Legitimidade (2)

Seguindo o Hélder, e também respondendo ao repto do Miguel Madeira, a minha opinião é substancialmente diferente.

Como defensor da existência do estado de Israel sinto-me visado, e portanto gostaria de deixar a minha opinião. Mas antes uma introdução, sujeita naturalmente às minhas limitações na interpretação da História e do Direito.

Os mecanismos de aquisição de território vigentes durante a grande parte da história humana foram mecanismos baseados de uma ou outra maneira na força e na coerção. Basicamente, quem demonstrava ser capaz de defender um determinado território, independentemente de como o adquiriu ou de considerações de “justiça”, adquiria por via de facto a sua soberania sobre este. Quem discordasse tinha toda a possibilidade de avaliar o poderio do ocupante presente e dos seus aliados e de constituir a sua força e desocupar por conquista esse território. Não havia “auto-determinações”, nem disputas “internacionais” em relação à legitimidade ou maior ou menor justeza de um determinado equilíbrio de poderes territorial num determinado instante.

Afinal, uma regra simples: quem pode e está lá, é dono e soberano. Assim se construíram impérios e mudaram de mãos sucessivamente os mais variados territórios. No caso do território a que hoje se chama Israel, sucederam-se na História existente os mais diversos impérios e colonizações, desde Egípcios a Romanos, Gregos, Fenícios, Persas e Babilónios. Inclusive os Judeus e os Muçulmanos.

Neste paradigma vencem as vias de facto, e torna-se difícil determinar coisas como “quem é que lá estava primeiro?”, “quem é que lá esteve mais tempo?”, ou “quem são os legítimos herdeiros?” e “de que território?”, quanto mais falar em posse originária ou direito de propriedade à luz da nossa ordem e do enquadramento moral que sustentamos modernamente.

Ora o que sucedeu foi que, a partir de uma determinada altura, com a consolidação de fronteiras territoriais estáveis e com a profissionalização da Guerra, achou-se por bem estabelecer acordos entre os poderes soberanos dos territórios, quer de mútuo reconhecimento, quer de definição de critérios de legitimação de uma guerra, bem como dos moldes em que esta se podia desenrolar.

Surgiram assim as mais variadas convenções, as “Leis da Guerra“, a que os estados aderiam voluntariamente, assumindo limitações na sua liberdade militar com o intuito de salvaguardar os seus quando se encontrassem em situações semelhantes. Estas convenções, algumas delas centenárias, perduram e sobreviveram a conflitos à escala mundial, os mais mortíferos da História. Os consensos foram-se apurando.

Uma das consequências deste novo ordenamento foi a de o processo de conquista vigente outrora ser posto de parte, pelo menos atendendo à vontade expressa dos signatários desses documentos. Passou-se a respeitar o conceito de soberania e a limitar as situações de violação desta, bem como a aquisição de território por via militar.

Ora foi este ordenamento que viu nascer Israel, no seguimento de uma decisão soberana de quem detinha essa soberania sobre os territórios afectados, nomeadamente o Reino Unido no seguimento do Mandado da Palestina. Sobram assim para mim poucas reticências na aceitação à luz do ordenamento vigente de Israel como um país soberano de pleno direito. O problema é a sua delimitação territorial.

Sobre isso, cumpre lembrar que Israel é signatária, por sua sua vontade soberana, das mesmas convenções citadas que justificam a sua própria existência e que garantem a sua integridade territorial. Mas tem querido o melhor de dois mundos: quer ver reconhecido um “direito internacional” a defender-se e o reconhecimento dos meios que emprega para o fazer (bem como o apoio internacional na sua causa), mas simultaneamente apropria-se de território que adquiriu por via militar em violação dos seus compromissos internacionais voluntariamente assumidos.

É isto, na minha opinião, que está em cima da mesa. Um Israel com as suas fronteiras de 1948 é, para mim, um Israel coerente e com legitimidade reconhecida e (na minha opinião) pacífica para existir. Não acho que viole, discordando do Hélder, qualquer direito de propriedade. Mas um Israel que coloniza territórios adquiridos ilegitimamente, ou que patrocina os mais variados abusos de poder ou envereda por punições colectivas, é um Israel que está a pedir para ser tratado pela ordem que vigorava anteriormente.

