Carta de um capitalistista

apocalypse02Caro Miguel,
Espero que esta te encontre de boa saúde e com o ânimo a que nos habituaste. Escrevo-te depois de muitas hesitações, falta-me a erudição e, provavelmente, a sabedoria para que te possa explicar com clareza ao que venho. Sou um tipo mais ou menos simples e fácil, de gostos simples e fáceis. Pouco erudito, gosto de construir, de fazer, de mexer com as coisas. Criar pequenas riquezas, projectos. Dá-me gozo saber que preciso de contratar mais uma, duas, três pessoas. Gosto de imaginar, projectar e planear onde estarei daqui a três, cinco, dez anos. Como hei-de conseguir ter um handicap entre 10 e 15 daqui a três, cinco anos, o que tenho que fazer para daqui a dois anos comprar um BMW X6 ou um Lexus RXh400 enquanto ajudo os outros, crio riqueza, aprendo, conheço mais e me torno melhor pessoa. É disso que gosto e é para isto que vivo.
Desgraçadamente pertencemos ambos a um clube que, sei bem por que razão, foi riscado da história. Talvez te lembres que quando andávamos no Liceu (eu em Oeiras, tu não sei em qual) houve uma fase em que, ainda antes das latas de bebidas, se coleccionavam pins. Havia um que era uma espécie de metáfora do que nós somos. Rezava assim: Too young to die too old for rock’n roll que, suponho, tinha qualquer coisa que ver com os Jethro Tull do Ian Anderson. A frase é uma metáfora de nós dois e o 25 de Abril de 74. Nós os que nascemos entre 1962 e 1968 (mais coisa menos coisa) não somos nem a geração ante-25 do A, nem pós-25 do A. Demasiados jovens mas não suficientemente jovens pairamos, apenas. Se formos Retornados, como somos os dois, então pior ainda, além de pairar não-existimos. E é mais por isto que te escrevo, por isto e por essa coisa dos capitalisteiros. Parece que algum desmiolado te enviou um mail em que escreve o seguinte:

“grande capital anónimo internacional é despido de qualquer piedade pela sorte daqueles que nada têm” e que “a ordem global deste capitalismo selvagem é convite para uma nova tomada de consciência revolucionária que levará, cedo ou tarde, a uma resposta global”.

Caro Miguel, este “amigo” não tem razão nenhuma. Que “capitalismo selvagem”? O que está à ordem dos Estados, esses representantes da Vontade Geral? Porque julgam o “amigo” e, aparentemente tu também, que se formam lóbis, seitas e grupos de assalto ao poder do Estado? Vão em busca do poder do grande capital anónimo internacional? Ou, na verdade o poder que interessa é o poder político sufragado na mentira e na manipulação? É o poder dos medíocres, como se comprova hoje em Portugal, que é o convite à violência dos brutos a que os imbecis chamam consciência revolucionária. Faz um exercício: põe um mapa sobre a tua mesa e vai marcando as tristezas, as violências e a filha da putice, no Mundo. Verificarás, com facilidade que só existe um elo comum em todas sem excepção: o poder do Estado. O capitalismo entendido como mercado livre, não no sentido marxista dos tristes, não resolve nada, não é solução para coisa nenhuma, não faz nem mal nem bem. Limita-se a ser o terreno fértil onde se constrói a liberdade com “l” minúsculo, a riqueza e a solidariedade. A solidariedade verdadeira, a voluntária, não imposta, não a solidariedade dos escravos que é a que o “amigo” e outros inimigos do capitalismo (mercado livre) nos querem impor. Aquilo a que o “amigo” chama “capitalismo selvagem” é a possibilidade que eu tenho de me movimentar no Mundo e, caro Miguel, isso não tem preço. Tem custos, isso tem. Os custos que no teu caso suportas por não ter seita ou lóbi.
É de notar que o Thaksin não prejudicou os thai enquanto não se tornou PM. Foi o poder do estado, não o poder económico que os levou onde estão. Dito isto, espero que o Rei corresponda ao que os thai desejam. Porque até nisso te poderei depois dizer porque penso que o melhor amigo da monarquia constitucional é, adivinhaste, o mercado livre.

Um grande abraço

Helder Ferreira

4 pensamentos sobre “Carta de um capitalistista

  1. Haddammann

    Não mais … Não mais … Temos que Ver … É o custo que terá nossa sorte.

