Feliz 2009!

Passo por aqui para desejar um Feliz Ano de 2009, fazendo minhas as palavras do João Miranda – de longe, o melhor blogger da tugolândia, ninguém escreve num registo mais adequado à blogosfera do que o JM -, num post que gostaria de ter escrito: «Algumas previsões para 2009».

HAPPY NEW YEAR, pessoal!

Racionamento no SNS

Na Venezuela, no Zimbábue e noutros paraísos socialistas onde os governos fixam os preços, os resultados costumam ser prateleiras vazias, filas intermináveis e “cunhas” para ter acesso privilegiado aos produtos. No SNS, além de também existirem filas (e consta que “cunhas”), adiam-se cirurgias.

Como escreveu o Hélder há uns tempos, «O Séc XX foi pródigo a demonstrar que qualquer serviço ou produto fornecido pelo Estado acaba racionado. Não há racionamento de produtos ou serviços fornecidos pela sociedade. Não há racionamento das batatas, da água engarrafada, das telecomunicações, dos automóveis ou dos pastéis de nata. O racionamento a que se assiste no Séc XXI é a herança inevitável que a social-democracia recebeu do socialismo.»

Change

“Dinasty” no WSJ

So to recap all of this change you can believe in: A Kennedy and Cuomo are competing to succeed a Clinton in New York; the skids are greased for a Biden to replace a Biden in Delaware; one Salazar might replace another in Colorado; and a Governor charged with political corruption in Illinois wants one of his cronies to succeed the President-elect. Let’s just say we’re looking forward to 2009.

Mais um

Foi um ano em constantes mudanças, um recordar que planear o futuro é uma ciência mais intuitiva que a simples leitura de padrões passados.
A continuação que o ínicio do ano apontava, logo se transformou em sinais de alarme para os fogos que, de forma invísivel, já estavam ateados. Muitos foram apanhados desprevenidos mas uns quantos há muito tinham identificado as condições incendiárias que um dia haveriam de atear os fogos. A era do crédito fácil, encorajado pelo populismo político ignorante (devidamente aconselhado pelos teóricos do direito social à repartição da riqueza), gerou um exército de gestores desejosos de ganhar na margem com os volumes crescentes que geriam. Agora é díficil explicar ao Povo que afinal não podem, não devem, viver da riqueza alheia, aquela que lhes é prometida pelo crédito facilitado pela abundância monetária (e respectivas taxas de juro) e pela subsidização da indolência e da irresponsabilidade pessoal promovida pelos impostos cobrados.

Pessoalmente, 2007 tinha sido um ano de viragem significativa. O ano de 2008 veio recordar-me que nada é garantido, que a permanência e o descanso sobre o “status quo” de um determinado dia é transitório. Para o mal mas sei que também para o bem. Resta-me continuar a fazer aquilo que sempre fiz: planear para os dias de chuva e esperar que afinal os dias de sol sejam em maioria.

Por falar em sol e chuva: a minha estrutura física e o meu sistema respiratório não se dão nada bem com o frio e o enregelamentos madrugadores a que uma vida proletária suburbana me obriga. Gostaria, pois, de lavrar o meu protesto contra os que andam por aí a prometer paraísos de aquecimento global quando 2008 foi prova de um esfriamento generalizado. Será que a geração que há 20/30 anos previa o cataclismo de uma nova idade do gelo estaria assim tão errada?

Termino com os meus votos para 2009. Pelos vistos vão ser 3. E nesta altura ainda não sei em quem nem no quê. Apenas admito fazer mais barulho que o habitual contra a cambada de mentirosos que para aí anda (e respectivos acólitos), adversários dissimulados da Liberdade e todos os que continuam a procurar para si e para a sua clientela as rendas que sabem poder extrair do controlo político gerado pelo voto democrático.

De resto, tentem sobreviver mais 365 dias, pensem por vocês, em vocês e nos que vos são queridos. E deixem os outros viver a vida na Liberdade que todos queremos para nós próprios.

Boas entradas para o restante Colectivo Insurgente e a todos os que por aqui vão passando. Eu espero continuar (mais…) por aqui.

Leituras

“Balanço de fim de ano” de Paulo Pinto Mascarenhas (Atlântico)

“Capitalism Is Worst System Except for the Rest” de Caroline Baum (Bloomberg)

“Fidel Castro’s Cuba: celebrating 50 years of progress, equality, poverty and murder” de Gerald Warner (Daily Telegraph)

“The sinister resurrection of Stalin” de Anne Applebaum (Daily Telegraph)

Walking turds

repolho

Precisávamos de mais liberdade, de muito mais crítica, de muito mais duro e persistente escrutínio, de muito mais rupturas, e estamos todos apaziguados com a nossa mediocridade.

