Esta gente ladra mesmo grosso, chiça!

Hoje, depois de ler o Público ao almoço, escrevinhei um post onde critico, quer a abordagem do texto do Rui Tavares, quer o facto da SONAE patrocinar a agenda de uma esquerda radical, o que me parece um contrasenso (esta ideia nem sequer é especialmente inovadora, eu sou, como dizem por aí, um dogmático, na verdade, o pai da tese, se a memória não me falha, é o Friedman). Noto que são frequentes as minhas referências a esta questão, ainda recentemente fi-lo aqui, tendo vários posts, no Insurgente e no Blasfémias, sobre o tema. 

Eu, raf, leitor a pagantes do Público, fiz uma crítica ao conteúdo da coluna do Rui Tavares, e extrapolei para um problema que considero crítico, e que já havia escrito, aqui:

Portugal dificilmente vai deixar de ser um país anémico, enquanto nos jornais moderados e, pasme-se, nos económicos, houver espaço para quem detesta as regras mais básicas do funcionamento dos mercados, e clama por aquilo que o mata.

O post, nessa parte – repito – como tive já ocasião de esclarecer nos comentários, sobretudo aqui, e também aqui, não era dirigido ao Rui Tavares. Como este, como resulta também dos comentários, não é dirigido ao Baptista Bastos. O “parágrafo da polémica” tinha link para o outro post. Na apresentação da ideia, fiz questão de me focar no conteúdo do texto – digo claramente “ler isto tudo num jornal supostamente moderado”, e não “ler o Rui Tavares num jornal supostamente moderado”- remetendo para o objecto e não para a pessoa. O Rui Tavares não só não aceitou esta minha explicação, como manifestamente perde o norte nos comentários (aqui e aqui), entrando numa espiral que tenho dificuldade em classificar (nisso o João Galamba tem muito mais jeito do que eu): um leitor sem importância lê o jornal, comenta que não gostou, que lhe desagrada ver a SONAE a patrocinar uma agenda daquelas, e acaba a ser entalado pelo próprio jornalista, que me exige nuns termos assim um bocado para o estranhos – “Assuma-se homem”, depois de dezenas de considerações e juízos de carácter – que peça o seu despedimento!.

Agradeço ao Rui Tavares a oportunidade que me dá de reforçar a minha carteira com o dinheiro do jornal, e de confirmar até à saciedade aquilo que eu já pensava antes. Pensando bem, o Público é um jornal demasiado caro para, como leitor, acabar a ser policiado nas minhas queixas e lamentações pelo próprio jornalista/colunista e pela sua brigada do algodão. Lixo por lixo, prefiro investir em acções.

19 pensamentos sobre “Esta gente ladra mesmo grosso, chiça!

  1. O RAF tem todo o direito de querer menos pluralismo nos jornais que lê, como eu tenho todo o direito de achar que aqui o extremista é você e o moderado eu — eu desejo que uma teoria se comprove pelos seus resultados, como é clássico, e acho que é preciso salvar o capitalismo antes que ele colapse, portanto estou em linha com aquilo que os presidente da Reserva Federal americana e do Tesouro disseram ao Congresso há poucos dias. Veja lá que nem me refiro ao facto (bem lembrado pelo Daniel) que você sugere que o proprietário do jornal (e não o director) me despeça por causa dos seus interesses (e não por motivos editoriais). Eu até deixo passar isso em branco. Você não gosta de me ler, é legítimo.

    Não deveria é querer obscurecer, mistificar e distorcer aquilo que você mesmo escreveu. Esta última é de bradar aos céus: claro que o “isto tudo” se referia à minha crónica e não à “minha pessoa”. Faço-lhe a justiça de concordar que você não quer que o Público me despeça por causa das camisas que eu visto ou daquilo que como ao almoço. Você quer que o Público me despeça porque não concorda com as minhas ideias e acha que elas vão contra a interpretação que você faz dos interesses da SONAE. (Na verdade, creio que se poderia defender que se a SONAE me mantém é porque isso está de acordo com os seus interesses. Também seria capaz de apostar que na questão da crise financeira eu estou mais próximo do Eng. Belmiro de Azevedo do que ele está de você, mas enfim, isso é pouco relevante.)

