
Confesso que me fazem um pouco de confusão as análises geopolíticas intantâneas que tenho ouvido a pretexto da crise internacional: que é o declínio da América, que a Europa vai para o caixote do lixo da História, que a Ásia é quem manda ou vai mandar, que isto e mais aquilo… Calma, meus amigos. Muita água vai ainda correr sob as pontes. Neste momento as economias exportadoras da Alemanha e do Japão já estão em recessão, enquanto a produção industrial chinesa cai a pique. Estes países estavam tão viciados no crédito americano quanto a economia americana. A queda do boom do crédito americano é a sua própria queda. Dir-me-ão que a força destas economias está na enorme poupança que acumularam. Pois sim, mas faltam-lhes as oportunidades de investimento. Eles poderão arranjá-las, mas para isso precisam de verdadeiras revoluções políticas e económicas: por exemplo, acabar com a corrupção japonesa, com a semi-servidão da China ou tornar a economia alemã mais flexível. O endividamento americano permitiu ir escondendo muita coisa. Agora todos terão de se safar. Só no final é que se fazem as contas: quem ganha e quem perde ainda está para se ver. Para além de que se pode ganhar numas coisas e perder noutras (como mostra a Europa nos últimos 60 anos). Convém sempre ouvir os sábios, como João Pinto: “prognósticos…”
A Europa tem a demografia, estatismo e a cultura e contra-cultura da elite(não há coisa que dê mais vontade de partir a TV do que ouvir os Eurodeputados na RTP) como fortes handicaps. Não estou a ver melhoras a não ser pela via dolorosa. A partir do momento em que a China, Índia se tornem mais atractivas para viver, os “cérebros” orientais que estão na Europa voltarão aos seus países.
Só por curiosidade, e que raio tem uma imagem alusiva ao NAO (Oscilação Atlântico Norte) a ver com o post ? 🙂