Quando a Economia vira uma ciência do oculto…

Disserta RMD sobre a subida de taxas de juro.

Procurando perceber o sentido do post, pergunta o HB:

De Henrique Burnay a 18 de Setembro de 2008 às 00:57
Isso, portanto, significa que… É por causa do capitalismo desregulado que as taxas de juro sobem? Vamos regula o mercado e impedir as taxas de crescer?

Responde RMD, com convicção e sem dúvidas:

De Rodrigo Moita de Deus a 18 de Setembro de 2008 às 01:17
Não Henrique. O preço do dinheiro está a aumentar porque a oferta é cada vez menor. E não há dinheiro porque o mercado está todo a tentar converter os seus activos em liquidez. Porque falta dinheiro. é possível que a falência da Lehmans, os problemas na Carlyle, Nothern rock, Bern etc estejam relacionados com isso.

Comenta o visitante El Terrible:

De El Terrible a 18 de Setembro de 2008 às 12:49
Como é que alguém pode dizer que não há dinheiro se os índices de massa monetária estão nos níveis mais altos historicamente ??? lol
É justamente o contrário… nunca houve tanto dinheiro como agora… quer na Europa quer nos EUA.

[É por esta – e por quase todas as outras – que desisti de discutir contigo, caro RMD, é cansativo debater com quem argumenta na base de que estamos à beira do Apocalipse, não quer mudar de opinião, e ainda por cima recorre, cheio de certezas, a “factos” que só o são na Twilight Zone; para não falar que não gosto que me citem com afirmações que eu não escrevi].

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65 thoughts on “Quando a Economia vira uma ciência do oculto…

  1. Rodrigo, escreveste no 31: “O dinheiro está parado, não se evaporou de um dia para o outro…”.
    Nim… Afinal se um investidor compra acções que há uns tempos valiam X e agora valem zero, houve de facto “dinheiro” que se evaporou. E não foi pouco.

  2. Isto porque a capitalização total do mercado (no seu conjunto, portanto) é menor agora. Os detentores de capital pensavam que tinham activos que valiam X e agora verificam que esse X é cada vez menor, isto quando não passa a negativo com as “habilidades” dos produtos financeiros sofisticados… Houve um mundo virtual que desabou. Os investidores perceberam que afinal as notas que tinham não eram reais, eram só do Monopólio. 🙂

  3. Carlos Duarte

    Foi para a Enron, mas é “parecido”:

    Enron
    You have two cows.
    You borrow 80% of the forward value of the two cows from
    your bank, then buy another cow with 5% down and the rest
    financed by the seller on a note callable if your market cap
    goes below $20B at a rate 2 times prime. You now sell three
    cows to your publicly listed company, using letters of
    credit opened by your brother-in-law at a 2nd bank, then
    execute a debt/equity swap with an associated general offer
    so that you get four cows back, with a tax exemption for
    five cows. The milk rights of six cows are transferred via
    an intermediary to a Cayman Island company secretly owned by
    the majority shareholder who sells the rights to seven cows
    back to your listed company. The annual report says the
    company owns eight cows, with an option on one more and this
    transaction process is upheld by your independent auditor
    and no Balance Sheet provided with the press release that
    announces that Enron as a major owner of cows will begin
    trading cows via the Internet site COW (cows on web). I am
    sure you now fully understand what happen.

  4. Rodrigo Moita de Deus

    Rodrigo,

    Não leste o que escrevi. Informação publica e publicada que podes encontrar por aí. O deleveraging do Lehmans – e de outros bancos – falhou. Há créditos que não são recuperáveis e há activos que não são convertíveis em liquidez. E só agora estamos a fazer a depreciação desses activos (coisa que interessa muito pouco fazer, como tu bem sabes). Em linguagem social-marialva: não há dinheiro. Não há dinheiro aumentam as taxas de juro.

  5. Caro TAF,

    Se o que dizes é que a desvalorização dos activos bancários e o desmoronamento de alguns produtos levou a uma capitalização bolsista (menos dinheiro na bolsa), então está bem.

