O New Deal e a Grande Depressão

A “descoberta” não é propriamente nova mas, numa altura em que muitos clamam por uma reedição do New Deal, é importante que se preste atenção aos efeitos contraproducentes que as políticas intervencionistas tiveram no passado.

Two UCLA economists say they have figured out why the Great Depression dragged on for almost 15 years, and they blame a suspect previously thought to be beyond reproach: President Franklin D. Roosevelt.

After scrutinizing Roosevelt’s record for four years, Harold L. Cole and Lee E. Ohanian conclude in a new study that New Deal policies signed into law 71 years ago thwarted economic recovery for seven long years.

“Why the Great Depression lasted so long has always been a great mystery, and because we never really knew the reason, we have always worried whether we would have another 10- to 15-year economic slump,” said Ohanian, vice chair of UCLA’s Department of Economics. “We found that a relapse isn’t likely unless lawmakers gum up a recovery with ill-conceived stimulus policies.”(…)

Cole and Ohanian calculate that NIRA [National Industrial Recovery Act] and its aftermath account for 60 percent of the weak recovery. Without the policies, they contend that the Depression would have ended in 1936 instead of the year when they believe the slump actually ended: 1943.(…)

“The fact that the Depression dragged on for years convinced generations of economists and policy-makers that capitalism could not be trusted to recover from depressions and that significant government intervention was required to achieve good outcomes,” Cole said. “Ironically, our work shows that the recovery would have been very rapid had the government not intervened.”

23 pensamentos sobre “O New Deal e a Grande Depressão

  1. Luís Lavoura

    “Without the policies, they contend that the Depression would have ended in 1936”

    É uma parvoíce, deveras, dizer que se consegue adivinhar o que se teria passado se a História tivesse tido um rumo diferente.

    Todos os exercícios num tal sentido são, de forma evidente, bastante parvos.

  2. Acho que o Luís Lavoura acaba de destruir toda a possibilidade de se fazer análise económica.

    Espero que, de futuro, se abstenha de fazer propostas alternativas às políticas implementadas senão está a contradizer-se.

  3. CN

    Luis Lavoura

    Existem coisas simples com que acho que concordará:

    As falências bancárias fizeram a massa monetária contrair e isso faz descer os preços.

    Roosevelt achava que combater a descida dos preços era necessária assi:

    – impedia por decreto os preços de descer, medidas como destruir colheitas para impedir os preços de baixar
    – medidas fascistas: combatia a concorrência, cartelizou todas as industrias para impedir que a concorrência baixasse os preços (!!??)
    – proibia os salários de descer

    Existem N e N exemplos de irracionalidade dramática no New Deal.

    O que as populações sofrem nas mãos dos seus lideres políticos…deviam ser julgados como criminosos…

  4. CN

    http://www.mises.org/freemarket_detail.aspx?control=258

    In their understanding of the Depression, Roosevelt and his economic advisers had cause and effect reversed. They did not recognize that prices had fallen because of the Depression. They believed that the Depression prevailed because prices had fallen. The obvious remedy, then, was to raise prices, which they decided to do by creating artificial shortages. Hence arose a collection of crackpot policies designed to cure the Depression by cutting back on production. The scheme was so patently self-defeating that it’s hard to believe anyone seriously believed it would work.

    The goofiest application of the theory had to do with the price of gold. Starting with the bank holiday and proceeding through a massive gold-buying program, Roosevelt abandoned the gold standard, the bedrock restraint on inflation and government growth. He nationalized the monetary gold stock, forbade the private ownership of gold (except for jewelry, scientific or industrial uses, and foreign payments), and nullified all contractual promises–whether public or private, past or future–to pay in gold.

    Besides being theft, gold confiscation didn’t work. The price of gold was increased from $20.67 to $35.00 per ounce, a 69% increase, but the domestic price level increased only 7% between 1933 and 1934, and over rest of the decade it hardly increased at all. FDR’s devaluation provoked retaliation by other countries, further strangling international trade and throwing the world’s economies further into depression.

    Having hobbled the banking system and destroyed the gold standard, he turned next to agriculture. Working with the politically influential Farm Bureau and the Bernard Baruch gang, Roosevelt pushed through the Agricultural Adjustment Act of 1933. It provided for acreage and production controls, restrictive marketing agreements, and regulatory licensing of processors and dealers “to eliminate unfair practices and charges.” It authorized new lending, taxed processors of agricultural commodities, and rewarded farmers who cut back production.

  5. Isto é apenas um exercício de História Virtual…Mas, ao que parece, esta disciplina está agora na moda. Também há quem faça Historia mediante postulados do género, “na condição de “X”, então a revolução americana não tinha prevalecido; ou o comunismo ainda existiria.
    Coitado do F Rosevelt, tem deveras costas largas. Não teve o privilégio de poder recolher os ensinamentos dos insurgentes.

    P.S. Se ao menos Charles Lindbergh tivesse chegado à presidência, não teríamos tido a famosa Grande Depressão; acredito que seria, aos olhos dos insurgentes, um presidente bem mais aceitável.

  6. Este exercício não é nada comparável à chamada “história virtual”. Trata-se de estimar o impacto de determinadas medidas. Se achas que este exercício é pouco credível também não terás qualquer base para afirmar que determinada medida tomada no passado foi mais ou menos acertada.

  7. “Não teve o privilégio de poder recolher os ensinamentos dos insurgentes.”

    Bem nem precisava. Haverão outros que me escapam mas bastavam ler Mises e Hayek que na altura avisaram para o efeitos perniciosos do New Deal.

