Tempo de enterrar Sá Carneiro (II)

(…)O Programa que aprovámos mostra bem que o nosso caminho tem de consistir na
construção de uma democracia real. Não basta apenas rejeitar, ainda que claramente,
as vias oferecidas pelo neocapitalismo e pelo neoliberalismo
, por incapazes
de resolverem as contradições da sociedade portuguesa e de evitarem a
inflação, o desemprego, a insegurança e a alienação nas sociedades que constróem.
Não bastam reformas de repartição ou redistribuição de riqueza, sobretudo
pela utilização da carga fiscal
. Há que introduzir profundas reformas
estruturais, que alterem mecanismos do poder e substituam à procura do lucro
outras motivações que dinamizem a vida económica e social
. Propomo-nos, assim,
construir não uma simples democracia formal, burguesa, mas sim, uma autêntica
democracia política, económica, social e cultural.

Sá Carneiro, no discurso de encerramento do I Congresso Nacional do PPD, retirado da página do Instituto Sá Carneiro

Diz o Ricardo Ferreira em comentário ao meu último post que Sá Carneiro era um homem à frente do seu tempo. E tem razão: Francisco Louçã só apareceu uns anos depois.

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11 pensamentos sobre “Tempo de enterrar Sá Carneiro (II)

  1. Nesses tempos o então PPD chegou a pedir adesão à internacional socialista e o próprio CDS admitia que Portugal deveria caminhar rumo ao socialismo democrático com matriz social-cristã…

  2. Que semelhança tem este discurso perfeitamente datado, mas infelizmente muito actual, com o que diz o Louçã?
    Sá Carneiro não só estava à frente do seu tempo como evoluiria certamente.
    Louçã defende ideias de 1917, enfeitadas apenas com algumas mariquices na moda para produzir sound-bytes ou agradar a lobbyes.
    Se o PSD enterrar Sá Carneiro, é só porque não o merece e depois desvanecerá porque nada mais justificará a sua existência.
    .

  3. lucklucky

    “Que semelhança tem este discurso perfeitamente datado, mas infelizmente muito actual, com o que diz o Louçã?”

    O discurso é parecido mas enquanto Louça se tivesse o poder seria no mínimo um Chavez, Sá Carneiro seria um Guterres, Durão ou Sócrates.

  4. “Sá Carneiro não só estava à frente do seu tempo como evoluiria certamente.”

    Certamente que sim. Uma vez que os textos e os discursos dele no tempo da “ala liberal” eram bem diferentes disto, aliás como tinham obrigatoriamente de o ser. O que leva a concluirmos que a política e políticos deste país apenas são regidos pelo situacionismo. Mas, que as ideias patentes nos discursos deste tempo se enquadram perfeitamente na ideologia do Bloco, isso enquadram. Mas é verdade que o carácter, a inteligência e mundividência de ambos os homens em questão são imensamente diferentes e que chega a ser ofensivo para a memória de Sá Carneiro ser comparado como Anacleto também é verdade.

  5. Sá Carneiro era Sá Carneiro.

    Fazer comparações com ele é apenas impossível, primeiro porque o homem morreu e por isso cristalizou. Todos os cristais são bonitos.

    Sá Carneiro teria evoluído, do mesmo modo que o fez Soares ao meter o socialismo na gaveta, ou Freitas do Amaral ao deixar caír a ala direita do CDS.

    Tentar comparar Louçã a Sá Carneiro é apenas possível se nos abstivermos do tempo e do modo.

  6. Fico desde já muito lisonjeado pela referência.

    Mas coloco uma simples questão: Quem é que falou no Francisco Louçã???

    E mantenho a minha dívida anterior. Afinal qual das seitas prefere: a de 74 a 76. Ou a anterior a 74?

  7. Pingback: Francisco Sá Carneiro - um homem à frente do seu tempo « BLASFÉMIAS

  8. Pingback: Insurgente Hackado? « Entre marido e mulher

  9. Luis Teixeira

    Este tipo de boutade faz-me lembrar (a mim, que já sou velho) uns rapazes que, em 75, também sabiam toda a verdade e não tinham paciência para velhos e fantasmas. Formavam um grupo chamado MRPP e depois ganharam juízo e dedicaram-se a coisas várias, da presidência da Comissão Europeia à direcção da Casa Pia. Haverá alguma piada e, admitamos, utilidade nestes fogachos. Mas, sinceramente, ao fim de algum tempo, cansam. E confundem-se perigosamente com a ignorância arrogante e satisfeita.

  10. Pingback: Francisco Sá Carneiro – O Insurgente

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