    Agora, o facto de ter havido uma diminuição da capitalização bolsista não implica uma diminuição da massa monetária. Há menos dinheiro na bolsa, mas não há menos moeda por essa razão. Pegando num exemplo simples: Se eu te compro uma acção a dez, e a vendo ao Helder (que tem jeito para investir, estudou na Lota de Matosinhos Business School) a 2, eu perco 8, mas tu ficas efectivamente com 10 no teu bolso; com esse dinheiro, podes reinvestir na bolsa, em produtos malucos, ou simplesmente colocá-lo numa conta de depósito a prazo; mas até podes torrar a massa toda numa noitada, e esse dinheiro está agora no bolso de uma data de gente: eu fiquei 8 euros mais pobre, a capitalização bolsista diminui de 10 para 2, mas o volume de moeda é o mesmo.

    Neste momento, há falta de liquidez mas é no MMI, no mercado monetário interbancário, porque os bancos desconfiam bastante uns dos outros, ninguém sabe se não poderá estar a emprestar a alguém que amanhã peça falência. Os que estão disponíveis para emprestar, emprestam, mas a taxas mais altas (não por falta de dinheiro, mas porque, quanto maior o risco, maior o retorno exigido).

    Há contudo inúmeros outros fenómenos que explicam a falta de dinheiro para o crédito que não têm a ver com o subprime nem com os recentes problemas nos EUA.

    Ab
    RAF
    As recentes dificuldades nas bolsas têm aberto outras oportunidades, v.g. os fundos de private equity têm hoje uma maior facilidade em capitalizar-se. Certas commodities ficam também valorizadas (o ouro está em grande de novo). O dinheiro sai de um lado, mas vai sempre para outro, não se evapora pela diminuição da capitalização. O que destrói o valor do dinheiro (evaporando-o um bocadinho de cada vez) é a emissão à toa de moeda e os fenómenos inflaccionistas.

  6. Caro RAF, pegando no exemplo que deste: e se tu me pagaste com outra acção que supostamente valia 10?
    Eu pensava que tinha 10 e depois venho a descobrir que afinal não tenho nada… O problema é precisamente este: estava toda a gente a negociar bens que não tinham “existência real” (digamos assim para simplificar). Perdeu-se efectivamente “dinheiro”. Evaporou-se.

  7. RAF, outro exemplo: eu compro uma acção X a 1. Pago em dinheiro vivo, mesmo. Tu fazes semelhante: compras uma acção Y a 1, também pagas cash. Depois vamos os 2 para a bolsa. Eu vendo-te a minha X por 2 e tu pagas-me com a tua Y que dizes valer 2 (e eu acredito). Eu fiquei com uma Y “a valer 2” e tu com uma X “a valer 2”. Mais tarde vendo-te de volta a Y, mas por 4. E tu pagas-me com a X que supostamente já vale também 4. Quer eu quer tu quadruplicamos o nosso investimento inicial: eu tenho uma X que supostamente vale 4, e tu uma Y que supostamente vale 4. Estamos ricos. Até que queremos vender a terceiros e ninguém as compra por esse preço…

  8. Caro homónimo RMD,

    Li muito bem o que escreveste:

    “O preço do dinheiro está a aumentar porque a oferta é cada vez menor. E não há dinheiro porque o mercado está todo a tentar converter os seus activos em liquidez.”

    Há muita gente no mercado a tentar converter os seus activos em liquidez? Sim. Isso explica o preço do dinheiro? Não. Nos momentos de euforia, toda a gente passa o dia a converter os seus activos em liquidez, e vice-versa (é que para cada comprador, a um dado preço, tem de haver um vendedor), e isso não é um problema para ninguém (pelo menos nessa altura; a prazo, há sempra alguém a lixar-se). As sociedades que geram as bolsas ganham sempre, na alta e na baixa, para elas há sempre comissões.