O que tem, afinal, toda a legitimidade e autonomia para fazer.

Afinal, porque é que Israel não sai da ONU e não se desvincula das convenções internacionais a que aderiu?

Naturalmente, quem assume o papel oportunista que Israel está a assumir sujeita-se a ser avaliado por ele para o bem ou para o mal. Afinal, quem aceita a conquista e a colonização por via militar, sujeita-se a ser visto como aceitável de ser conquistado militarmente. Quem mina todas as possibilidade de soberania e de existência legítima de outros, arrisca-se a ser visto como sendo também erradicável do mapa por alguém que porventura surja com mais força que ele. Quem abusa da força, perde a simpatia dos outros quando é vítima da força.

É o problema dos jogos sem regras ou com regras à medida. Quando se envereda pela política das vias de facto, as coisas podem-se tornar desagradáveis quando os factos são menos ao nosso gosto.

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24 pensamentos sobre “Legitimidade (2)

  1. Luís Lavoura

    “foi este ordenamento que viu nascer Israel, no seguimento de uma decisão soberana de quem detinha essa soberania sobre os territórios afectados, nomeadamente o Reino Unido no seguimento do Mandado da Palestina”

    Pode-se perfeitamente contestar esse Mandado e a legitimidade dele decorrente, como tendo sido produtos de uma ordem colonial que hoje em dia não é mais aceite.

  2. Não me parece que o Mandato seja propriamente resultado de uma “ordem colonial”. Numa “ordem colonial”, como a que vigorava antes de serem criados os institutos legais que refiro, o que mais provavelmente sairia de um armistício como o de onde surgiu o referido mandato teria sido o saque e potencialmente a escravização das populações vencidas, e a ocupação permanente pela potência vencedora.

    O que não me parece de todo semelhante ao referido mandato.

  3. António Carlos

    Caro João Luís Pinto,
    “Afinal, uma regra simples: quem pode e está lá, é dono e soberano.”
    Quer se queira quer não, a proximidade histórica da “apropriação” tem consequências. O facto de ainda haver pessoas vivas “que viveram a apropriação” (à falta de melhor formulação) tem de ser um facto a ter em conta. O mesmo se passará (talvez em menor grau) com descendentes directos vivos. E assim sucessivamente. Por muitas análises que se façam e comparações com situações ocorridas há séculos, este facto parece-me uma questão incontornável. Nessa perspectiva, talvez só mesmo o tempo possa resolver a situação embora isso possa causar alguma frustação a quem acredite que no final o status quo prevalecerá.

  4. lucklucky

    “mas simultaneamente apropria-se de território que adquiriu por via militar em violação dos seus compromissos internacionais voluntariamente assumidos.”

    Como assim? O território adquirido por via militar resultou de actos de Guerra que lhe fizeram. Quais são os compromissos internacionais? Se está a falar das resoluções da ONU elas explicitamente indicam que a devolução de territórios só se faz num quadro geral de paz e reconhecimento mútuo. Ora quer a Fatah quer o Hamas têm dito que querem a destruição de Israel. Sendo a posição da Fatah mais evolutiva variando com o vento da altura e de quem fala o Hamas não deixa dúvidas. Com a Síria idem. Com o Egipto foi o contrário e por isso Sadat foi morto e o Egipto considerado um pária.
    Como quer que Israel faça paz com quem não quer fazer paz com ele? E como raio quer que Israel aceite o nascimento de mais um País ou entidade que o quer destruir ao seu lado?

    Os Aliados não ocuparam a Alemanha? Não me lembro de terem saído da Alemanha enquanto não foi “explicado” aos Alemães que ou acabava o Nazismo ou acabavam os Alemães.
    E ainda lá estão tropas aliadas. Como seria recebido na Europa a Alemanha dizer que não queria nenhuma tropas Aliadas do País hoje?