    Estamos brincando … perto do chicotinho-queimado (mas nossos informadores falseiam onde estamos tateando) … poucos de nós percebem com consciência que “alguns” estudos são a matéria-prima da manipulação midiática (pela imposição de uma medíocre “esperteza”, ou autoridade ditatorial sobre a mídia), e vêm com uma abalização esquisita como a que agora podremente atesta isso que chamam de criacionismo. Sabemos muito bem que as favelas multiplicaram-se enormemente, e espremeram os bairros mais favorecidos. E, de um modo maquinado por pulhíticos, pessoas meio-melhoradas foram praticamente tolhidas em sua liberdade, um tolhimento dela foi o direito de usufruir de uns quatro filhos que podiam e podem manter; mas por MÊDO, se abstiveram desse prazer. Em contrapartida, das sequelas crescentes da miséria prontamente verificável do nosso lado, agarrada a nós (e à nossa empáfia de mais bem informados, mas engolindo pedregulhos com arame farpado e rindo muitas vezes sem saber do quê), vemos a degeneração civil, física e psíquica, da nossa nação (nossos garotos e garotas, de reprimidos que estão não vêem que chegamos a ponto de cinemas oferecerem promoção para se beijarem; estando sendo instigados a posarem de domadinhos — vigiados pelas próprias famílias tuteladas instigadas por qualquer motivo a chamarem-nos de rebeldes — ou posarem de bonitinhos-babás de cachorros; em cidades e bairros insuportavelmente empestiados de excrementos pulverizados e vaporizados). Assim, constatamos que não há desenvolvimento (sustentável) algum. Há sim, um aumento de consumo desenfreado, sem norteamento sociológico; porque este foi estranhamente podado em sua serventia (como a Psicologia). Quem conhece Mente & cérebro de Lauren Slater? Sendo estritamente sabido que os sociólogos foram “moldados” no início da década de 80; quando iniciou-se a nova cruzada do teo-nazismo da nova ordem. E, como esses, também outros cientistas, especialmente os físicos, estão sob sanções deprimentes; o que está nos levando a descambar sofrivelmente ao molde da decadente nação americana (que nem ao menos lidar com a prosperidade de alimentos soube, antes envaideceu-se e fanatizou-se de tal modo que declinou visivelmente sua educação (e nós os arremedamos); decaindo ainda mais num terrível intento de dominação, que a desvairou tresloucadamente a não sentir o cheiro do cometimento do crime de um desastroso genocídio, que está sendo agora declarado em falseada e confessa irresponsabilidade (para que os esquisóides fantoches postos pra nós como grandiosos e salvadores arremêdos de líderes se livrem dum tribunal internacional; e todas as nações implicadas tenham de ser responsabilizadas ou ressarscidas.
    Portanto, meus caros, a mais desgraçada raça é a dos covardes e de seus cupinchas traidores …
    O Cacique Seatlle vislumbrou terríveis desarrolos de acontecimentos pautado nos ecos de onde vinha sua ancestral civilização, e Kennedy mirava a grandeza de sua Nação se ela ancorasse seu futuro em uma simplicidade natural à sabedoria, e não se deixasse envaidecer pela sugestão de superioridade humilhadora (mas sem apresentar resultados que abonassem sua prepotência), com excusos aviltamentos de direitos por acordos e conluios secretos. Também no Brasil houve heróis autênticos da política, da História não-oficial, dos simples aos eméritos; mulheres e homens e jovens e infantes. E em todas as nações, o brio da espécie humana descortinou sempre nossa pujança civil, para que a Sociedade não fosse só mais que tão somente útil e compensadora para alguns, e que os mais favorecidos não depauperassem o direito inalienável da privacidade, escrúpulo, e direito ao Bem-Estar Integral.
    Então, pergunto a todos que não se curvaram ao direito de não serem desonestos, e que sentem em si o direito altaneiro de exercer sua/uma função competentemente compensada pela equanimidade do mérito (o que é, de fato, a autêntica Meritocracia; não o engôdo, no plágio do vocábulo, para favorecer cabides de asseclados e afeitos à subserviência e covardia): Não vêem como estão “formatando” fantoches como arremêdo de estadistas, que vão engendrando aos pouquinhos, trançando, com espúria mídia um coacervado de escravidão mista, impondo uma extrema nazi-teo-ditadora pulhítica? Pondo-nos num acomodamento esquisito, onde muitos, ludibriados, ficam como parvos abortos, num delírio de grandeza e falsa recompensa, comendo em bandejões a míseras moedas, como estivessem num esquisito campo de concentração. É a tentativa de aguilhoar de vez multidões em sacos de desgraçada e iludida pobreza, e tornar a Sociedade definitivamente num vasto feudo fechado, separado por castas interesseiras, dependentes, entregues à intriga entre si, adoçados por com uma “ética” de uma “transparência” de uma só via e nenhuma visibilidade à incautos reclamantes.
    É a trama de uma horda de facínoras entorpecidos em alçapões podres pelos séculos, reescorados por conluios, e mascarados à força de terrorismo contra as instituições da Justiça, da Comunicação, da presteza dos Exércitos, da Educação, da Ciência, da Política Autêntica, e as de Bem-estar Sócio-Pessoal. É a pulhítica-religiosa tentando continuar sua fútil e insustentável desfaçatez; disfarçando-se para nós, e tirando-nos todo o sossêgo nas ruas e em nossas casas, para manter sua inutilidade para com o atual estágio da espécie humana. Temos de criar o Partido da Evolução; porque na Grécia, na Alemanha, na Itália, em Portugal, no Brasil, na Estônia, etc; estão subvertendo e degenerando deslavadamente os garotos e as garotas que empreenderiam os valores e a criatividade para avanço da Civilização.