    O preço do dinheiro está a aumentar? Sim. A oferta (de crédito) é cada vez menor? Sim. “O preço do dinheiro está a aumentar porque a oferta (de crédito) é cada vez menor?”. Não. Não é correcto. O preço do dinheiro está a aumentar, entre outros factores (a Rússia andar às turras com a Georgia não ajuda; a UE ficar sem saber bem como reagir, também não; as famílias estarem, um pouco por toda a UE e EUA bastante endividades, tudo ajuda à alta do juro) porque as instituições confiam menos umas nas outras. A probabilidade de um banco x emprestar ao um banco y e este entrar num processo de insolvência aumentou. Quem empresta exige mais em troca. Acresce que há instituições a quem ninguém empresta, a nenhuma taxa. Dinheiro há, agora não há dinheiro disponível no mercado – e bem – para o Lehman, para a AIG, e outras entidades. Há menos crédito, porque as taxas são altas, mas as taxas não são altas porque baixou a oferta, como tu dizes.

    Podes falar em “deleveraging”, “liquidez”, “depreciação de activos”, e citar que há muita “informação publica e publicada por aí”. Já é um avanço, andas a ler umas coisas, finalmente. O que ainda não consegues é visualisar as relações de causa e efeito entre toda a informação que tens digerido à pressa nos últimos dias. O que dizes no teu post e agora reforças no teu comentário demonstra mais uma vez isso: dificuldades de ligação entre os vários conceitos.

    E parabéns, deve ser bom neste tipo de assunto andar de mão dada com o Daniel Oliveira.

  9. Caro TAF,

    “Caro RAF, pegando no exemplo que deste: e se tu me pagaste com outra acção que supostamente valia 10?
    Eu pensava que tinha 10 e depois venho a descobrir que afinal não tenho nada… O problema é precisamente este: estava toda a gente a negociar bens que não tinham “existência real” (digamos assim para simplificar). Perdeu-se efectivamente “dinheiro”. Evaporou-se.”

    O dinheiro não se evaporou. Dilui-se foi uma expectativa de receber, no futuro, determinada quantia em dinheiro vivo. No exemplo que dás, ruiram determinadas expectativas, mas isso não mexe com a liquidez, com o dinheirinho vivo, esse é o mesmo.

    O mercado de futuros não mexe com a massa monetária.

    “Outro exemplo recente deste mecanismo de “evaporação” de dinheiro: Afinsa”

    No caso da Afinsa, o dinheiro “evaporou-se”, de facto, do bolso dos investidores, mas foi parar ao bolso de alguém, isso é certinho. E esse dinheiro está a contribuir, v.g., para a compra de casas, quadros, bebidas, viagens.

  10. Caro RAF: elaboremos então um pouco mais o exemplo.

    Na altura em que eu e tu tínhamos acções que valiam 4, eu resolvi ir ao banco pedir um empréstimo de 4, tendo como garantia a minha acção. O banco, todo contente, passou-me o dinheiro para a conta à ordem. Eu, vendo o bom negócio que estava a fazer em bolsa, comprei-te a tua acção Y por 4, pagando cash. Tu, prudentemente, resolveste retirar-te do negócio bolsista. Tinhas investido 1, saiste com 4. Lucraste 3. Fixe.

    Nesta altura, recapitulando:
    – eu entrei com 1 cash inicialmente e tenho agora uma acção X e outra Y.
    – o banco entrou com 4 cash
    – tu saiste com 3 cash de lucro.
    Até aqui tudo bem.

    Agora dá-se um crash. As minhas acções passam a valer 0. O banco quer o dinheiro de volta. Eu não tenho. Perdi o 1 que investi inicialmente mais os 4 que o banco me emprestou. Ou seja, “evaporaram-se” 5, o meu 1 e os 4 do banco. Tu lucraste 3, sacana! 😉 O saldo é que se perderam 2. Liquidos. Evaporou-se dinheiro.

  11. Faltou-me explicar outro ponto neste exemplo. Inicialmente eu paguei 1 pela acção X e tu 1 pela acção Y. Alguém os recebeu, mas não foi tudo lucro, porque precisou de pagar alguma coisa por essas acções. Para simplificar, podemos até admitir que elas foram-nos vendidas ao preço de custo. Ou seja, perdeu-se mesmo dinheiro no “sistema”.

  12. Ai Tiago, liquidez e lucro não é a mesma coisa. Que confusão que por ai vai…

    O Banco empresta-te 4, para comprares a minha acção. Tu dás-me 4 a mim. Entregas a acção como garantia. No momento da compra, tu estás na mesma (tens uma acção que vale 4, e uma dívida do mesmo valor). O Banco, em termos de liquidez, tem -4, e uma garantia que supostamente vale 4.