    A Rússia não tirou território á Polónia? Ao Japão com as ilhas Curilhas? á Roménia? Há ódio entre esses países? Não. Há riscos para a Rússia? Não! Então porque é que não devolve o Território usando a mesma moral mas que só é empregue no caso de Israel porque há uns senhores sentados confortávelmente que acham muito chato chegarem aquelas imagens á Hora do Jantar?

    Passemos á Italia. Para lá de outros territórios perdeu o Monte Chaberton e terrenos circundantes para a França. O Monte Chaberton foi de onde França foi bombardeada, havia lá um forte com canhões que os Franceses destruíram. O Monte Chaberton é uma ameaça á França? Não! Da Italia saem ameaças a França? injectam ódio á França nas escolas Italianas para os Franceses duvidarem da boa fé Italiana e assim ficarem em posição de inferioridade se devolverem o território? Não!. Então porque é que não devolvem o território á França? Segundo esta nóvel idea. Mas sou eu que estou provavelmente enganado, não li as letras pequeninas: Só aplicável a Israel.

    Mais um caso flagrante de dualidade de critérios…vêem-se no lugar do outro e esquecem-se que a sua sensibilidade e cultura não é a sensibilidade e cultura local. Especialmente quando estas originou em gangues marxistas misturado com o supremacismo Árabe sobre todos os povos do Médio Oriente.

    Talvez o aviso que faz aos outros devia ser mais aplicado por si. Se os Italianos começarem a falar no Monte Chaberton…os Alemães Polacos e Romenos no que perderam, se os argumentos expostos aqui forem usados por outros teremos um belo sarilho na Europa e no Mundo.

  5. “Ora foi este ordenamento que viu nascer Israel, no seguimento de uma decisão soberana de quem detinha essa soberania sobre os territórios afectados, nomeadamente o Reino Unido no seguimento do Mandado da Palestina. Sobram assim para mim poucas reticências na aceitação à luz do ordenamento vigente de Israel como um país soberano de pleno direito. O problema é a sua delimitação territorial.”

    (…)

    “É isto, na minha opinião, que está em cima da mesa. Um Israel com as suas fronteiras de 1948 é, para mim, um Israel coerente e com legitimidade reconhecida e (na minha opinião) pacífica para existir. Não acho que viole, discordando do Hélder, qualquer direito de propriedade. Mas um Israel que coloniza territórios adquiridos ilegitimamente…”

    Mas esse raciocinio não implicaria que o Israel “legitimo” fosse o aprovado pela ONU em 1947 (significativamente menor que o de 1948 – falta a Galilia, o Neguev, etc.)? Se se argumentar que esses territórios foram conquistados no decurso de uma guerra, o mesmo não valerá para os conquistados em 1967 (haverá a diferença que, em 1967, Israel iniciou tecnicamente as operações militares, mas tanto em 47-49, como em 1967, é muito dificil dizer quem “começou”)?

  6. Luís Lavoura

    lucklucky

    A originalidade de Israel é que, no entanto, não anexou o território conquistado… A Cisjordânia e a faixa de Gaza não fazem part de Israel, nem nunca Israel pretendeu tal coisa… Ao contrário de outros exemplos dados por si, em que um certo país conquistou um território e o integrou (e aos seus habitantes!) em si, Israel conquistou certos territórios mas não os integrou… mantem-nos como “colónias”. Para muitos efeitos práticos, a Cisjordânia e a faixa de Gaza são “colónias” Israel. Os seus habitantes NÃO são aceites como cidadãos de Israel, mas Israel faz desses territórios o que bem lhe apraz.

  7. Acerca dos territórios conquistados pela Rússia/URSS, França, etc.:

    Há uma diferença entre esses territórios e os que Israel ainda ocupa na Cisjordânia: esses territórios foram formalmente integrados no pais conquistador e, se nalguns casos houve limpezas étnicas, os habitantes originais que lá ficaram (por vezes poucos) passaram (pelo menos no papel) a serem cidadãos de pleno direito do “ocupante” – no caso de Israel, isso será o equivalente à Galileia, ao Negueve, a Jerusalém-leste e aos montes Golan.

