Ideologias da nova esquerda: “Antes no bolso do lóbi da construção do que no dos portugueses”

O RAF não quer “dinheirinho no bolso dos portugueses”: o RAF quer que o dinheiro fique no bolso dos portugueses que já o têm. É uma grande diferença. É uma grande diferença para quem tem muito dinheiro, e teria ainda mais se não pagasse impostos (como é o caso do RAF). E é uma grande diferença para quem não tem dinheiro nenhum e, graças aos impostos que o RAF e os libertários pagam, tem acesso a um mínimo de protecção social. Já para as classes médias e trabalhadores por contra de outrem que acreditem na redistribuição de riqueza, por muitos Jorges Coelhos e Varas que haja, o “dinheirinho” fica sempre melhor no Estado que nos bolsos de um libertário.

O Filipe Moura escreve no domínio da crença, e não dos factos. E o que dizem os factos? Continue a ler “Ideologias da nova esquerda: “Antes no bolso do lóbi da construção do que no dos portugueses””

Ainda a Rússia

“Crisis-hit Russia must scale down its ambition” de Robert Skidelsky

The official view is that Russia is an outstandingly successful economy temporarily derailed by a financial shock of foreign origin. Its annual economic growth in real terms averaged 7 per cent in the years during which Vladimir Putin was president (2000-08), annual real wages rose by almost 15 per cent, the federal budget was continually in surplus. Mr Putin, now prime minister, was quick to blame America for the downturn. Before the crisis hit home Dmitry Medvedev, Russia’s president, boasted in June that Russia was not part of the problem but part of the solution. Its cash-rich companies would invest abroad, Moscow would become a world financial centre, the rouble would become a reserve currency and so on.

All this turned out to be fantasy. The Russian stock market has lost 70 per cent of its value this year. The commodity prices that spearheaded its boom are now falling. The easy credit money from the west that fuelled it has now fled. Russia has failed to diversify its economy and its politics have long made investors nervous. A confrontation with reality is long overdue.(…) Continue a ler “Ainda a Rússia”

Notícias de uma economia desregulada

Diário Económico

O coeficiente de actualização das rendas a aplicar a partir de Janeiro de 2009 foi fixado em 1,028, segundo um decreto-lei hoje publicado hoje em Diário da República.

De acordo com a portaria, para os edifícios em que a última renda foi fixada antes de 1967, o coeficiente passa a ser de 1,042 nos municípios de Lisboa e do Porto, e de 1,028 para os restantes municípios.

Para os edifícios em que a última renda foi fixada em 1967, o coeficiente passa a ser de 1,0285 em Lisboa e no Porto e de 1,028 nos restantes municípios do país.

Nos edifícios em que as rendas foram fixadas de 1968 a 1979, o coeficiente será de 1,028 em todo o país.

Don’t Just Do Something. Stand There

“Don’t Just Do Something. Stand There” de Russel Roberts

Today, President George W. Bush plays the role of Hoover, the so-called free market ideologue who is trying anything to avert disaster. He signs a $700 billion bill putting Treasury in charge of buying troubled assets. A week later, the money is used to partially nationalize the banks. Some companies, like Bear Stearns, are bailed out. Others, like Lehman Brothers, are not. Some companies are sold. Some are allowed to fail. There is no plan, no rules, nothing to count on. Continue a ler “Don’t Just Do Something. Stand There”

Descentralização e impostos

No Jornal das Freguesias:

Vão manter-se em 2009 as reduções nas taxas cobradas pela Câmara Municipal de Odemira no Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e na Derrama e a participação autárquica no Rendimento das Pessoas Singulares (IRS), introduzidas este ano e que representaram para a autarquia uma quebra de receita na ordem dos 500 mil euros.

Resta saber se tal medida vai ser implementada à custa de maior défice…

Adenda! Jornal de Notícias:

Em 2009 há desagravamento de impostos em Cinfães. A Câmara decidiu voltar a reduzi-los, tal como já tinha feito em 2008.

Correio da Manhã:

As câmaras de Portimão e Vila do Bispo vão seguir o exemplo de Alcoutim e Castro Marim, abdicando da totalidade dos cinco por cento do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) a que têm direito. As duas autarquias irão ainda adoptar outras medidas de alívio da carga fiscal. Portimão prevê uma perda de receitas de sete milhões de euros e Vila do Bispo de 200 mil euros.

Fica a pergunta: qual seria a variação na carga fiscal do contribuinte médio se as câmaras municipais pudessem realmente competir entre si?

O desemprego criado pelo salário mínimo (4)

Daniel Azeitona, director financeiro da Arrastadeira, empresa que produz blocos noticiosos para um reduzido segmento de mercado, está perante um dilema: cada seu trabalhador cria, por mês, 550 euros de eventos mas – tendo em conta o mês de férias e o pagamento de 14 salários – a produção “mensal” destes ascende a apenas 432,14 euros. Devido a potenciais melhorias nos processos de trabalho, Daniel Azeitona espera que, em 2009, a produtividade de cada colaborador aumente 3,5% (447,26 euros/”mês”). Infelizmente o actual Governo planeia aumentar o Salário Mínimo Nacional para 450 euros…

Obama presidente do mundo?