    Em suma: ou você mantém o que disse, o que eu acho muito bem, ou retira. Entretanto, já vai no terceiro post a dizer que não disse o que disse. Isso sim é ilegítimo numa discussão séria.

  2. Mas ó esquerdalhitos, os constituintes desse vosso grémio não vão para casa, para os seus, viver a vida e honrar aqueles que vos querem bem? É que já mete dó.

  3. O Luciano é que tem razão. Esta crise tem, pelo menos, o mérito de por a extrema-esquerda a louvar a administração Bush. E a querer “salvar o capitalismo” acrescento eu!

  4. Miguel, eu não sei se o FED e o Tesouro estão certos (até desconfio que não estejam, pelo menos no pacote, embora concorde com o diagnóstico). Sei é que não são propriamente radicais. A questão era essa. De resto, você tem razão: até eu sinto vergonha por andar aqui a querer que o capitalismo se salve — embora nunca tenha sido anticapitalista — mas ao menos sempre fazia a vontade ao RAF.

  5. “Sei é que não são propriamente radicais”

    Fantástico!! Mas a questão não é saber se são ou não radicais. Isso até interessa muito pouco. A questão é saber se estão certos ou errados. Não me interessa nada estar do lado dos “moderados” que fazem diagnósticos e propõe soluções que só vão agravar o problema de base.

  6. joão tomás

    não entendo porquê categorizar o rui tavares de extrema esquerda se as medidas que ele defendeu são as mesmas que são defendidas por bush, mccain, o fed, e provavelmente toda a wall street. Alías ultimamente toda a gente que discorda do raf leva com o autocolante de esquerdalho extremista o que só revela uma espécie de alergia pavloviana à heterogeneidade. A verdadeira esquerda radical – e é aqui que os extremos se tocam – desejava o colapso financeiro dos eua, pois só da falência real do próprio modelo se poderia dar uma verdadeira transformação. Estas medidas não são mais que paliativos destinados à perpétuação do sistema tal como ele está!

  7. “Alías ultimamente toda a gente que discorda do raf leva com o autocolante de esquerdalho extremista o que só revela uma espécie de alergia pavloviana à heterogeneidade”

    Julgo que isso não corresponde à verdade. E, como variadissimos posts e comentários vieram recentemente relembrar, não existem apenas socialistas à esquerda.

  8. lucklucky

    Como lamentei nas últimas eleições da Extrema Direita até á Extrema Esquerda são todos socialistas…

    Eu só não percebo é como é que a esquerda consegue passar por baixo da Fannie Mae(uma expécie de GALP/CGD com golden share dos empréstimos hipotecários e entregue aos Democratas) e do intervencionismo do FED nas taxas de Juro sem se molhar, será isto ultraliberalismo? Talvez por a América Ultra-Liberal ser tantas vezes repetida…

  9. Eu já sei que eu sou o extremista e o Rui Tavares é o moderado (suspiro), mas não percebo essa fixação por querer que eu diga que pretendo que o Público o despeça (novo suspiro). Eu escrevi que não gostei do conteúdo da sua crónica, e que me espanta ver a SONAE – na linha de críticas minhas anteriores a outros órgãos que eu considero moderados – a promover agendas que não defendem o mercado e os seus pressupostos essenciais.

