Ruizov Tavarovski, hoje, no Pravda

O Rui Tavares escreve hoje na sua coluna no Pravda – depois de fazer uma crítica moral aos que defendem que aforrar é sempre melhor do que viver a crédito – que nas próximas eleições “vamos votar em quem nos disser onde gastar o pouco dinheiro que há”. Para acabar com um conjunto de interrogações: “TGV ou transportes públicos urbanos? Ensino Superior ou Ensino Básico?”

Eu, cá para mim, tenho uma outra solução: voto em quem defender que o pouco dinheiro que há deve ficar no bolso dos portugueses, para eles o gastarem como quiserem. Em vez dos mil e quintentos euros por português (num agregado de quatro pessoas, seis mil euros) serem gastos num novo aeroporto, voto em quem achar que a massa deve ficar com as famílias. Em vez dos cinco mil euros por português (vinte mil euros num agregado de quatro pessoas) dos TGV’s, voto em quem defender que o pilim fica melhor no bolso das famílias. Em vez dos dez mil euros do novo pacote de estradas (quarenta mil euros num agregado de quatro pessoas), voto em quem, para já, seja capaz de dizer basta a tanta estrada, e queira que o cacau continue no bolso das famílias. Este é que é o voto fixe.

Nota Final: O texto do Rui Tavares critica expressamente Manuela Ferreira Leite, e aponta o caminho para o voto em José Sócrates. O Pravda podia fazer uma coisa: colocar uma rosa ao lado da foto do Rui Tavares, ou quiçá, pintar um fundo “pink” nos seus textos.

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24 pensamentos sobre “Ruizov Tavarovski, hoje, no Pravda

  1. Em vez dos mil e quintentos euros por português (num agregado de quatro pessoas, seis mil euros) serem gastos num novo aeroporto, voto em quem achar que a massa deve ficar com as famílias. Em vez dos cinco mil euros por português (vinte mil euros num agregado de quatro pessoas) dos TGV’s, voto em quem defender que o pilim fica melhor no bolso das famílias.

    -Completamente de acordo, por isso o mais certo será não me incomodar com uma deslocação á mesa de voto nas legislativas.

  2. Luís Lavoura

    “Em vez dos mil e quintentos euros por português serem gastos num novo aeroporto, voto em quem achar que a massa deve ficar com as famílias”

    E, portanto, fica-se com o aeroporto por fazer.

    É claro que isto para o RAF não faz mal, uma vez que ele vive no Porto e, ainda recentemente, todos os portugueses gastaram bué de dinheiro para que o aeroporto do Porto, que o RAF utilize, fosse substancialmente melhorado.

    Mas eu pergunto: se esta proposta do RAF fosse válida para todos os anos, quem construiria os aeroportos?

  3. AS

    Se os votos em branco passarem a ser respeitados (em vez de ignorados, conforme acontece actualmente) e a eles corresponderem lugares não preenchidos na Assembleia da República, passará a existir uma alternativa válida à opção pela abstenção.

  4. Ficar em casa será o mesmo que votar PS. E a Manela não disse que é melhor adiar essas obras?

    -Tendo votado PSD mais ou menos 90% das eleições desde 1985, não encontro grande diferença entre votar PS ou PSD. (Excepto o pormenor da maioria absoluta)

  5. “Mas eu pergunto: se esta proposta do RAF fosse válida para todos os anos, quem construiria os aeroportos”

    Quem achasse que eles eram investimentos rentáveis.

  6. Luís Lavoura

    Miguel, eu até agora nunca vi um único aeroporto a ser construído “por quem ache que ele é um investimento rentável” sem a proteção de um qualquer Estado.

    Há, por vezes, aeroportos que são construídos com dinheiros privados – mas é sempre com um contrato qualquer de exclusividade e de proteção contra o risco por parte de um Estado.

    Eu penso que é desta mesma forma que o governo português pretende construir o aeroporto de Lisboa (ao contrário daquilo que aconteceu com os melhoramentos ao aeroporto do Porto, que, esses sim, foram pagos pelo dinheirinho dos impostos de nós todos, incluindo daqueles que, como eu, nunca lá puseram os pés): os privados constroem e gastam o dinheiro, e o governo português dá-lhes garantias.

  7. “Miguel, eu até agora nunca vi um único aeroporto a ser construído “por quem ache que ele é um investimento rentável” sem a proteção de um qualquer Estado.”

    Tente a Inglaterra.

    “Há, por vezes, aeroportos que são construídos com dinheiros privados – mas é sempre com um contrato qualquer de exclusividade e de proteção contra o risco por parte de um Estado.”

    Um monpólio privado por via adminsitrativa? È claro que isso ajunda à rentabilidade do investimento. Não só em aeroportos como em tudo o resto. Quer estender essa prática para o resto da Economia? Não? Então porquê fazê-lo especificamento para os aeroportos?