The Economist desta semana declara seu apoio ao candidato do partido Democrata Barack Obama:

The Economist does not have a vote, but if it did, it would cast it for Mr Obama. We do so wholeheartedly: the Democratic candidate has clearly shown that he offers the better chance of restoring America’s self-confidence. But we acknowledge it is a gamble. Given Mr Obama’s inexperience, the lack of clarity about some of his beliefs and the prospect of a stridently Democratic Congress, voting for him is a risk. Yet it is one America should take, given the steep road ahead.

Ao mesmo tempo em que justifica sua tomada de posição com a crença de que Obama mostrou de forma mais clara ser a melhor alternativa para restaurar a autoconfiança dos Estados Unidos, afirma que votar nele é não só uma aposta, mas um risco.

Contra McCain, a desconfiança com o fato de o candidato à presidência contrariar os atos como senador na questão dos impostos, religião, subsídios para biocombustíves e crise financeira.

A escolha da The Economist não surpreende quem a acompanha semanalmente. A surpresa é a fragilidade dos argumentos contra McCain e a favor de Obama (havia críticas mais profundas a se fazer contra ambos os candidatos). Na semana passada, The Economist publicou uma matéria mostrando o crescimento dos Obamacon, conservadores, neoconservadores e gente ligada ao Partido Republicano, como Colin Powell, que declararam apoio ao candidato democrata.

Um desses casos mais emblemáticos é o de Francis Fukuyama, que de ideólogo do movimento neoconservador e acusado de anabolizar intelectualmente o staff do governo George W. Bush, deu uma guinada radical. Depois de lançar o livro America at the crossroads, praticamente uma declaração de independência (ou carta de alforria), declarou apoio a Obama nas páginas da edição de novembro daThe American Conservative sob o argumento de que “é difícil imaginar uma presidência mais desastrosa.

Num artigo para o Washington Post, jornal que sempre apóia o Partido Democrata e já havia declarado suporte a Obama, Robert Kagan satiriza o apoio de Fukuyama e do jornalista e editor da Newsweek Fareed Zakaria. Kagan cita a diferença entre o discurso adequadamente otimista sobre o futuro da América mantido por Obama durante a campanha, razão pela qual ele vai bem nas sondagens, e as análises de seus dois apoiadores. “Se ele fosse como Zakaria e Fukuyama diz que ele é, já seria carta fora do baralho”.

Num texto curto para The American Conservative, Llewellyn H. Rockwell Jr. esboça a tragédia representada pelos dois candidatos e defende a liberdade de não votar. Num fecho ao melhor estilo publicista, afirma: “This year especially there is no lesser of two evils. There is socialism or fascism. The true American spirit should guide every voter to have no part of either”.

Na eleição virtual realizada no site da The Economist Obama já está eleito presidente do mundo. Vence em quase todos os países, com exceção de Argélia (McCain 53% x Obama 47%), República Democrática do Congo (McCain 54% x Obama 46%), Myanmar (McCain 53% x Obama 47%), Sudão (McCain 55% x Obama 45%) e Iraque (McCain 59% x Obama 41%).

Há casos interessantes como os de Camboja e Camarões, onde Obama vence com 100% dos votos. E Cuba, onde cada candidato obteve 50% dos votos.

No Brasil, Obama vence com 83% dos votos contra 17% de McCain. Em Portugal, Obama obteve 85% dos votos contra 15%. Somos ou não somos países irmãos?

No final das contas, tenho por Obama uma percepção muito parecida com a que tinha com Lula, presidente do Brasil: o risco de eleger um Messias é ele assumir o governo com a certeza de que o apoio interno e internacional legitima qualquer tipo de ato e decisão. Entregar um cheque em branco para chefe de governo é abrir caminho para as tentações totalitárias que o acometem, em maior ou menor grau, após a conquista do poder.

Tempo

Há muito que esta questão do acto de entrega do IVA tem vindo a ser discutido pelo Tiago Caiado Guerreiro. Assim de repente lembro-me de um artigo de cerca 2003 no DE que, tenho pena, não guardei e não consigo encontrar. Fica aqui este já com alguns meses, que explica alguma coisa muito melhor do que eu seria capaz. No site pode aceder-se ao arquivo dos textos do TCG, coisa que aconselho nomeadamente ao Manuel Carvalho que parece que é director adjunto de um jornal de “referência”.

IVA: factura ou justiça?

O sistema fiscal português, em particular o sistema de IVA, obriga as empresas a entregar o IVA ao Estado após a venda de um bem ou a prestação de um serviço, isto é, com a emissão da factura, ainda que o preço não lhes tenha sido pago.

As pequenas e médias empresas (PME) são as mais afectadas por este imperativo legal, agravado pelo facto de Portugal ser um país de maus pagadores (o tempo médio de pagamento das facturas emitidas é de 183 dias). Continue a ler “Tempo”