    Dá-se um crash. Eu continuo com os mesmos 4, provavelmente a rir-me. Agora, se eu me rio, alguém chora: há uma perda de 4, que alguém vai ter de suportar. Das duas uma: ou o Banco consegue sacar-te 4, e fica na mesma. Ou fica o Banco a arder. No fim, em termos de “cash”, liquidez, moeda, fica tudo na mesma.

  13. Como é que fica tudo na mesma?
    Eu: entrei com 1 cash
    Tu: entraste com 1 cash
    Banco entrou com 4 cash
    Total: 6.

    Depois do crash:
    Eu: 0 de cash (e uma dívida de 4, que nunca vou poder pagar)
    Banco: 0 (tem um crédito de 4 mas é incobrável porque eu não posso pagar)
    Tu: 4 cash.
    Total:4.

    Perderam-se 2.

  14. Caro TAF,

    Eles não se perderam. Tu é que os perdeste:) Os 2 euros que te faltam estão no bolso dos dois caramelos que nos venderam a acção, cada um deles, por 1 euro. Nesta altura do campeonato, o dinheiro está no bolso do Sr. Albano, um gajo que parece, vende café a quase 1 euro, e que os deve ter recebido dos ditos caramelos, que costumam lá ir tomar a bica.

  15. RAF: os 2 euros não estão nos 2 caramelos porque, tal como eu tinha explicado antes, eles também tiveram que pagar as acções. Ou seja, se foi a crédito, estão de volta ao banco que lhes tinha emprestado outros 2 antes! Há de facto uma perda.

  16. Caro TAF, no bolso de algumas pessoas, há uma perda. Mas do ponto de vista monetário não, porque os activos em referência não são moeda, não fazem parte de nenhum agregado monetário.

    Eu estou um bocado atrapalhado para te explicar as diferenças entre base monetária, e os diversos agregados, e da diferença entre mercado monetário e mercado de capitais, mas apreoveita e segue este link. É capaz de dar algumas luzes para a tua dúvida, e sobre quem de facto define o nivel de moeda (e no limite, sobre a ficção que ela representa, em muitos casos, enquanto reserva de valor, nos dias que correm):

    http://www.fep.up.pt/docentes/joao/material/macro2/macro2_texto_moeda.pdf

    Ab
    RAF

  17. RAF: esta questão da valorização artificial dos activos é semelhante à alteração de PDMs para tornar terrenos urbanizáveis – trata-se na prática de emitir moeda, ou seja, criar “valor” a partir do nada.

  18. Vamos lá ver se eu agora, com um bocadinho mais de tempo, consigo explicar melhor esta questão. É que acho, caro RAF, que te está a escapar o ensinamento principal desta crise financeira toda: é que os “especialistas” perderam-se completamente na complexidade do mundo ficcional que criaram, ficaram sem referências que os ligassem à realidade.

    Neste exemplo que acima dei, em que eu e tu manipulávamos o valor das nossas acções, sem interferência nem interacção com o resto do mercado, conseguíamos aumentar o valor que o mercado reconhecia ao nosso património sem qualquer contrapartida, a custo zero. As nossas acções subiam de cotação sem que houvesse nenhuma razão objectiva para isso, a não ser a nossa capacidade de estabelecer o preço. Isto é realmente emitir moeda. Eu e tu estávamos a ser bancos emissores privados, a “imprimir notas” só para nós. Podíamos utilizar as acções para obter crédito bancário, ou trocá-las por outros produtos financeiros, ou pura e simplesmente transformá-las em liquidez. Por isso, também quando há uma queda generalizada de cotações (sem que isso corresponda a uma transferência de valor para outro lado qualquer, porque não é esse o caso), há efectivamente uma redução da quantidade de moeda em circulação.

    Repetindo-me: é tal a qual o que se passa nas alterações dos PDMs se não houver um mecanismo de perequação.