  8. -O previsivel aumento das dificuldades na concessão de crédito, os tempos de incerteza económica que se avizinham, apontam no sentido da diminuição do tráfego aéreo. As próprias companhias aéreas, entre as quais a TAP, têm anunciado a diminuição das rotas, e parcerias entre elas, sempre com o propósito de reduzir custos. Se isto não é suficiente para repensar, já nem digo mudar, mas repensar a necessidade de construir o NAL…
    -Mesmo os defensores do investimento público como forma de desenvolvimento económico, deveriam ponderar se o NAL será mesmo o projecto estruturante que o país carece.
    -Já o TGV não oferece qualquer dúvida, é um elefante branco, Lisboa-Porto com 4 paragens não permitirá atingir a alta velocidade, ou querem comparar a distância com Paris-Marselha ou Paris-Lyon?
    -A propósito, qual foi o retorno que o país já viu no esforço financeiro de modernização da Linha do Norte? No serviço Alfa-Pendular? Eu perguntei retorno para o país, não para a CP, nem para a Refer, Teixeira Duarte ou Mota Engil é claro!!!

  9. Eu, se fosse o Rui Tavares, tomaria cuidado, tal é a obsessão do RAF. Estas coisas costuma desembocar em tragédia….

    Ó Miguel,

    Esses aeroportos em Inglaterra devem ser minúsculos, de certeza que não estás a falar de Heathrow e cia. Os privados, qd se trata de grandes investimentos, tipo aeroportos ou centrais nucleares, precisam do Estado, nem que seja do seu guarda-chuva.
    Pergunto-me em que mundo tu viverás…

  10. Precisam, especialmente quando não são rentáveis sem que se elimine coervivamente a possibildiade de concorrência. Quem não gosta disso?

  11. Luís Lavoura

    “porquê fazê-lo especificamento para os aeroportos?”

    Porque nehum privado jamais faz tais investimentos sem proteção do Estado. Essa proteção pode revestir a forma da concessão de um monopólio (por exemplo, como se fez para construir a ponte Vasco da Gama em Lisboa – criou-se um monopólio para as travessias rodoviárias do Tejo na região de Lisboa), da proteção contra riscos (como se fez para a introdução do combóio na ponte 25 de Abril – o Estado aceitou compensar a Fertagus no caso de o número de passageiros não ser o esperado), etc.

    É claro que isto não se aplica a pequenos aeródromos, que desses há em Portugal a pontapés, dezenas deles, alguns deles até foram criados por Câmaras Municipais, outros por empresas privadas.

    Mas coisas como grandes portos, grandes aeroportos, auto-estradas, etc, os privados só lhes pegam se o Estado lhes puser a mão por baixo.

    Portanto, se seguirmos a filosofia aconselhada pelo RAF, ficaremos sempre como estamos agora: com um belo aeroporto, altamente funcional e moderno, no Porto, e com um aeroporto de trampa em Lisboa.

    Para o RAF isso certamente serve muito bem, e eu por mim também não me queixo. Mas é bom assumir-se que é isso que desejamos…

  12. Luís Lavoura

    “qual foi o retorno que o país já viu no esforço financeiro de modernização da Linha do Norte?”

    Quase todos os combóios intercidades fazem grande parte da viagem Porto-Lisboa com lotação esgotada. Atualmente, para se viajar em intercidades na Linha do Norte é altamente conveniente comprar bilhete com antecedência.

    Os passageiros certamente que estão a beneficiar algo da modernização da Linha do Norte.

  13. LT

    “Portanto, se seguirmos a filosofia aconselhada pelo RAF, ficaremos sempre como estamos agora: com um belo aeroporto, altamente funcional e moderno, no Porto, e com um aeroporto de trampa em Lisboa.

    Para o RAF isso certamente serve muito bem, e eu por mim também não me queixo. Mas é bom assumir-se que é isso que desejamos…”

    Eu nem acho que isso seja verdade (a parte do aeroporto de tramp), mas mesmo que fosse, apesar de viver em Lisboa não me importo nada… é que para além de não estar convencido que é fundamental um novo aeroporto, este tem a grande vantagem de não serem precisos (pelo menos) 30 minutos para lá chegar

  14. Caro Lavoura,

    Sou utilizador habitual do aeroporto de Lisboa, aí umas sessenta vezes por ano. Não vejo é que isso justifique que se desperdicem milhões de euros que ficavam muito bem no bolso de quem nunca anda nem nunca vai andar de avião. Um aeroporto devia ser pago pelos seus utilizadores e beneficiários.

    Mais, por mim o aeroporto até é o investimento mais aceitável (apenas porque é o mais baratito), face aos outros dois. O que eu quero é dinheirinho no bolso dos portugueses.

    Caro Luis Marvão,

    Não é obcessão, é que do Pravda eu em geral começo sempre pela última página, e duas vezes por semana encontro por lá o Rui Tavares, cujos textos são fonte de inspiração para qualquer um.

  15. “Porque nehum privado jamais faz tais investimentos sem proteção do Estado.”

    Se estivesse a façar em termos de protecção da propriedade (algo que parece em desuso nos dias de hoje) concodava mas estando a falar da concessão de monopólios a sua afirmação não corresponde à verdade.

    “por exemplo, como se fez para construir a ponte Vasco da Gama em Lisboa – criou-se um monopólio para as travessias rodoviárias do Tejo na região de Lisboa”

    Explique-me porque razão foi necessário atribuir o monopólio à Lusoponte. Porque razão não poderiam pertencer a empresas diferentes.

  16. c

    Ora , quem construia os aeroportos? deixa lá pensar..as companhias aéreas que precisam de embarcar e desembarcar passageiros e mercadorias? Eu tiva de pagar a minha garagem , não vejo porque com os aviões não pudesse ser assim. E acho muito bem as propostas do RAF. O dinheiro disponivel ia todinho prás familias e não um tanto para os empreireiros e outro para os promotores da obra .

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