  2. Para quen “não sabe” escrever entendo que é uma muito boa peça. O Miguel parece entender que é hoje em dia mais thai que os próprios thai. Ainda há minutos debatia este mesmo tópico com um amigo comum tailandês que me diz que afinal ele lê muito mas acaba por posssívelmente escutar pouco os tailandeses. Ambos aqui em Bangkok vivemos e sentimos este país e esta cidade em toda a sua pujança e, se bem que nem sempre fácil, é necsessário entender aquilo que os thai dizem e aquilo que os thai são e ou vivem o que nem sempre é o mesmo. Estou aqui só há pouco mais de 4 anos mas sempre tive um grande amor por ouvir tudo e todos e por debater ideias abertamente sem medo de “perder” visto estar sempre a aprender. Aqui como aí ou noutra parte do Mundo tudo é mutante tudo evoluciona e dizer-se que o capitalismo ou o comunismo ou o que seja trasnforma as mentes das pessoas é passar um atestado de menoriade a todos. O que devemos sempre lutar é por uma educação “limpa” onde as pessoas aprendam a tolerância e o poder e força do debate de ideias. Nunca ninguém avançou sem partilhara ideias e o Miguel está a querer ficar estacionado bloqueado por convicções que lhe tolhem o olhar. Há pouco estava a escrever no meu blog um pequeno apontamente de saudade pelo Alçada Baptista e revejo-me nele neste meu escrito aqui. Alçada era um coloquiante, se a palavra existe, um homem de dialogo. Convicto, seguro, amante das suas ideias mas de uma abertura a ouvir que deixava todos encantados com ele próprio. Só nos desenvolvemos quando ouvimos e aprendemos e isso deve, tem, de acontecer em cada segundo da nossa vida. Senão é o lodo a estsgnação.