  19. Caro TAF,
    Desisto. Está a escapar-me o essencial, e tens toda razão, isto tudo é como os PDM’s, e esta crise fez destruir moeda, e por isso, por esse facto, há uma redução da quantidade de moeda em circulação.
    Dou-te toda a razão, mas faz-me um favor: lê o link que te enviei com atenção.
    Abraço
    RAF

  20. Caro RAF, os especialistas dos “produtos financeiros sofisticados” também diziam que estes instrumentos eram demasiado complicados para o comum dos mortais entender, que era preciso estudar muito para perceber a coisa… 😉

  21. Rodrigo Moita de Deus

    Para ver se eu percebi (e desta vez com aspas):

    “A probabilidade de um banco x emprestar ao um banco y e este entrar num processo de insolvência aumentou” portanto emprestam menos. Certo? “Quem empresta exige mais em troca” o que limita o crédito concedido. Certo? “Acresce que há instituições a quem ninguém empresta”, o que diminui o crédito concedido. Certo? “Dinheiro há, agora não há dinheiro disponível no mercado para o lehman, para a AIG e outras entidades” quando antes havia, certo?

    Há menos instituições a emprestar, há menos instituições a receber, há mais instituições a procurar mas a oferta não caiu? Segundo o que dizes a circulação de capital abrandou mas isso não tem relação com a subida das taxas de juro. Tal como a subida das taxas de juro não têm impacto nas PMEs que, em Portugal, são especialmente dependentes da banca para lidar com problemas de liquidez. E num instante fomos da economia não real para a real. E eu é que não consigo ligar os conceitos?

    Bom. Pelo menos já não é mau que reconheças a existência de uma crise de confiança. Mais um pouco e talvez reconheças que o colapso destas instituições talvez não seja alheio ao défice de confiança.
    Deixa-me ainda fazer uma segunda nota. Sim. O dinheiro “evapora”. E não é à toa que lhe chamam “meltdown”. O dinheiro evapora dos balancetes porque o papel aceita sempre o que quisermos lá escrever. Evapora, por exemplo, porque é possível inflacionar os nossos activos com projecções de ganhos futuros (ROA, ROI…). Diz que lhe chamam leverage. O problema do mecanismo é quando o presente confronta o futuro. Que é como quem diz, quando alguém nos pede o dinheiro de volta. Entre o projectado e o dinheiro que nos devolvem falta um X. Esse X nunca teve tempo de se realizar. Para dizer a verdade só não evaporou porque nunca existiu.

    Uma última nota de título mais pessoal. Acreditas realmente que eu fui ler “apressadamente” fosse o que fosse só para trocar umas postas contigo? Enfim. Não me queixo de ter sido subavaliado. Mas posso comentar a tua capacidade de análise. Não fazes ideia do que faço, do que leio, do que estudo, do que vi e com quem converso. Ainda assim, confundindo boa disposição com ignorância, tomaste como certas as premissas que eu próprio te fui dando. Foi uma decisão arriscada para tanta falta de informação.

  22. Caro RMD,

    “Bom. Pelo menos já não é mau que reconheças a existência de uma crise de confiança. Mais um pouco e talvez reconheças que o colapso destas instituições talvez não seja alheio ao défice de confiança.”

    Obviamente há um crise de confiança. É da coisas mais evidentes. Só não sei onde é que algum dia eu neguei isso. No caso da AIG, onde o principal problema parece que é mesmo de liquidez, é onde isso é mais claro (embora a sua exposição a CDS’s tenha contribuído para a desconfiança); mas na Fannie e na sua irmã gémea o problema de liquidez também é relevante (no caso, reforçado pelo facto destas empresas terem uma prerrogativa que só lembra mesmo aos americanos, já que elas podem investir sem ter capitais próprios: estas empresas emprestaram 65 vezes o valor dos seus capitais, o que é um disparate do ponto de vista de uma regulação prudente). Nos bancos de investimento, a coisa não é tão clara, ainda não consegui perceber exactamente quais as causas mais relevantes que levaram a que lhes fosse “fechada a torneira”.

    “Para dizer a verdade só não evaporou [o dinheiro] porque nunca existiu”.

    Yes! Isso mesmo. Esse dinheiro nunca existiu. Esse é o ponto.

