Bóbi, já não estamos em Xabregas

A Feiticeira Boa da Margem Norte conseguira finalmente soltar-se da sombra do Feiticeiro do Fundão – entretanto caído na desgraça da exposição pública da sua fraude -, conquistando finalmente as luzes da ribalta. A aposta nos munchkins certos e o sucesso conquistado com o seu aspirador mágico elevaram-na finalmente ao estrelato de Xabregas.

Na memória de todos está também a sua carreira de fada madrinha. Concretamente, e entre outras coisas, os conselhos e o apoio que nunca poupou ao seu darling afilhado, mesmo quando este teimava em portar-se mal e em se estatelar ao comprido nos bailados mais arriscados com os sapatinhos de rubi.

Mas a história teve um desenlace menos feliz. Subitamente, já não havia lugar para si na Munchkinlândia, e a outrora radiosa Feiticeira Boa parece empalidecer. Ultimamente, até a chegada da Bruxa Má do Leste – de má memória por Xabregas – veio agitar a cena.

Os conselhos e as atitudes de outrora viram-se subitamente transformados em juízos de que “ninguém deve ficar nas casas dos outros quando os outros se mostram incomodados com essa permanência” e de que “a dada altura, [se] a nossa presença está a incomodar essas pessoas, mesmo que não no-lo digam clara e frontalmente, a única coisa correcta é sair”.

Assim de repente, a atitude outrora elogiada de liberal-liberal-à-séria, é transformada em constatações de que “não é de boa educação, de bom tom nem decerto de boa fé, […] uma pessoa, digamos, um bloguer andar a escrever durante dias sobre aquilo que considera ‘um caso’, expondo a sua visão dos maus e dos bons, dos motivos e dos objectivos, empregando nisso toda a sua esforçada imaginação e deliberação conspirativa, para depois, assumindo o ‘chapéu’ de jornalista, fazer perguntas a uma das ‘partes’, mais precisamente a parte a que imputou todos os males do mundo, como se não se tivesse alistado explicitamente num dos lados do que representa como ‘uma guerra’ e lhe interessasse para alguma coisa saber de respostas que não tenha já dado”.

Tempos difíceis parecem avizinhar-se.

Consta até que as preocupações recentes com a irrigação sanguínea do cérebro não serão mais afinal que a assunção dos danos de uma aterosclerose galopante na memória.

Desta parte ficam os votos de que o tornado amaine, a circulação se restaure em pleno e de que a memória regresse.

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