O Israel de hoje é uma inevitabilidade com tanto direito a existir* enquanto nação como qualquer outra e se o é na forma e com os problemas actuais, a responsabilidade é maioritariamente dos seus vizinhos, como é também destes a responsabilidade maior da situação dos palestinianos. Bastaria saber que Israel é, essencialmente, um país de refugiados feito por refugiados e compará-los com os eternos refugiados palestinianos (já devem ir na terceira geração) mantidos na miséria nos países vizinhos.
Outra questão que devia merecer reflexão à esquerda é o pêndulo do apoio/ataque a Israel. Nos anos 40 quando os israelitas formvam a organização terrorista Irgun que cometeu, por exemplo, o atentado ao Hotel King David em que morreram mais de 100 pessoas, Israel era a menina dos olhos da esquerda. Quando foi formado, os primeiros países a reconhecerem-no de forma definitiva enquanto país foram: União Soviética, Guatemala, Bielorússia, Ucrânia, Polónia, Checoslováquia, Uruguai e Jugoslávia com os Estados Unidos a reconhecerem o governo judeu provisoriamente. Isto quando era Israel que albergava uma organização declaradamente terrorista. Hoje quando é do outro lado que existem organizações terroristas é esse outro lado que a esquerda apoia maioritariamente. Regra geral, o humanismo da esquerda tem esta coisa de se apoiar na violência indiscriminada sobre as pessoas. A bem da Humanidade.
*Percebo melhor o apoio ao Hamas vindo de quem defende a extinção de Israel que dos que rasgam as túnicas aos gritos de “Desproporcionalidade!”.