One thought on “Why are Wages low in developing countries?”
Caro Michael,
Concordo na generalidade, excepto na parte da productividade. O artigo faz passar que os trabalhadores do 3º mundo são inerentemente menos produtivos que os do primeiro. Não me parece que tal seja verdade por si só. Se me disserem que um trabalhador em África, com os meios de produção lá existentes, é menos produtivo que um americano, com os meus de produção existentes nos EUA, de acordo. Agora, com os MESMOS meios de produção, já não me acredito. Se pegarem no americano e o puserem a trabalhar em africa ao lado dos africanos, ou no africano e o puserem a trabalhar nos EUA, diria que, em média, os indíces de productividade seriam muito semelhantes (aliás, a emigração portuguesa é um excelente exemplo de isso mesmo!).
O que se passa aqui – e não digo que seja ilegítimo – é que fica mais barato à companhia pagar menos por um meio de produção menos eficiente do que mais por um mais eficiente. Ou seja, em muitos casos a subida de eficiência resultante das melhorias das condições de produção não é compensada pela subida de custo dessa mesma eficiência. Quando esta verdade é aplicada a pessoas, as coisas podem-se tornar complicadas porque a parte moral da coisa entra em campo, ou seja, é moral (e isto apenas em termos MORAIS!) despedir 500 trabalhadores num sítio de forma a dar emprego a 500 noutro?
A resposta que se dá – e que, aliás, vem no artigo – é que ao deslocalizar a empresa, esta aumentará o seu lucro e portanto poderá, no futuro, dar emprego a mais pessoas, o que não aconteceria caso se mantivesse aonde estava. Este raciocínio – que poderá ser moralmente correcto – apresenta algumas barreiras:
– ao despedir 500 pessoas num lado e contratar 500 pessoas noutro, está a causar dano efectivo a umas mas poderá não estar a causar um benefício a outras, i.e., as 500 pessoas despedidas vão, efectivamente, sofrer um dano (pois perdem fonte de sustento), enquanto nada garante que as 500 pessoas empregues noutro sítio não arranjariam (ou já não possuiriam) uma forma de sustento semelhante. Somando os prejuízos e os benefícios corre-se o “risco” de o resultado ser negativo. Caso não se faça “nada”, o resultado é zero, visto que não há nem benefício nem prejuízo.
– se os lucros efectivamente resultarem na criação de mais postos de trabalho por aumento de produção, tudo bem. Agora, se esse aumento de lucros apenas resultar numa maior distribuição de dividendos (o que me parece legítimo) ou no aumento dos vencimentos dos gestores (o que já me suscita mais duvidas, devido às estruturas de governance normalmente existentes), para o trabalhador despedido sentir-se-á engando (mesmo que não o tenha sido)
– finalmente, ao nível de trabalho que se está a falar, não lhe interessa muito a solidariedade, interessa-lhes o posto de trabalho. Ou, noutras palavras, dar aos pobres é bonito quando não se fica pobre em consequência disso.
Caro Michael,
Concordo na generalidade, excepto na parte da productividade. O artigo faz passar que os trabalhadores do 3º mundo são inerentemente menos produtivos que os do primeiro. Não me parece que tal seja verdade por si só. Se me disserem que um trabalhador em África, com os meios de produção lá existentes, é menos produtivo que um americano, com os meus de produção existentes nos EUA, de acordo. Agora, com os MESMOS meios de produção, já não me acredito. Se pegarem no americano e o puserem a trabalhar em africa ao lado dos africanos, ou no africano e o puserem a trabalhar nos EUA, diria que, em média, os indíces de productividade seriam muito semelhantes (aliás, a emigração portuguesa é um excelente exemplo de isso mesmo!).
O que se passa aqui – e não digo que seja ilegítimo – é que fica mais barato à companhia pagar menos por um meio de produção menos eficiente do que mais por um mais eficiente. Ou seja, em muitos casos a subida de eficiência resultante das melhorias das condições de produção não é compensada pela subida de custo dessa mesma eficiência. Quando esta verdade é aplicada a pessoas, as coisas podem-se tornar complicadas porque a parte moral da coisa entra em campo, ou seja, é moral (e isto apenas em termos MORAIS!) despedir 500 trabalhadores num sítio de forma a dar emprego a 500 noutro?
A resposta que se dá – e que, aliás, vem no artigo – é que ao deslocalizar a empresa, esta aumentará o seu lucro e portanto poderá, no futuro, dar emprego a mais pessoas, o que não aconteceria caso se mantivesse aonde estava. Este raciocínio – que poderá ser moralmente correcto – apresenta algumas barreiras:
– ao despedir 500 pessoas num lado e contratar 500 pessoas noutro, está a causar dano efectivo a umas mas poderá não estar a causar um benefício a outras, i.e., as 500 pessoas despedidas vão, efectivamente, sofrer um dano (pois perdem fonte de sustento), enquanto nada garante que as 500 pessoas empregues noutro sítio não arranjariam (ou já não possuiriam) uma forma de sustento semelhante. Somando os prejuízos e os benefícios corre-se o “risco” de o resultado ser negativo. Caso não se faça “nada”, o resultado é zero, visto que não há nem benefício nem prejuízo.
– se os lucros efectivamente resultarem na criação de mais postos de trabalho por aumento de produção, tudo bem. Agora, se esse aumento de lucros apenas resultar numa maior distribuição de dividendos (o que me parece legítimo) ou no aumento dos vencimentos dos gestores (o que já me suscita mais duvidas, devido às estruturas de governance normalmente existentes), para o trabalhador despedido sentir-se-á engando (mesmo que não o tenha sido)
– finalmente, ao nível de trabalho que se está a falar, não lhe interessa muito a solidariedade, interessa-lhes o posto de trabalho. Ou, noutras palavras, dar aos pobres é bonito quando não se fica pobre em consequência disso.