhões de refugiados daquela região (na sua maior parte árabes, mas eventualmente também judeus) e integrarem plenamente esses imigrantes na sua população. Ou seja, a solução para o conflito terá que passar, mais tarde ou mais cedo, por a Palestina histórica perder metade ou mais da sua população atual, a qual terá que ser deslocada para outros países (Portugal, por exemplo) e plenamente integrada nesses países (incluindo a concessão de direitos políticos).

    É claro que, para que essa solução se concretize, terá que haver países dispostos a receber essa imigração toda (não será fácil, são milhões de pessoas…) e terá que essa população toda estar disposta a partir – o que implicará, quase de certeza, uma guerra de grandes proporções e ferocidade.

    Ou seja, não é solução recomendável nem fácil…

  10. Têm alguma noção da quantidade de islamitas que vive na Europa?????????

    Não é solução recomendável, não, Luís – não podia ser menos recomendável para todos os países europeus, e o mais recomendável possível para se atingirem os objectivos que os EUA querem atingir.
    E não sendo nada recomendáveis para nenhum país europeu, no entanto, foi o que o Luís recomendou.
    Digamos mesmo que é de tudo o que pode acontecer, O PIOR PARA A EUROPA – e consequentemente, a longo prazo, para o mundo.

  11. Não tem noção do que é estar em Países Europeus e só ver mulheres enfiadas em trapos pretos, da cabeça aos pés, por todo o lado, pois não? A servirem-lhe o almoço, a tratarem-no no Hospital, a vender-lhe as compras… no metro, na padaria, na Universidade, nas escolas. Tudo aquilo porque defendem e impõem uma concepção de vida e da mulher que nos é profundamente asquerosa e CONTRA o que de bom – e já não é muito, não – se alcançou nos últimos 2000 anos. Contra o que de bom têm os ensinamentos de Jesus, da filosofia, do espírito…

    A longo prazo, e de outra maneira eu acredito numa aproximação, – mas não se for assim!!!!

    As mulheres nem são supostas levantar o olhar para os homens. Também lá estive e sei do que falo.

    Deve imaginar esses milhares de islamitas a ir viver para Portugal e ficarem muito ternamente a serem como os poucos pacíficos que ate´aqui connosco viveram, ou como os sábios que eles tiveram, não?

    Mais traição completa de Portugal?

    Sermos a Arábia/África que os gringos e os nórdicos ignorantes espalham que somos – e que nunca fomos – basta ver a nossa raça de hábitos pacíficos em comparação com uma cultura que há mais de mil anos mantém o hábito protegido pela sua religião e seus xás e sheiks, de cortar peitos, narizes, mãos, etc. à faca e de lapidar mulheres.

    Isso não é solução – é traição do mais alto grau, a meu ver.

  12. Ana, eu não ia comentar nada neste post mas, caramba, que raio de comentário foi o seu? É verdade ou não que as crianças têm um papel fundamental na propaganda palestiniana? O post do Carlos relata factos. O Insurgente ainda não é a Reuters, a AP ou a Lusa.

    Por um instante, admitamos que há uma guerra naquela área. Porque raio aparecem sempre crianças no meio das confusões? Porque são exibidas fardadas, armadas, mortas, como se fossem troféus? Porque são enviadas para se explodirem no meio de outros tão inocentes como elas? Quando eu era miúdo e estava metido numa guerra, os meus pais faziam o que podiam para me levar para longe de qualquer confusão. Percebe?

    Vá lá, você é apreciada por aqui (pelo menos por mim) e continue a aparecer.

    Cumprimentos

  13. Caro Luís
    Eu não sei quem é, nem conheço o seu pensamento. Admirou-me a sua proposta, e reagi com essa admiração. Não sei quantas mais pessoas pensam assim. Falo da minha experiência e exprimo-me com simplicidade, nem sempre muito bem. Mas talvez a minha experiência num país europeu, com milhares de islamitas, tenha para alguém algum interesse.

    De resto, talvez não importe nada, e o seu comentário tenha sido algo esporádico, e bem estranho ao blogue. Repito, para mim foi novo e fiquei espantada com a ideia.

    Também deixo os meus cumprimentos, que aprecio a delicadeza.

  14. Helder
    Fico muito grata pela sua amabilidade, de procurar perceber o que me indignou no post.
    Sim, talvez ande mesmo indignada com tudo isto…
    Mas eu só me despedi dos debates, continuo a vir aqui porque aprecio a vossa inteligência, cultura e profissionalismo. Mas daí a partilhar os vossos valores, já é outra coisa…
    Quando falo de valores já nem me estou apenas a referir a este post nem apenas ao Insurgente. Refiro-me à blogosfera conotada com a direita na sua generalidade.
    E pensava eu que era de direita. Agora ando numa autêntica crise de identidade. E na minha idade…

    É que, inteligentes e cultos como são, a vossa responsabilidade torna-se maior.
    Mas parecem ter aderido de corpo e alma a uma ausência daqueles valores que fazem parte da nossa herança genética e cultural(anterior ao Salazar, para que não surjam dúvidas): empatia com o sofrimento humano; generosidade de alma (não a caridadezinha que nos querem impingir agora); respeito por diversas culturas; consciência mais abrangente.

    O que me chocou no post foi insistir-se na “propaganda palestiniana” sem referir o que leva a esta situação. É de um cinismo típico da linguagem do poder. Israel também veio dizer cinicamente que a culpa do morticínio na escola da ONU em Gaza era do Hamas por usar crianças, mulheres e velhos como escudos humenos. Então, e eles não sabiam isso antes de disparar? Comparam-se com terroristas? Aliás, agem como tal.
    Além disso, pela descrição que o Carlos fez das pessoas, naqueles grupos, não vi nada que se assemelhasse a propaganda com crianças. Pareceram-me pessoas perfeitamente saudáveis e pacíficas. E assim seria também em Gaza, se as deixassem realmente viver com condições mínimas, em vez de as condicionar ao domínio de terroristas (Hamas), à pobreza e à humilhação.

    Israel tem uma cultura bélica perigosíssima e interiorizou o papel de “país acossado”. Não sabe viver em paz (ou não lhe convém). Se analisarem bem aqueles políticos, a sua sanidade mental não difere muito da dos lideres do Hamas. Agora já se sente bem, não é? Acossado por todos os lados. É isso que quer Israel? Por incrível que pareça, é isso mesmo: a guerra, a morte, a destruição. E ainda nos vão arrastar a todos para uma situação crítica mundial.

    Helder, repito, gosto de ouvir vozes inteligentes e que sabem da matéria. O que nos distancia são apenas referências (e talvez memórias), de uma cultura verdadeiramente comunitária, de que eu tive ainda a sorte de ver os vestígios…
    Agora é esta lei da selva em que vale tudo e tudo é para o mais forte. E isto igualmente se aplica à nossa situação no país.
    Cumprimentos. Ana

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