    Os territórios ocupados da Cisjordania (excluido Jerusalém-Leste) são diferentes já que Israel não considera esses territórios como sendo “Israel” e não aos árabes de lá como sendo “árabes israelitas” (ao contrário dos árabes de Nazaré, p.ex).

    Assim, das duas uma: ou consideramos que esses territórios não fazem parte de Israel, e aí Israel é um ocupante de território alheio; ou então esses territórios são parte integrante de Israel, e nesse caso essa conversa da “única democracia do Médio Oriente” pode ir para o balde do lixo (já que se efectivamente considerarmos os territórios ocupados como parte integrante de Israel, Israel será mesmo o que o “Euroliberal” costuma dizer)

  8. Luís Lavoura

    Miguel Madeira, exatamente. Para todos os efeitos, temos uma situação colonial. Israel conquistou certos territórios e, sem os integrar em si, passou a utilizá-los, na prática, como colónias. Israel controla as fronteiras da Cisjordânia e de Gaza, controla o comércio externo desses territórios – nomeadamente, utilizando-os como mercado cativo para os produtos israelitas -, utiliza os recursos desses territórios, coloca a sua população a colonizá-los, mas tem o cuidado de não considerar os habitantes autótones desses territórios como seus cidadãos. Ou seja, temos uma situação colonial (do século 19) típica. Para todos os efeitos práticos, os árabes da Cisjordânia e de Gaza estão para Israel assim como os pretos do Quénia e da Rodésia estavam para a Inglaterra no século 19.

  9. “Como assim? O território adquirido por via militar resultou de actos de Guerra que lhe fizeram. Quais são os compromissos internacionais? Se está a falar das resoluções da ONU elas explicitamente indicam que a devolução de territórios só se faz num quadro geral de paz e reconhecimento mútuo.”

    Resolução 242 (22/11/1967).

    Naturalmente, seguindo o princípio que enunciei das regras “à medida”, o meu caro alinha pela interpretação israelita do texto. Permita-me comentar que essa interpretação é representativa da ginástica argumentativa, sustentada numa certa vontade de fazer dos outros parvos, que por extensão permite extrair de qualquer texto tudo aquilo que se quiser. Afinal, seguindo o aforismo de Richelieu, constata-se que a resolução tem bem mais de 6 linhas…

    Gostava, nomeadamente, que me indicasse onde está a suposta “cláusula necessária para a devolução de territórios” que enuncia, e que refere estar “explícita” no texto da resolução.

    “E ainda lá estão tropas aliadas.”

    Sim, chama-se NATO, a que a Alemanha aderiu voluntariamente. Além de que não me parece que os “aliados ” estejam propriamente a colonizar a Alemanha.

    E quanto aos outros exemplos, julgo que constam do armistício da IIª Guerra mundial, que assegura a aceitação voluntária (mesmo que contrariada) desses factos pelas potências derrotadas.

    Acrescente-se também que os factos ocorreram naturalmente antes da fundação das Nações Unidas…

  10. “Mas esse raciocinio não implicaria que o Israel “legitimo” fosse o aprovado pela ONU em 1947 ”

    Estava a referir-me à “green line”, obrigado pela correcção. Este particionamento é sustentado por um armistício entre todas as partes envolvidas.

  11. lucklucky

    Israel não estava nas fronteiras de 67 quando o Egipto bloqueou o estreito , expulsou as forças da ONU do Sinai ? A Síria não bombardeava as vilas Israelitas abaixo dos Golão com morteiros? E a Jordânia não ocupava Jerusalém e de vez em quando não vinha morteiro?

    Do link que forneceu da resolução 242 que tresleu:

    “…every State in the area and their right to live in peace within secure and recognized boundaries free from threats or acts of force”

    Diz tudo. Se Israel vai entregar território tem de ter a certeza que terá o que está citado acima na Resolução 242. A não ser que se queira uma farsa é assim, não há alternativa. A resolução implica deveres de ambas as partes.

