O Insurgente

Humanismo Caviar (II)

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Hoje, no Público, o Rui Tavares, na linha do “humanismo caviar“, vem cantarolar que ele é que se preocupa com “as pessoas”. Por contraposição a uma “gente capaz de viver na Idade Média” e defender que “a peste negra era uma coisa óptima”.

Esta vertente “humanista” do Rui Tavares e as suas erradas convicções sobre a natureza de quem defende ideias diferentes das suas não me surpreende. O que espantou foi descobrir que, das duas uma: ou o Rui Tavares investiu em produtos da Lehman, da Merryl Linch ou da Goldman, ou está colectado nos EUA, pois só assim pode afirmar, na primeira pessoa do plural:

“Enganados de novo. Andámos todos estes anos a aturar os consultores da Merryl Linch, os gestores da Lehman Brothers, os génios financeiros da Goldman Sachs – para vermos, numa só semana, que nem da casa deles sabem cuidar”.

Rui Tavares veste, também, a fatiota medieval do cavaleiro do Apocalipse, desenhando o seu raciocínio num panorama de despedimentos em massa, perdas de casa, seguros de saúde e pensões de reforma, que não tem aderência em nenhum cenário real. A situação é de crise, mas o catastrofismo em que labora  o Rui Tavares é patético.

Espanta-me, mais uma vez, ler tudo isto num jornal supostamente moderado, no Público. Depois, senhores da SONAE, que deixam que o seu dinheiro dê voz a radicais, não se queixem, nos momentos da verdade, que o país está enviesado, entregue à extrema esquerda, e que encontram resistência na mentalidade dos portugueses para promover a mudança.

PS: Aos crentes que acham que as recentes dificuldades nos EUA provam que a Segurança Social é melhor gerida no “público” que “pelos privados”, recomendo um exercício: apliquem as (exigentes) regras de supervisão e solvência à Segurança Social, e depois digam-me se ainda são capazes de saltar de alegria. É que a Lehman e a AIG, num contexto normativo e regulatório semelhante ao que se aplica à nossa Segurança Social, no actual momento, estariam a respirar saúde.

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