    O Rui Tavares não larga o osso a pedir-me que eu diga que eu quero que o Público o despeça (suspiro! suspiro! suspiro!). Caro Rui, embora eu seja o extremista e o Rui o moderado, eu o ultraliberal e o Rui – como escreve lá em cima no comentário 3, o defensor do capitalismo que o quer salvar, de mão dada com a administração Bush, de dogmáticos como eu – não me passa pela cabeça pedir (e quem sou eu para o fazer), só por causa de uma crónica – ou várias – assim para o extremista de esquerda, que o Rui seja despedido. Eu sou dos que acha que o despedimento tem consequências muito negativas, e que só deve acontecer em circunstâncias muito especiais, havendo inúmeras outras alternativas ao dispor do empregador e do trabalhador, numa relação saudável: escrever no P2 sobre literatura, música, servir cafés à Direcção, tirar fotocópias, cobrir os jogos “paralímpicos”, com a imaginação que revela na construção de cenários dramáticos, quem sabe, colaborar no marketing, há tanta coisa que o Rui pode fazer que não me passou pela cabeça um despedimento.

    Ponha na sua cabecinha: eu abri o Público durante o almoço, a sua crónica deu-me azia, e dei por mim a ver a moedinha do jornal a voar e a rir-se na minha cara; entretanto lembrei-me de um desabafo daí de umas esferas da SONAE que se lamentavam do país em que vivemos. Na altura disse-lhe o mesmo que hoje escrevi. O Rui limitou-se a dar-me um motivo para escrever sobre o que eu tinha antecipado.

    Agora, largue lá o osso do despedimento, que fixação, o Rui Tavares parece aqueles tipos lá da América e dos filmes “amaricanos” onde por tudo e por nada o people diz, sem mais: “You are fired!”.

  10. Nuno

    Existe a esquerda e a direita e depois existe o bom senso e aqueles que não são militantes de nenhum partido em particular e que decidem eleições…

  11. Nuno

    E…a sociedade não se rege por esta dualidade liberal-conservador em que os mais diversas conceitos económicos, sociais e até morais são colados para fabricar dois tipos de pessoas que só existem em alter-egos da blogosfera. É verdadeiramente possível traçar um perfil ideológico detalhado para um indivíduo que nos seja estranho e se designe a si mesmo como liberal ou conservador, ficando assim a sua postura automatica e completamente definida?

    Para muitos os partidos ou alas políticas têm um significado que é próximo do apoio ao clube de futebol da terra- apoia-se sempre independentemente da equipa- e os programas políticos, passam para os apoiantes desse modo acrítico.

    Esta polaridade que se vê nos comentários parece algo importado que não vejo a existir com essa intensidade em Portugal. Os EUA é que vivem esta divisão profunda,a própria designação do binómio liberal\conservative parece ter aí a sua origem.

    Um exemplo é a questão do chamado “Nanny State” que é utilizado em discussões completamente díspares acerca das intervenções decisivas e directas do Estado: a esquerda reclama que a mulher tem controlo sobre o seu útero, não o Estado, mas por outro lado frequentemente defende nacionalizações agressivas por parte deste; do mesmo modo a direita diz que o Estado deve permitir que o mercado tenha espaço para se desenvolver por si com uma regulação ligeira mas tende ao mesmo tempo a defender o Estado quando este proibe o casamento de cidadãos do mesmo sexo, uma decisão íntima e que não afecta absolutamente nada ou ninguém.
    É uma maleabilidade tal que os argumentos (correctos ou errados) deixam de ter significado.

    Esta luta ideológica caducou no final do século XX e terá que haver um esforço de síntese de modo a que possamos votar nas pessoas que elegemos pelo seu valor e propostas e não pelas suas cores políticas.

    É cansativo ver ataques entre esquerda e direita porque uma não se está a comportar como a direita ou outra não propôs um projecto de lei á esquerda, este jogo viciou a actuação livre dos lideres políticos e vêmo-nos a votar sempre no mal menor…

  12. O comentário 12 do RAF é pura e simplesmente nojento.

    Não lhe chega a vontade de correr com alguém de que discorda. Pretende mesmo humilhar alguém.

    Para mais quando o Público sempre abriu as suas páginas a todos os quadrantes parlamentares !

  13. Pingback: Ainda há pluralismo de graça at ruitavares.net

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