  3. A questão é tão simples como isto: o que está em trânsito, neste momento, não acrescenta nem retira um ponto a tudo aquilo que a bibliografia de memórias dos séculos XIX e XX produziu a respeito do Sião/Tailândia: dos escritos dos missionários americanos que com a sua medicina aqui chegavam para logo dela tomarem partido e lançarem-se em cruzadas contra as “superstições locais” (i.e o budismo); dos escritos de dipomatas franceses e ingleses que aqui eram recebidos como príncipes, mas ofendiam e ultrajavam os siameses com tirânicas exigências de reformas “sociais” e políticas (fim da “escravatura”, fim do “despotismo”), mas nos seus países tratavam a criadagem de chicote na mão e exerciam poder de vida e morte sobre os povos por eles colonizados; por último, dos viajantes ociosos que aqui se regalavam e, depois, lavravam as mais descabidas “estórias” sobre o “serralho do Rei” e outras pérolas de orientalismo.
    Este povo nunca foi colonizado mas foi sempre um bom aluno do Ocidente, bom aluno ao copiar e afeiçoar instituições ditas modernas, bom aluno, até, quando macaqueou o pior do fascismo e, depois, o pior do comunismo. Eles têm cabeça, não são nem crianças nem irracionais. Não precisam de tutores nem missionários da liberdade, pois os thais são libérrimos na atitude benevolente, adulta e serena que sempre os caracterizou. Aqui nunca houve estagnação. Esse é, precisamente, um mito ocidental. Evoluir quer dizer, tornarem-se europeus. Esse mito historiográfico das sociedades estagnadas é tão velho como o imperialismo victoriano: se eles não conseguem “evoluir”, cabe ao Homem Branco ajudá-los a sair do lodo !
    Os thais tentam um hábil jogo de cintura para fugir ao abraço protector dos ocidentais. Eu e o Nuno , que somos amigos – quanto lhe devo ! – temos amigos comuns, que connosco evitam falar de política, pois para um thai a política tailandesa é assunto interno que só a eles diz respeito. Ontem, para meu espanto, seguindo a televisão do PAD, dei com um anúncio de uma empresa, propriedade de um amigo nosso (meu e do Nuno). Ora, esse nosso amigo, com quem estivemos em alegre convívio na passada semana, é, afinal, um dos grandes financiadores do PAD. As coisas são assim.

  4. Haddammann

    Governos dissimulados, ruins, corruptos são fortemente alicerçados por religiões ferrenhas; pelas imensuráveis vantagens que dá aos facínoras aviltadores da liberdade humana.

    Se queremos chegar à pessoas encarceradas por crença e religião temos um recurso ótimo que não é de confronto, a que a Ciência parece que os instiga; mas sim a poesia que, como qualquer criança é capaz de assimilar, os cegos também podem ter esperança de ver.

    O Dossiê Haddammann Parte 2

    Aqui está então:

    O Porte Civil do Indivíduo no Capitalismo Meritocrático:

    O homem ou mulher que não tem consciência de em quê seus limites se baseiam, está perdido(a). E, se tiver de contar com isso em momentos especiais (inúmeros nas fases da vida): momentos de fôro pessoal, momentos no exercício de função, no de âmbito de mando … nunca saberá o tanto que compete uma extrapolação.
    Só por uma gama substancial de princípios REFLETIDOS se pode conceber um porte civil/pessoal de escrúpulo para o desempenho de uma função.
    Princípios mínimos como o da reciprocidade da vida (saber que os atos implicam uma via de mão-dupla), como o da alternância (de modo, de tempo, etc), como o da prontidão de atenção (para o retribuir, para a gratidão, para a cordialidade, para o bom-préstimo dos serviços, etc) … fazem a estatura pessoal e civil duma persona numa nação.
    Qualquer cachorro tem filhotes e qualquer carrapato se multiplica; cria não dá a ninguém dignidade; pode dar respeito e moral: têrmos que já forma criados para vestir fajuto e presunçoso comportamento (que qualquer usurpador põe bem grande diante de suas salafrárias ações); que são muito convenientes para uma sociedade de babás de cachorros (sofrivelmente bitolada por crença e religiões) mas dispensáveis numa Sociedade de competência, aptidão, com seres altaneiros qualificados pelo mérito, erectos em sua estatura humana e civil.
    No capitalismo meritocrático não há (de se haver) pobres, há os que gozam (procuram gozar) a vida no seu bom contentamento. Porque uma coisa é fato comprovado: o pobre gosta do rico e o rico gosta do pobre; eles como que gostam da virtude um do outro (só a pulhítica perverte isso, jogando um contra o outro; como também exacerba disfarçadamente o racismo para manipulação social). Ambos se admiram por suas diferenças. Aí o contestador renitente pode dizer que não é assim; mas se não fosse isso não veríamos romance nos vilarejos e nem nas cidades grandes. Os gostos se contrapõem e se convergem, como num ciclo; isso só desmorona quando a usurpação esgulhepa o bem-estar um do outro. Esse “admirar” de virtude individual, que temos na escolha, por autêntica personalidade (em sua/nossa atitude altaneira), do exercício de uma função.

    Princípios ancestrais desde há muito foram reformulados em outras civilizações, mas nós os desprezamos; eles deveriam incorrer na evolução dos conceitos, como o de Trabalho, por ex.; mas nós insistimos em nos decepar pessoal e socialmente, favorecendo só a alguns e não a nós todos como estrutura civil.

