A entrevista de Sócrates e o capitalismo de Estado

Dizem que Sócrates é bom nas entrevistas, que fica bem, responde melhor. Que as domina. Nada mais falso. Sócrates não responde, atropela. O Primeiro-Ministro não aceita a contradição; ri-se dela. Usa o cinismo como arma. Ridiculariza a opinião contrária. Quando um jornalista afirma algo que lhe é incómodo, ele repete essa afirmação, desta vez em forma de pergunta e num tom displicente e desagradável. Como se o conteúdo dessa afirmação, mesmo que verdadeira, fosse uma indelicadeza. Algo a evitar; algo que põe em perigo as reformas e que não deve ser mencionado em tempo de crise. Sócrates indigna-se com as questões difíceis, utiliza truques rasteiros, para fugir às perguntas e aproveita as resposta para expor o que fez nos últimos 2 anos, como se de um tempo de antena se tratasse. Nunca de uma entrevista.

Sócrates é um bull-dozer das entrevistas. Nunca um bom entrevistado. Jamais um bom comunicador.

O Primeiro-Ministro mencionou, na entrevista de ontem à SIC, que cabe ao governo decidir quais as empresas que devem ser salvas. Para Sócrates, nem todas as empresas podem ser ajudadas, apesar de todas pagarem impostos, apesar de todas empregarem cidadãos portugueses que pagam impostos, financiam o Estado, ou seja, financiam as ajudas que o Estado, arbitrariamente, concede. Isto tem um nome: Capitalismo de Estado e livre arbítrio. Favorecimento de uns (forçosamente com bons contactos no poder), em detrimento de outros (sem esses bons contactos). O socialismo em marcha dá nisto: O mercado é substituído pelos políticos, por quem detém o poder político. Pelos interesses, pelas guerrilhas pessoais, os favores, e por aí fora.

Sócrates avisou. Cabe-nos ouvi-lo.

9 pensamentos sobre “A entrevista de Sócrates e o capitalismo de Estado

  1. Pingback: Leituras sem resistências « O Prazer de Errar…

  2. Sócrates passa sim bem na televisão. Boa imagem, domina a técnica que consiste em falar mais alto, não se deixar interromper, e nunca, mas nunca responder a qualquer questão. Falam que admitiu a entrada em recessão, pudera, com o Banco de Portugal a divulgar hoje o relatório, a questão que se deveria colocar é como obtiveram entrevistadores e entrevistado acesso prévio ao documento. Resposta que certamente Vítor Constâncio não irá dar. Sócrates é inquestionavelmente um produto destinado a vender em televisão, contando com uma boa estratégia de marketing para o efeito. Nada mais!

  3. Omar

    Grandes cumprimentos sr. Andre.

    Este desprezo pelo Socrates sem duvida que o partilhamos.
    Mas tens aqui uma datas de colegas que sao bem piorzinho que o eng° tecnico Socrates. Nao aceitam uma critica sem ofender as pessoas ou no minimo ridicularizarlas. Chamam a qualquer movimento que nao lhes caia no goto de terroristas, eco-idiotas e outros elogios que tais. Para nao falar da censura aqui praticada (proprio de pessoas pouco liberais).

    Mas prontos… uns foram iluididos pelo stalinismo, perdoa-me a provocaçaozinha; mas tu tas um pouco iludismo pelo “neo-conismo”:)))) (sera que se diz assim).

    P.S. Nao pude deixar de aceitar um convite para de vez em quando vir re-provocar-vos de um grande amigo nosso:))))).
    Pena è que para ler alguma coisa tua um gaijo tenha que ler uma serie de baboseiras primeiro de alguns colegas teus com opinioes bastantes despreziveis, ao contrario das tuas, que ate posso nao concordar, mas que nao sao cheias de “racismos” diversos.
    Hasta.

  4. O ideal seria não comentar. Mas a razão merece sempre uma atenção!
    sem pretender fazer qq. tipo de publicidade transcrevo o que “Bloguei” na altura:

    Entrevistado:

    José Sócrates esteve desde o inicio mal preparado ou apenas preparado para outro género de entrevista. Não fez o “trabalho de casa” e abusou da sua característica de não dominar os números confiando na sua capacidade de produzir cataratas de boas intenções(sem aspas). Titubeou nas verbas do Ministério da Agricultura. Mostrou indecisão e alguma incerteza quando referiu algo tão simples como os quilómetros de novas vias de comunicação. Hesitou nas questões relacionadas com a Educação e deixou transparecer o que me pareceu ser alguma falta de confiança na detentora da pasta em causa ou algum arrependimento pelas metodologias arrogantes adoptadas. Muito embora as suas palavras tentassem afirmar o oposto.

    Relativamente a Manuel Alegre, J. Sócrates não foi capaz de assumir o papel que lhe caberia se, com propriedade, se sentisse líder partidário incontestado e “doirou a pílula” com um (nada subtil) piscar de olhos ao eterno “poeta contestatário”. Foi simpático e até quase.. paternalista; Coisa que Alegre não lhe deveria merecer mas que aceitará com toda a certeza. Não tentou sequer responder às criticas que Alegre lhe tem dirigido, remetendo-as para um aspecto secundário como quem evita responder ao “tolo da aldeia”!

    O tratamento ao entrevistador pelo nome próprio revelou, como revela sempre, da parte do entrevistado uma tentativa de estabelecer uma “ponte intimista” sempre o ambiente começa a aquecer ou mesmo a queimar. Quando nem sequer tal resultou, José S. evidenciou expressões faciais que rondaram a fúria, a ira e o descontentamento. Tenho a absoluta certeza que nesse preciso momento lamentou ter aceite ser entrevistado ali e assim. Aquilo que lhe pareceu poder ser uma excelente ocasião para culpar a “crise internacional” transformou-se num suceder de pequenas e irregulares inflexões de voz que deixavam transparecer a insegurança de argumentação. A tal ponto que utilizou a última e mais arriscada das manobras: tentou colocar em causa os conhecimentos técnicos de um dos entrevistadores. Como a “manobra” não corresse bem, ouvimos todos a já célebre frase “(…) eu raciocíono…”!

    Eu raciocino! Logo, não perco mais tempo com a pior prestação televisiva de um chefe de governo desde pelo menos Vasco Gonçalves!

    Era e ainda é a minha opinião!

    Um abraço com cumprimentos:

    Rui V,

  5. lena

    SÓcrates, sem comentários, já nem para entrevistas….ou seja monólogos…. foste tu que escolheste a jornalista?? malandreco, e as perguntas…. ?

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