Dedicacionismo furioso ou furisionismo dedicado

furiasSaiu no jornal Público de hoje um interessante artigo, a propósito dos mencionados no discurso de fim de ano do PR que correm sérios riscos nesta altura: agricultores, pequenos comerciantes e licenciados desempregados. A dada altura diz-se que estamos a pagar as políticas negligentes dos últimos dez, quinze anos. Ora basta ler do que se queixam os arriscados que percebe-se que o problema é exactamente o oposto. Estamos a pagar dez, quinze anos de políticas furiosamente dedicadas sem ponta de negligência. Um dedicação furiosionista ou um dedicacionismo furioso da parte de todos os governos, pelo menos desde 1986 – alguns dirão desde D.Maria II, outros que é assim desde Viriato. Enfim. O que interessa é que nas três entrevistas do artigo passa o seguinte:

1 Na agricultura foram aprovadas as ajudas da UE em 2007 e até hoje, em virtude da dedicação furiosa à burocracia, nenhum agricultor viu ponta de um das Caldas – e há mais mas não me apetece;

2 No pequeno comércio em virtude da mais antiga fúria dedicacionista em proteger os desfavorecidos com as leis das rendas, os centros das cidades desertificaram-se dedicadamente e os pequenos comerciantes agarraram-se à possibilidade remota de um furioso trespasse milionário e a dedicadíssima e furiosa burocracia emperra todo e qualquer projecto, entre outras questões. Nem ponta de negligência. Pelo contrário.

3 Alguém anda a mentir aos jovens portugueses com uma dedicação furiosionista, fazendo-os acreditar que não existem limites para o número de advogados, antropólogos, sociólogos, filósofos (!!), historiadores, designers de _________ , professores de ____________, _________ do ambiente, ________ têxtil, ____________ da Comunicação, etc, etc, etc. que o mercado português pode absorver. A furiosa paixão dedicacionista à educação quis, com a melhor das intenções, transformar-nos todos em licenciados nem que fosse em Antropologia da Dedicação, ou em Mestres nem que fosse em Furisionismo Dedicado, furisionismo este que ensina que bastam políticas furiosamente dedicadas para que, por exemplo, salários mínimos para licenciados (parece que a CML não contratou uma rapariga porque como é licenciada ganharia mais do que a CML pode pagar, go figure) sejam uma ferramenta de promoção do emprego dos mesmos e consequente estabilidade. Nem pontinha de negligência. Outro das Caldas, desta vez revestido a lixa. Três.

Quem dera que as políticas dos últimos dez, quinze anos tivessem sido negligentes.

Um pensamento sobre “Dedicacionismo furioso ou furisionismo dedicado

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