    Palavras reunidas de vários povos ancestrais foram estrupadas, maquiadas, por ignominiosas pederastias decadentes; e conluios de mandantes pulhítico-religiosos, traidores das nações, erigiram pulhices mercenárias, incubadas e escrachadas, usando ironicamente símbolos de seus terrores e destruições como objetos gamados e adorados, que hoje formatam séquitos desprezíveis de mentes embassadas, como as pantomimas religiosas deslavadas que vemos aí infectando, massacrando, estrupando, nossa Sociedade.

    O trabalho na Meritocracia

    Pensando refletidamente sobre a questão do Trabalho na vida humana encontramos o cerne do por quê ao nos tornarmos r i c o s passamos (ou tendemos) a aceitar cegados as mazelas do mundo; ou melhor, tendemos a ser coniventes com a ufanação incabida provinda da maior aquisição de posses; e, endossamos o desprezo e o descaso com determinadas atividades (e, claro, pressentido pelas pessoas que as exercem), levando-nos a fatiar miseravelmente a remuneração do labor olhado com discriminação; gerando assim os “desfavorecidos”.
    Acontece que uma mácula no conceito de Trabalho e no Princípio da Reciprocidade/Funcionalidade (Ser Útil Para Ter o Que Utilizar), e uma total ignorância sobre o Princípio da Não-Usurpação, vem há muito adoçando o “formato educativo” da vida civil, alentando a tendência à vagabundice e à indolência; conturbando a serenidade e o ânimo e o prazer de exercer o Trabalho por vocação, por satisfação, por colaboração civil, que precisa ser inapelavelmente categorizado, sim, por talentos e competências ( e não por favorecimentos de qualquer gênero, a falsa meritocracia, têrmo já plagiado por governos pulhas), compensando-se conseguinte a estes, dignamente, não dando azo de maneira nenhuma ao afrontamento da soberba da maior posse, e nem azo à subserviência humilhante do comedido na sua simplicidade, nem à desculpa do préstimo mal-feito, e do bônus mal-outorgado, por tais pressentimentos (e vigência de normas de costumes de que “a vida é assim”) que experimentamos todos na vida civil – para que vivamos não irritando-nos, nem menosprezando-nos uns aos outros como cidadão, persona civil, para que nos invistamos com postura serena a responsabilidade na função gozada, por cada um de nós. Esse é o moto do orgulho pelo T R A B A L H O que prevalecerá na Meritocracia; configurando-se então que não haverá lugar para “apascentadores” supérfluos, inúteis, simbólicos, desprovidos de qualquer serventia. Ficando a cargo do Sociólogo, do Cientista Político, do Ambientalista, do Humanista, do Antropólogo, dos pensadores em ofícios ingenes a responsabilidade de coligir as aspirações efluentes e surgentes na Sociedade para conceber em tempo útil o modo de satisfazer os indivíduos conscientizados em um autêntico bem-estar -– a prioridade social.

    Convém dedicar atenção ao post:

    “Hannah Arendt – Sobre o labor e o trabalho (já que é 1 de Maio)” – Postado no Blog A Ver o Mundo. (para situar precisamente a importância conceitual do que estamos vendo aqui).

    Extremissimamente difícil seria pra qualquer um entender como poderíamos “aceitar” a pobreza, como o que “sempre teríamos” (suposta e incoerente fala de um provável homem cujo pensamento que o calendário ocidental e europeu adota como meridiano dos tempos ). Seria um endosso à irresponsabilidade civil para o cidadão classificado como r i c o. Outro endosso à displicência civil para o ser consciente que tem suporte, acesso, e grau no Conhecimento Humano é a postura psicológica de Aristóteles referente a t r a b a l h o. Ambos os endossos efetivam o disparate de o ser humano com tão evoluído acervo de informações conviver com um destrambelhamento soberbo em referência às condições sociais de vida.
    O que precisamos ver neste instante é que:

