Liberalismo aplicado

Southampton is the latest British town to introduce a ‘shared space’ scheme that involves improving road safety by stripping streets of their markings and even pavements.

(…)

Shared space schemes work because they use basic psychology to slow traffic. Signs, barriers and segregation reduce individual responsibility whereas people take greater care feel when they feel slightly at risk. ‘Naked streets’ forces everyone to slow down and establish eye contact with other in order to establish other peoples’ intentions.

Recebido por e-mail, obrigado Susana. Destaques meus.

8 pensamentos sobre “Liberalismo aplicado

  1. Aranha

    Pois está claro!!! Não podia concordar mais com isso! Ainda no outro dia te dizia isso, quando te liguei de propósito para contar a minha experiência no semáforo de Paranhos, que passo a resumir: Semáforos ligados, uma fila que nunca mais acaba e 20 minutos à espera; semáforos desligados, nada de filas e a espera é nula.

    Quanto aos acidentes, temos que dar trabalho aos advogados e seguradoras. Toca a por o dinheirinho a rodar….

  2. Em Setembro, tive um acidente indirectamente causado por um sinal. As seguradoras nem se entendem sobre o que aquele sinal significa naquele sítio! Dá trabalho a explicar. Talvez um dia o faça no meu blogue.

    .

    Acho que foi o João Miranda que há uns tempos colocou no (antigo) Blasfémias um link para uma notícia acerca duma cidade em que resolveram abolir os sinais ou as regras de trânsito, resultando em menos acidentes. Alguém se lembra, alguém sabe onde foi isso?

  3. Luís Lavoura

    É curioso este conceito de as pessoas “sentirem um ligeiro risco”, quando obviamente esse risco é diferente para automobilistas, ciclistas e peões. É claro que quando um peão deseja atravessar uma rua que supostamente “partilha” com um automobilista, o automobilista não sente risco absolutamente nenhum, mas o peão sente um risco muito elevado.

    Também acho graça a esse conceito de estabelecer “contacto visual” com os outros. Parece que as pessoas num cruzamento são supostas olhar umas para as outras e cumprimentarem-se. Como se vivêssemos todos numa aldeia. Em vez de obedecermos a leis e regulamentos, passamos a andar a avaliar as intenções e boa fé dos outros.

  4. Michael Seufert

    É verdade Aranha, aquele cruzamento é um clássico 😀

    LPedro, também-me lembro, vou procurar.

    Luís, se acha que um automobilista não sente risco em atropelar um peão, então de facto não é capaz de compreender que estamos melhor a avaliar intenções e boa fé do que a confiar em leis e regulamentos.

  5. Luís Lavoura

    Michael,

    se um automobilista atropela um peão sobre uma passadeira (“zebra”) marcada no chão, não há dúvida de que o automobilista teve a culpa e deve ser condenado em tribunal.

    Se o automobilista atropela em peão numa dessas zonas sem marcações nem regulamentos, o automobilista pode sempre argumentar que a culpa foi do peão, o qual não fez o “contacto visual” necessário, ou não se apercebeu de que a intenção do automobilista era seguir em frente a qualquer custo.

    Eu atravesso muitas ruas em passadeiras, e costumo contactar visualmente os automobilistas antes de o fazer. E muitas vezes aquilo que vejo nos olhos deles é que eles pretendem passar-me à frente a todo o custo, não parar, obrigar-me a esperar para atravessar. Eu então atravesso, confiado em que o automobilista parará porque respeitará a passadeira. Se não houvesse pasadeira, eu não tenho a menor dúvida de que eles não parariam.

    Esta forma de regulamentar o tráfego pode funcionar na Inglaterra, na Holanda e na Alemanha, e noutros países civilizados que tais. Em Portugal, isto não funcionaria. O incivismo dos portugueses garante que, na ausência de leis, é a lei do mais forte que impera.

  6. Carlos Duarte

    Eu estou com o meu Código de Estrada algo ferrugente, mas o peão não tem sempre prioridade, a não ser que esteja a menos de 50 m de uma passadeira (nesse caso, TEM de atravessar na passadeira)?

    Pessoalmente, e porque é uma coisa que me irrita solenemente tanto como condutor como como peão, queria era ver a polícia a multar os 25 euros ao pessoal que atravessa FORA da passadeira a 3 metros desta!

  7. Luís Lavoura

    Carlos Duarte, desça ao mundo real.

    Imagine um peão a começar a atravessar uma rua fora da passadeira enquanto que um carro se dirige a ele. O condutor do automóvel sabe que o peão não tem o direito de atravessar assim à paiadão, e mantem a velocidade. O peão também sabe que não tem o direito de atravessar, e sabe que o condutor não irá travar. O peão, portanto, recua.

    Agora imagine que o mesmo se passa numa passadeira. A história passa-se de forma completamente diferente. Muitas vezes, ao princípio o condutor tenta armar-se em engraçado e manter a velocidade, para conseguir passar antes do peão. Mas o condutor sabe que não tem o direito de fazer aquilo. Se o peão não se deixar intimidar e continuar a avançar, o condutor trava.

    É esta a minha experiência prática, de centenas de passadeiras atravessadas em Lisboa. (É que eu todos os dias venho a pé para o trabalho.)

    O facto é que as passadeiras hoje em dia já têm algum respeito da parte dos condutores. Depois de décadas em que a regra era que o automóvel passava sempre primeiro, e peão que metesse o pé à frente era atropelado, hoje em dia já não é totalmente assim. Alguns condutores ainda se armam em engraçados e tentam passar à frente do peão, mas em geral param, quando vêem que o peão está mesmo decidido a atravessar e que está numa passadeira.

    Eliminar as passadeiras seria, no atual estádio de desenvolvimento cívico dos portugueses, voltar à Idade da Pedra. Os condutores passariam a supôr que isto voltava a ser como dantes – peão só atravessa quando não houver carro que queira passar. E os atropelamentos suceder-se-iam.

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