    Sadat fez a Paz sob aquelas premissas em 1978 e foi assassinado. Agora talvez me explique o passe de mágica para tal possibilidade com o apoio soviético á Síria, Egipto(terminado em 73) e á Fatah e os amanhãs que cantam mais o extremismo da Fatah.

    “Assim, das duas uma: ou consideramos que esses territórios não fazem parte de Israel, e aí Israel é um ocupante de território alheio”

    Mas eu sempre disse que Israel é um ocupante do território alheio após 67. Mas é legitimamente e legalmente ocupante de território alheio dado a impossibilidade de paz. Tal como os Aliados ocuparam a Alemanha até limparem o nazismo. Se você me disser que numa realidade alternativa de repente os palestinianos da Fatah e do Hamas se transformam num partido de um País Europeu ou como Gandhi eu diria que os Palestinianos teriam razão. Não haveria razões para Israel ocupar a Cisjordânia. Embora os Países Arabes tivessem de indeminizar dos prejuízos.

    Para se perceber o contexto dos tempos, pois há uns que não são “parvos” mas que parecem ter falta de memória:

    While the leaders interviewed say they have no regrets and insist they will ultimately prevail over Israel, some of them wonder aloud whether things might have been different.

    “Would you believe me if I tell you that if I had to do it all over, I would?” said Mohammed Oudeh, architect of Black September’s 1972 Olympics attack that left 11 Israeli athletes dead.

    “But maybe, just maybe, we should have shown some flexibility. Back in our days, it was ‘the whole of Palestine or nothing,’ but we should have accepted a Palestinian state next to Israel.”

    http://findarticles.com/p/articles/mi_qn4188/is_/ai_n24939293

    “Aging Palestinian radicals offer defiance, regrets”

  12. Pingback: Legitimidade (3) « O Insurgente

  13. “Diz tudo. Se Israel vai entregar território tem de ter a certeza que terá o que está citado acima na Resolução 242. A não ser que se queira uma farsa é assim, não há alternativa. A resolução implica deveres de ambas as partes.”

    Não sei onde vê a necessidade de uma acção para a outra, ou a garantia concedida a Israel de só ter que cumprir com o seu dever sujeito a qualquer pré-condição. Aliás, esse raciocínio justifica também a interpretação simétrica, que é a de dizer que o outro lado também tem o direito de esperar e condicionar a que Israel abandone os territórios ocupados, para que então cumpra os seus deveres.

    Afinal, os deveres de ambas as partes são apresentados em total pé de igualdade.

  14. lucklucky

    “Não sei onde vê a necessidade de uma acção para a outra, ou a garantia concedida a Israel de só ter que cumprir com o seu dever sujeito a qualquer pré-condição. Aliás, esse raciocínio justifica também a interpretação simétrica, que é a de dizer que o outro lado também tem o direito de esperar e condicionar a que Israel abandone os territórios ocupados, para que então cumpra os seus deveres.

    Afinal, os deveres de ambas as partes são apresentados em total pé de igualdade.”

    Então os deveres estão apresentados em “total pé de igualdade” mas “Não sei onde vê a necessidade de uma acção para a outra” ?
    Consegue me explicar a lógica e moral de deveres em total pé de igualdade, e o cumprimento desses mesmo deveres diferidos? se assim for como é que os deveres continuam em pé de igualdade se dão o benefício da vantagem a uma das partes? Escolhida por si precisamente aquela que defende(ia) a destruição total do adversário.

    As acções têm de ser simultâneas e óbviamente faseadas com passos equivalentes. Mas isso nunca sucedeu porque uma das partes sempre teve outro objectivo que o declarou alto e bom som para todos ouvirem desde 67 a 88 e internamente a partir daí(estou falar da Fatah). Só houve uma breve janela de oportunidade no fim dos anos 80 mas aí andavam todos entretidos com o Fim da Guerra Fria…

  15. “Então os deveres estão apresentados em ‘total pé de igualdade’ mas ‘Não sei onde vê a necessidade de uma acção para a outra’ ?”