    Nunca o ser humano pôde prescindir do trabalho; por conseguinte nunca poderia tê-lo visto como “desgastador” da vida humana. Isso foi um engodo psicológico incutido em nosso viver social para justificar a indolência, o uso da força, e a usurpação do mérito, e a falsa justificação das confrarias parasitas do vigor dos produtores. Porque, por mais que o ser humano tenha de ter sido cruel consigo mesmo para vencer as dificuldades que o âmbito lhe impunha, para se suster como vida, sem dúvida alguma foi o apreço, e atenção, e gozo à sua gradual engenhosidade e curiosidade, que fez fervilhar em notórias expressões muitas e tantas formas e maneiras com que pôde usufruir melhor a vida. Então, como um corrigir da própria Natureza, o ser humano diante de tamanho desacerto social que experimenta hoje, vê o lúmen do acerto na sua ancestralidade. Assim, pelo modo que o ser sapiens se dispôs a viver em sociedade para que ela servisse não só a uns mas a todos, concedendo compensações condizentes aos méritos que se prontificavam, agora somos (como seres sapiens sapiens faber psi) instados a rever a configuração social pela paleta que primitivamente nos edificou – o Mérito, a Função, a Felicidade de Construir, Compartilhar, Comunicar e, propiciar Prazer.

    Muito bem. O que é coerente acerca daquele pensador, é que foi veemente contra o feitio servil em “formato” bitolador e escravizador para o ser humano, e, avesso à religião, é o que se tem (conforme o mito de palavras verbais ou simbolicamente escritas na areia pelo mesmo) claramente configurado até com gestos e ações contundentes, e assim, hoje mais do que nunca estaria injustiçado o que se teria dito, exatamente como todos os outros (e também em outros povos) que deflagaram ruptura com a mentira (em que nos enfiamos e nos atolamos até à ponta do fio de cabelo – veja A Canalhice Começou Assim – referência: foto-texto Orkut Haddammann@bol.com.br) e a falácia que sustentava e sustenta vagabundos parasitas que drenam a seiva e o vigor civil em todos os povos.
    Portanto, há que defendermos que uma valiosa contribuição duma mentalidade que deveria ter sido conquistada pelo povo judeu, outorgada pela ancestralidade de valorosos povos, reverteu num tremendo engano, servindo não para prover liberdade e consenso civil, mas para suster um conluio imenso de parasitas. Disso se dá a conclusão necessária para extinguir a religião do seio da Sociedade Humana, dado que visivelmente é essa instituição a principal fomentadora da preguiça psico-biológica para se conseguir socialmente o indivíduo com propensão à característica de escravo, dado à hipocrisia, à condescendência consigo mesmo, ao escárnio ao estudo, à anulação de si mesmo, para que se possa através disso obtermos um molde retrógrado de uma cocheira, ou senzalas (brancas, negras, de todos os matizes), num coacervado civil descabeçado, exaurindo com o sustento inconcebível de um imenso número de religiosos-parasitas-“mandantes e seus capatazes”, os riquíssimos recursos das nações e da Terra (num equivocado “desenvolvimento sustentado”), enquanto somos mantidos com olhos perdidos em coisas vãs, sem sentido, pernósticas, que só têm o fito de assegurar o regalo dos parasitas.

    Não se brinca com as leis da vida. Portanto, temos sim, que mudar por Reflexão, não por guerra, e submissão, como os pulhas insistem (para uma mudança ao modo deles), e não com apatia silente como a que transformou povos lindos em flagelos superpopulosos em miséria.

    De tudo que vimos aqui, podemos atinar que até escarnecemos de quem trabalha, mas esse dano psicológico que nos empurram como conduta cultural leviana faz aí nossas mãos caírem e nossos prédios ficarem carcomidos, feios, enquanto ao invés de estarmos vivos e cuidando-nos, ficamos sentadinhos escutando o encanto de promessas de riquezas, fazendo-nos tirar do nosso bolso o que seria pra o nosso proveito em nossas casas, em nossas cidades, em nossas idéias de construir, que nos estimula com nossos amigos.

    Conclusão: Ao invés de termos higiene ambiental, bem-estar e beleza, temos é esgoto insuportável em rios, cidades enfeiadas, sérias complicações físicas; e uma Terra desenganada com dias contados para atingir o Ponto de Não-Retorno; ao invés de vermos o que de fato somos, seres prumos, belos, que têm por obrigação viver em cidades belas, não como um coacervado em multiplicação daninha ao meio ambiente, mas um coordenamento equanimamente sustentado, condizente com nossa estatura em honra à vida e ao nosso Planeta.

    Haddammann Veron Sinn-Klyss.
    Domingo, 21 de dezembro de 2008

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