Pacheco Pereira

Há uns bons vinte e cinco anos havia, à direita, os repolhos. Eram uns tipos que vestiam uns sobretudos verdes com uns machos nos ombros e costas a imitar o Freitas do Amaral e calçavam sapatos lotus ou com berloques. No IST, para onde quer que se olhasse, havia sempre pelo menos um repolho à vista. Imagino que na faculdade de Direito ainda houvesse mais.

Nos últimos anos, os jovens repolhos da direita transfiguraram-se em pós-boémios. Dizem que apreciam o design das lojas merdosas do Bairro Alto, o Hip-Hop racista dos negros da Cova da Moura, a libertação sexual interracial das adolescentes do Barreiro, a roupa do designer desde que este seja paneleiro, as compras na H&M ao euro o quilo, a “arte urbana” gravada a diamante nas montras da Benetton do Chiado, o Pinter, o Becker, o Beck e o Derrida, o Jugular e a puta que os pariu. Detestam tatuagens, não gostam do punk, do heavy metal e do Mozart, nem lêem o realismo mágico sul-americano. Não tenho paciência para estes gajos. Ao menos os repolhos sabiam ao que vinham e eram fiéis a alguma coisa nem que fosse aos sobretudos.

Adenda: esta era a direita dos repolhos. Os walking turds são os filhos.

Com o devido respeito

A blogosfera está cada vez pior. Ganhou todos os defeitos do jornalismo, quer os públicos, quer os de bastidores (que conseguem ser ainda piores que os públicos e hoje estão à vista nos blogues dos jornalistas) e nenhuma das qualidades. Está a tornar-se numa colecção de dichotes, pseudopiadas, ajuste de contas, e “bocas” que passam por ser opiniões. No geral é tudo muito mau, mesmo muito mau.


Pacheco Pereira

São poucas as pessoas a que me dirijo assim, com o devido respeito, porque são poucas as que o merecem. Não respeito qualquer um. No caso, o Pacheco Pereira (olha aí a familiariedade) ainda o vai merecendo. Desiludiu quase fatalmente quando permitiu que o Dr António Costa se exibisse com uma arrogância inenarrável, ofensiva mesmo, na Quadratura do Círculo, com o Classmate azul da Intel. Nitidamente mal sabia utilizar um touch-pad. Muito mau, mesmo muito mau e, tão cedo, não voltará a ter oportunidade igual de afirmar a propaganda, a vacuidade e a arrogância socialista, creio. E é bom que tenha essa atravessada. Quanto à blogosfera.

Há uns anos, julgo que em 2004, o Pacheco Pereira escreveu um post em que elogiava os jovens intelectuais liberais que despontavam na blogosfera. Inequivocamente para mim, referia-se ao André Azevedo Alves, ao Rodrigo Adão da Fonseca, ao João Miranda, ao André Abrantes do Amaral, ao Bruno Alves, ao Miguel Noronha e a mais uns quantos (os Pedros antes de virarem socialistas) que também eu lia muito antes do aparecimento d’O Insurgente. Eles não desapareceram, não morreram, não se tornaram gordos capitalistas neo-liberais ou acomodados às sinecuras partidárias. Continuam por aqui e não perderam qualidade, pelo contrário. Num dos blogues – perdoem mas não me lembro em qual – diz-se que o Pacheco Pereira é um amante da liberdade. Deve ser. Com a dificuldade natural dos amantes de não perceber, ou ser cego às implicações da paixão. Pela minha parte continuo à espera da prometida explicação sobre a conciliação do liberalismo com a social-democracia que ficou, há muito, para um dia destes. Espero sentado, no entanto.

Trapalhada low-tech

Como todas as outras acções mediáticas destinadas a massajar o hipotálamo dos eleitores, o plano Magalhães é um fiasco. Para os 500 mil ClassMate da Intel, baptizados de Magalhães para efeitos agit-prop, que o governo prometeu tornar disponíveis, só há 230 mil interessados. Destes 230 mil interessados só 35 mil já receberam o Magalhães. (DN)

Discute-se agora quem pagará o modem (€ 50 euros) e o acesso à internet (€ 250). Está-se no jogo do empurra entre as Direcções Regionais de Educação e as câmara municipais.

Tivéssemos uma imprensa independente e uma opinião pública informada, esclarecida e exigente (essa imprensa independente não existe porque não existe uma tal opinião pública) e toda esta operação de publicidade enganosa teria sido desmistificada.

No Impertinências.