    O facto de serem apresentados em pé de igualdade exprime que são de igual importância, não que o cumprimento destes seja de algum modo dependente. São etapas apresentadas de forma completamente independente (mas todas naturalmente de cumprimento necessário para se satisfazer os objectivos).

    E não me justificou porque é que e onde é que está definido que o cumprimento da condição que beneficia Israel tem prioridade em relação à que o prejudica, e porque é que esse juízo também não é válido para a parte contrária em relação aos seus interesses

    “As acções têm de ser simultâneas e óbviamente faseadas com passos equivalentes.”

    De onde é que tira essa conclusão? Naturalmente que as acções deverão (factualmente) ser simultâneas, mas não leio em lado nenhum a obrigação de que sejam feitas com passos equivalentes. Afinal, não está definido qualquer critério de equivalência. Qual seria? Quilómetros quadrados por número de morteiros e rockets diminuído?

    Peço que me explique, existindo uma sentença que condena duas partes a tomar acções, se seria concebível que uma das partes se negasse a cumprir a sua parte até que a outra cumprisse a sua (ainda mais, baseando-se na sua própria avaliação moral do valor e da prioridade de cada uma das acções, e não na do tribunal). Acha que isto faz algum sentido e permitiria fazer cumprir alguma sentença?

  16. lucklucky

    “O facto de serem apresentados em pé de igualdade exprime que são de igual importância, não que o cumprimento destes seja de algum modo dependente.”

    E sou eu que quero fazer os outros de “parvos”…

    “E não me justificou porque é que e onde é que está definido que o cumprimento da condição que beneficia Israel tem prioridade em relação à que o prejudica, e porque é que esse juízo também não é válido para a parte contrária em relação aos seus interesses.”

    Moralmente porque a Guerra só existiu porque havia quem não estava satisfeito com a existência de Israel. Porque após a derrota continuaram a defender o mesmo e a agir em consonância. Excepto a Jordânia pouco depois quando se viu sobre os canhões de Hafez Al-Assad e percebeu que não era companhia recomendável. É evidente que um acordo de implementação daria garantias ás duas partes. Que nem se aperceba de tal necessidade é significativo.

    “Peço que me explique, existindo uma sentença que condena duas partes a tomar acções, se seria concebível que uma das partes se negasse a cumprir a sua parte até que a outra cumprisse a sua”.

    A ONU não tem o monopólio da força como o Estado como bem sabe, que dê a garantia ás partes que uma não vai ser prejudicada. Que se tenha esquecido da Guerra do Yom Kippur é mais um belo exemplo de duplicidade e o paralelismo que escolheu demonstra bem a ficção ou mundo teórico em que está fechado.
    Obviamente que se após o acordo de implementação alguém violasse ou se recusasse a cumprir um passo estava tudo suspenso sem subsequente acordo a outra poderia suspender a sua implementação.

    Ora como a parte Árabe após a Guerra continuou a querer destruir Israel e até começou outra Guerra meia dúzia de anos depois, não havia hipóteses de Paz. Mas para si certamente seria vantajoso a Guerra do Yom Kippur a partir de Gaza em vez do Suez e a partir do cimo dos Montes Golão em vez de atás deles. O “problema” estaria resolvido.

  17. “E sou eu que quero fazer os outros de ‘parvos’…”

    Não, limito-me a interpretar um texto – pasme-se – pelo que lá está escrito, e não pelo gostaria que lá estivesse.

    É significativo que, para defender a sua “dama”, se tenha que desenrolar em justificações e argumentações sucessivas que não constam minimamente do texto da resolução, não são por esta referenciadas, nem enquadradas por esta. Uma resoluções que, diga-se, é bem curtinha e directa.

    É também sintomático que faça juízos relativos à interpretação da resolução recorrendo a eventos posteriores a esta, como a guerra do Yom Kippur. Afinal mais uma demonstração de enviasamento da análise, já que critica a falta de cumprimento e violação das acções que cabiam ao lado “palestiniano”, mas omite que Israel também não tinha desde a aprovação da resolução dado qualquer sinal ou avançado com alguma iniciativa concreta de cumprimento dos seus. Antes pelo contrário, como se demonstra.