  8. CN

    Pessoalmente quanto mais conheço Charles Lindbergh mais gosto dele, ,,, e falando em hipóteses históricas… pouco referido (convenientemente) é que já o pai foi o Senador que liderou a oposição à entrada de Woodrow Wilson na WWI (o que talvez podia ter evitado quer a chegada ao poder quer do comunismo quer o nazismo na Europa… e com isso claro, a WWII). E claro Roosevelt foi o o principal responsável pela vitória total de Estaline na WWII. Pode ser que um dia se atire com Roosevelt para o caixote de lixo da História que é onde devia estar.

  9. “Pessoalmente quanto mais conheço Charles Lindbergh mais gosto dele…”

    Pois é…Vindo de si, não é muito surpreendente. Provavelmente, na sua “democracia de condóminos”, não há lugar para os semitas…

    Miguel,

    Isso pressupõe uma equivalência de contextos histórico-sociais. Só é operativo se admitirmos que a realidade é estática entre um momento e outro do tempo. Além disso, implicaria um controlo sobre todas as variáveis envolvidas, eu confesso que não acredito assim tanto na capacidade das ciências sociais produzirem desta forma teorias/postulados de alcance universal. Para mim, isto é uma profissão de fé, é assim a modos que as tão incensadas previsões do economistas.

  10. Não nos podemos esquecer que todas estas análises, que vão beber à História recente (neste caso, o New Deal e a Grande Depressão), têm com pano de fundo a crise financeira que assola o nosso mundo feito de acumulação e consumo.

  11. “Isso pressupõe uma equivalência de contextos histórico-sociais. Só é operativo se admitirmos que a realidade é estática entre um momento e outro do tempo. Além disso, implicaria um controlo sobre todas as variáveis envolvidas, eu confesso que não acredito assim tanto na capacidade das ciências sociais produzirem desta forma teorias/postulados de alcance universal. Para mim, isto é uma profissão de fé, é assim a modos que as tão incensadas previsões do economistas.”

    Bem, é o tipo de criticas que os Austricos fazem aos neoclassicos. De qualquer forma não se trata de fazer previsão mas de analisar o passado usando metodos econometricos. Talvez o maior problema seja a obtenção de dados fiáveis e relevantes. E claro, convém teres uma teoria que te permita analisar os dados.

    Mas se acreditas que não é possível fazer este tipo de analise sobre o passado, repito, como é que podes afirmar se determinada medida teve ou não efeitos perversos? As causa da crise financeira devem ser encontradas na falta de regulação ou no excesso de intervenção? Parece-me que a tua única hipótese é mesmo uma seguir a fé.

  12. “Não nos podemos esquecer que todas estas análises, que vão beber à História recente (neste caso, o New Deal e a Grande Depressão), têm com pano de fundo a crise financeira que assola o nosso mundo feito de acumulação e consumo.”

    E?

  13. “E?”

    É evidente que não é uma análise desprovida de preconceito ideológico, dado que visa provar que a intervenção, a que agora se entregam os estados, pode conduzir-nos a uma recessão prolongada (fazendo eco da tese, mt longe de reunir consenso entre a comunidade dos académicos/cientistas, de que as políticas intervencionistas de F.R. prolongaram ou aprofundaram a Crise). Partem para análise da realidade com ideias feitas, e vão dela colher apenas os elementos que reforçam a premissa de partida, ignorando tudo o resto. Ora, isto não é bem ciência.
    Não que análises de carácter retrospectivo não tenham interesse, apenas duvido de tal alcance universal. A História permite-nos o conhecimento das práticas e crenças dos que nos precederam, mas essa coisa dos ensinamento para o nosso presente não é assim tão linear. É que os contextos são diferentes, ou os “quadros mentais” (confesso que não gosto desta última expressão).

  14. Luís Lavoura

    Seria interessante discutir também, já agora, como se teria desenvolvido a Grande Depressão na Alemanha caso o intervencionista Adolf Hitler não tivesse chegado ao poder. (O que é, concedo, um exercício muito difícil de história virtual.)

    É que, se é verdade que nos EUA a Grande Depressão só foi verdadeiramente vencida muitos anos depois de Roosevelt ter iniciado o New Deal – mais especificamente, só foi vencida com a entrada dos EUA na Grande Guerra – também é verdade que na Alemanha as políticas de Hitler tiveram um efeito imediato em acabar com a Depressão.

  15. “É evidente que não é uma análise desprovida de preconceito ideológico”

    Não conheço os autores mas a UCLA não é propriamente um feudo de libertários.

    “Partem para análise da realidade com ideias feitas, e vão dela colher apenas os elementos que reforçam a premissa de partida, ignorando tudo o resto”

    Não sei como chegaste a essa conclusão. A não ser é claro, que o preconceito ideológico te faça rejeitar à priori tudo o que choca com as tuas crenças.

  16. CN

    “Seria interessante discutir também, já agora, como se teria desenvolvido a Grande Depressão na Alemanha caso o intervencionista Adolf Hitler não tivesse chegado ao poder”

    Parece que o caso Alemão foi onde a crise durante muito menos porque comparativamente a alemanha interviu muito menos que Roosevelt, tendo deixado a deflação da moeda e preços seguir o seu curso com falências bancárias e pessoais em massa, renegociação dos valores nominais dos créditos, descida de preços, etc (como tinham tido a experiência da hiper-inflação deixaram de lado as soluções costumeiras como inflacionar para salvar os bancos s créditos). No final de 33 início já tinha passado. Hitler só um pouco mais tarde (35) é que começou a intervir fortemente no sentido de uma economia de guerra .

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