De todos os argumentos anti-liberais, o mais extraordinário – e nojento, também – é aquele que coloca no socialismo e na social-democracia o monopólio do “humanismo” e das “preocupações com os mais desfavorecidos”. Ser liberal, para o “humanista chic”, é não ter coração, é estar dominado pela “insensibilidade social”, é desconhecer os problemas do portuguesinho. Curiosamente, muitos destes “novos preocupados” são tipos abastados, cuja “preocupação social” se esgota na escrita blogosférica, não fazem a mínima ideia do que é o “país real”. A maioria dos Insurgentes que eu conheço vive mais próximo do país real e das suas dificuldades que todo estes “humanistas caviar”, que agora, em pânico, descobriram a compaixão e a preocupação pelos “coitadinhos”.
«A maioria dos Insurgentes que eu conheço vive mais próximo do país real e das suas dificuldades que todo estes “humanistas caviar”»
O RAF conhece (pessoalmente) esses “humanistas caviar”?
Caro MM,
“O RAF conhece (pessoalmente) esses “humanistas caviar”?”
Conheço os suficientes para escrever este post; ainda este fim-de-semana, tive que aturar alguns a chatear-me a molécula.
Conheço também alguns humanistas caviar. Têm várias casas e vários carros. Gozam 30 dias de férias fora. Não ajudam nada nem ninguém. Têm raiva a quem acham que tem mais que eles e desprezam os que têm menos. Alguns estão reformados com 49 anos.
Não é que concorde ou discorde mas não faço a mínima ideia de quem ou do que é que está a falar exactamente- só percebi que hoje estava chateado e que tem um blogue.
“só percebi que hoje estava chateado e que tem um blogue.”
E se não tivesse, o Nuno tinha ficado privado de uma hipótese de comentar.
“De todos os argumentos anti-liberais, o mais extraordinário – e nojento, também – é aquele que coloca no socialismo e na social-democracia o monopólio do “humanismo” e das “preocupações com os mais desfavorecidos”. Ser liberal, para o “humanista chic”, é não ter coração, é estar dominado pela “insensibilidade social”, é desconhecer os problemas do portuguesinho.”
Salvo erro, creio que era o Prof. Arroja – noutros tempos – que se referia a esse tipo de argumentação socialista como o “monopólio do bom coração”. É verdadeiramente nojento, mas infelizmente é coisa que nõa falta por aí.
Excelente post.
o “monopólio do bom coração”.
Por isso é que todos devíamos ler “O socialismo nunca existiu?” do Carlos Leone. Faz parte do mecanismo que leva a que seja sempre, inevitavelmente, absolutamente sempre, a esquerda socialista a definir as posições, as condições e as regras do confronto político. É como eles querem e não há mais conversa.
Esse post é simplesmente um ad hominem a quem diz aquilo. Se quem diz aquilo está errado, ninguém vai ficar sabendo com seu post, que não presta como transmissor de conhecimento. Teu post é meramente uma tentativa de vencer o debate sem precisar ter razão.
Caro Nuno,
“Não é que concorde ou discorde mas não faço a mínima ideia de quem ou do que é que está a falar exactamente- só percebi que hoje estava chateado e que tem um blogue.”
Tem sorte, se de facto não é melgado por gente que, cheia de blasé e “seis-menos-um-quarto”, destila preocupações humanitárias na defesa do Estado, insinuando, ou afirmando mesmo, que quem defende o liberalismo, só quer “os ricos cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres”, é dogmático e “socialmente insensivel”, desconhecendo a realidade dos pobrezinhos.
Não é nojento, é a realidade.
Pode é ser-se contra, e isso é um argumento válido.
Agora dizer-se que o liberalismo tem preocupações sociais só por:
1) brincadeira ou;
2) desconhecimento ou;
3) propaganda.
Ou as três juntas, será o caso?
Volto a dizer, pode ser-se contra e considero uma ideia válida, mas não inventem.
Aliás a maneira como refere “portuguesinhos”…
Eu conheço também alguns que além de viverem como os ricos mais ricos ao contrarios dos pobres cada vez mais pobres, ainda tem a suprema desdita de promoverem “acções, projectos, iniciativas, concertos e até instituições” que não passam de caridadezinha financiada e paga pelos pobres mais pobres levados pelo “bom coração” desta gente.
E do alto da sua magnanima bondade, investem só ela mesma, “a magnanima”,e nunca a bondade.
Assim tal como lia noutro blogue esta gente pergunta do alto da montanha magnanima, ….”e você? qual é a sua intervençao cívica e social em prol dos mais pobres?”
Caro Zé do Pipo,
Eu acredito que uma sociedade liberal e livre promove – efectivamente – uma diminuição da pobreza. E a história prova que, não havendo sociedades inteiramente liberais, as que seguiram uma tradição liberal apresentam níveis muito interessantes de crescimento.
E, quando falo em crescimento, falo precisamente para as classes médias e mais pobres.
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Caro RAF:
Esse argumento é algo pobre e típico de quem acha que os “problemas sociais” se resolvem com caridade. Os problemas sociais resolvem.-se, nma perspectiva de alguém de esquerda, com políticas sociais, e é mais ou menos indiferente se eu gasto metade do meu ordenado em caviar, ou o ofereço aos “portuguesinhos”. A caridade não resolve nenhum problema social.
Este argumento faz lembrar a discussão no PREC sobre se os comunistas podiam beber wiskey…
“Tem sorte, se de facto não é melgado por gente que, cheia de blasé e “seis-menos-um-quarto”, destila preocupações humanitárias ”
Mas quem ou o quê e onde?
Assumo que esteja a falar do Bono Vox com o seus peditórios mediáticos e os seus 170 milhões em paraísos fiscais.
É que nunca conheci alguém que fosse mais ou menos consensualmente considerado um humanista e que se gabasse de o ser ou que se apresentasse como tal. É um bocado contraditório praticar actos altruístas e revesti-los de mediatismo e auto-promoção, faz desconfiar.
Fala de alguém em especial??
O que me preocupa é que RAF – que não sei quem é, mas com quem concordo inteiramente – ou nunca tenha comido ou não goste de caviar.
Humanismo caviar é Picasso e entourage.
O Tavares caviar? Só se for de ovas de caranguejo sul-coreano.
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