    Mas afinal, a sua posição é algo de frequente na análise e discussão desta questão concreta. A obsessão canina por um dos lados da contenda tolda qualquer possibilidade de seriedade argumentativa e de distanciamento em relação às duas partes. Tudo o que a dama faz está à partida sancionado e é a mais clara e justa maneira de agir. O mesmo critério avaliativo transposto para o outro lado da contenda serve para as mais sumárias condenações. Uma das partes está sempre de boa-fé, a outra sempre de má-fé. De um lado os santinhos, do outro os demónios.

  18. lucklucky

    “Não, limito-me a interpretar um texto – pasme-se – pelo que lá está escrito, e não pelo gostaria que lá estivesse.”

    Você começou por dizer que o texto só obrigava um lado depois já passou a aceitar que os dois lados têm obrigações. Mas por qualquer razão acha que: “o cumprimento destes seja de algum modo dependente”. É evidente que estão os dois dependentes.

    “É também sintomático que faça juízos relativos à interpretação da resolução recorrendo a eventos posteriores a esta, como a guerra do Yom Kippur. Afinal mais uma demonstração de enviasamento da análise, já que critica a falta de cumprimento e violação das acções que cabiam ao lado “palestiniano”,

    Os eventos posteriores demonstram a falsidade do seu argumento se você está mesmo remotamente interessado em alguma Justiça. Se Israel tivesse recuado para as fronteiras anteriores teria sido provavelmente destruído na Guerra de 73.

    ” mas omite que Israel também não tinha desde a aprovação da resolução dado qualquer sinal ou avançado com alguma iniciativa concreta de cumprimento dos seus.”

    Falta de memória ataca outra vez. A entrega do Deserto do Sinai ao Egito não ocorreu assim que este País mudou completamente a sua Política e demonstrou boa vontade e desejo de Paz?E Israel quiz entregar Gaza mas o Egipto recusou.

    “O mesmo critério avaliativo transposto para o outro lado da contenda serve para as mais sumárias condenações. Uma das partes está sempre de boa-fé, a outra sempre de má-fé. De um lado os santinhos, do outro os demónios.”

    Começa a cascar em Israel como o único incumpridor, ou já se esqueceu do que escreveu no texto acima? e agora veste-se de imparcial…

    Os representantes Palestinianos não estão de Má-Fé, exeptuando o Sr.Arafat e alguns membros da Fatah com discursos internos e discursos externos completamente diferentes isso é algo que na grande maioria das vezes não acontece. Os representantes Palestinianos estão de boa -fé, dizem claramente que querem destruir Israel.

    Hamas In Their Own Voices

    http://au.youtube.com/watch?v=i08L09V0_sg

  19. “Você começou por dizer que o texto só obrigava um lado depois já passou a aceitar que os dois lados têm obrigações. ”

    Onde é que eu alguma vez disse isso? O que eu disse, e reitero, é que o comprimento de um lado das suas obrigações é independente do cumprimento do outro lado das suas.

    “É evidente que estão os dois dependentes.”

    É tão “evidente” que não consta do texto da resolução e ainda não me conseguiu avançar nenhum justificação objectiva para essa análise.

  20. lucklucky

    “Onde é que eu alguma vez disse isso? O que eu disse, e reitero, é que o comprimento de um lado das suas obrigações é independente do cumprimento do outro lado das suas.”

    Uma vez que você só criticou Israel é uma inferência perfeitamente legítima. Quanto á resolução, esta ou outra ou um simples acordo num papel é óbvio. Quando a data é omissa e não há qq referência assume-se que a intensão é a simultaneadade e sujeita a um acordo de implementação com base nesse príncipio. Para situações complexas o acordo de implementação são gradualistas.

    “should include the application of both the following principles” o que é que está o “both” a fazer ali?

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