Eu a pensar que era católico, afinal descobri que sou envangélico

Porque só uma paciência evangélica atura isto. Um leitor sem poder nenhum na vida protesta num blogue contra um texto, e é logo promovido a Torquemada? Caro Galamba, read my lips: eu acho óptimo que o Rui Tavares escreva imensas coisas fabulosas, mas enquanto leitor do Público a pagantes reservo-me ao direito de protestar quando leio na última página um texto que considero miserável. Obviamente, no fim deste meu singelo protesto o que vai acontecer é que o Rui Tavares vai continuar a escrever no Público, e eu provavelmente, um dia destes, farto-me e deixo de comprar o jornal. Nessa altura, vou fazer com mais frequência aquilo que já faço hoje: passo a comprar o ABC, o El Mundo, e a folhear o El Pais, jornais que vendem dez vezes mais que qualquer jornal português e que têm – pasma, Galamba! – linhas editoriais clarasClaro que em Espanha impera uma democracia muito menos qualificada do que a nossa, apesar de ser venderem, proporcional e em termos absolutos, muito mais jornais.

Quanto ao resto dos teus comentários, incluindo este post, não vou responder. Vou passar ao lado, e esquecer que escreveste algo de gosto tão duvidoso (para não dizer outra coisa).

10 pensamentos sobre “Eu a pensar que era católico, afinal descobri que sou envangélico

  1. RAF,

    Há uma diferenças entre linhas editoriais claras e barricada ideológica. Eu posso não concordar com o daily telegraph ou a spectator, mas não os acho desonestos nem ilegíveis. o meu problema é quando ‘linhas editoriais claras’ se tornam numa apologia da mentira e distorção ideológicas, como se tende a ver cada vez mais nos EUA. Isso é que me preocupa.

  2. Rodrigo, você continua a virar o bico ao prego. O seu problema, aqui há pouco, não era exactamente a minha crónica ser miserável. Era o Público, um “jornal moderado”, “dar voz a radicais” como eu. E instar a SONAE a não me “dar voz” com o seu dinheiro, pois isso não ia bem com os interesses da própria SONAE. Eu já lhe disse que tudo isso é legítimo. Você continua a fingir que não disse uma coisa que disse. Primeiro quis fingir que o seu texto, que era sobre mim como toda a gente interpretou, não era sobre mim. Agora quer fingir que a sua linha de raciocínio não era aquela que limpidamente escreveu no primeiro post (e que ninguém obrigou a escrever).

    De facto, não lhe fica bem sugerir que a SONAE me devesse despedir porque eu sou um radical que vai contra os interesses capitalistas da empresa. Principalmente porque eu acho exactamente o contrário: interessa-me mais salvar o capitalismo do que vê-lo dirigir-se para o abismo à conta do purismo ideológico — como o seu, nesse sentido, você é muito mais radical do que eu. Mas, não lhe ficando bem (na minha opinião) tampouco é ilegítimo. Assuma-se homem.

  3. Ainda bem que alguém chama a atenção dos grupos emprsariais com ligação aos media que estão a “dar voz a radicais”, aos quais eu chamaria outras coisas diferentes de radicais, quanto mais não seja porque um radical normalmente actua por conta própria…
    Não é nenhuma violação nem apelo à censura chamar a atenção de um grupo empresarial com responsabilidades nacionais nem lamentarmo-nos da linguagem e ideologia monocórdica que predomina nos media nacionais. Antes pelo contrário, é um desabafo muito compreensível num País de fretes.
    Por isso, não admira que o Sr. Tavares se tenha doído e tenha de imadiato reagido, pois tocaram-lhe na parte sensível, ou seja na ferida. A culpa não é dele, mas sim de um regime que nunca lhe explicou que ele não é intocável, e que os leitores se fartam da falta de alternativas.

  4. Pingback: Esta gente ladra mesmo grosso, chiça! « O Insurgente

  5. “A culpa não é dele, mas sim de um regime que nunca lhe explicou que ele não é intocável, e que os leitores se fartam da falta de alternativas.”

    Uma market failure, portanto?

  6. Regulação, sim! Eu só não percebi ainda como é que se regulam os mercados, talvez as novas pitonisas me saibam explicar como é que isso ocorre.

  7. “interessa-me mais salvar o capitalismo do que vê-lo dirigir-se para o abismo à conta do purismo ideológico”

    Pois é. Esses “puristas ideológicos” que há anos criticam as polítcas dos “salvadores do capitalismo” que criaram esta bela confusão. Mas pronto. Agora a culpa é dos “puristas” e os “salvadores” vão tentar salvar o capitalismo dos problemas que eles própiros criaram.

  8. “Uma market failure, portanto?”

    Seria mais do que isso se o “market” existisse nesta choldra. Mas nesse caso, ele estaria reduzido à sua insignificância e creio que ninguém perderia tempo com ele.

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