    Quanto à tua nota pessoal, não comento. É-me indiferente – para este caso, obviamente – o que fazes ou deixas de fazer. Constato o que leio, e o que li no início é mau, seguido de uma procura posterior de informação desconexa, arremessada contra mim em posts estilo “marialva”; dois ou três dias depois de tudo ter começado, já se vê alguma consistência para tocar em pontos relevantes. Se estás mais documentado por minha causa ou não, é-me indiferente, embora como bengala de humor, me sirva na perfeição (tu também usas as tuas, das quais não me queixei): essas referências no post são secundárias, e servem apenas para dar elan à discussão, não são propriamente para tomar à letra. Admito perfeitamente que te tenhas interessado pelo assunto em si, independentemente das respostas que me mandaste.

    Ab
    RAF

  23. Esse dinheiro que “nunca existiu” serviu para muito boa gente receber bons salários e bons prémios, e agora ter um simpático pé-de-meia, casas e carros, a salvo das empresas onde o obteve. Eu também quero desse dinheiro inexistente. 😉

  24. Caro TAF,
    A tua teimosia espanta-me. Nem te dás ao trabalho de ler o link que te mandei, que é um documento da licenciatura da FEP. Os valores em questão não são moeda, a massa monetária não incorpora nenhum desses produtos. Se alguém recebeu bons prémios, fê-lo à custa de outrem. O volume de moeda é exactamente o mesmo. Só o Banco Central cria moeda, o que discutes é onde ela está alocada e como foi distribuida. O que estás a dizer é asneira, dava direito a chumbo numa cadeira de moeda e crédito ou macroeconomia, não está no campo da opinião, é a mesma coisa que dizer que um veículo de quatro rodas é uma bicicleta…

  25. “Só o Banco Central cria moeda”

    Caro RAF, pois o ponto é precisamente que na prática não é assim. Já te dei 2 exemplos de “emissão de moeda”: quando se autoriza a urbanização de um terreno no PDM, e quando se aumenta artificialmente as cotação de valores mobiliários (ver acima). É exactamente a mesma coisa que imprimir notas.

  26. Caro TAF. Não é moeda. São activos, têm valor, mas não são moeda. Nas suas trocas, têm sempre subjacente uma determinada quantia em moeda. Se o seu valor diminui, porque era, v.g., artificial, há uma transferência de moeda dos bolsos de uns para outros, mas não há detruição de moeda. Desculpa, TAF, isto é dos manuais de economia, não é uma questão de opinião, os terrenos e as acções não fazem parte da base monetária nem de nenhum dos seus agregados, não são moeda. Meus Deus, como é que se pode insistir tanto? Vai ler o texto do link acima, faz-me esse favor, em vez de continuares nisso. Tenho demasiada consideração por ti, mas estás a cair na casmurrice…

  27. “Nas suas trocas, têm sempre subjacente uma determinada quantia em moeda.”

    Meu caro, e tu a insistir… Nos exemplos que eu te dei o valor dos activos aumenta sem que haja qualquer contrapartida em moeda. A incapacidade de compreender isto é que em muito contribuiu também para o desabar da ficção financeira que se criou. Mas não sou eu o único a lembrar esta questão da “emissão pirata” de moeda. Basta ir ao Google e procurar. Quando tiver tempo eu próprio te enviarei links para fontes fidedignas e onde isto esteja claro. Mas haverá por aí certamente gente muito mais especializada nestes assuntos do que eu, que te explicará melhor o fenómeno.

  28. Michael Seufert

    Se me permitem: o TAF está a confundir liquidez do sistema, com liquidez dos intervenientes.
    Se o TAF compra e vende acções e ganha e perde com isso, tem um saldo. Mas o facto de os seus activos perderem valor não faz descer a massa monetária.
    Se comprar um carro a 100 e o vender a 50, deu cem para o sistema e recebeu cinquenta. Teve prejuízo de cinquenta, mas nada disso afecta a quantidade de moeda do sistema monetário em questão.

    Mas há uma ressalva. É que não são só os bancos centrais que emitem moeda. Os bancos também o fazem, quando emprestam dinheiro que não está coberto por depósitos – o que é a sua prática normal. Mas isso não tem que ver com o que vai fazer com esse dinheiro. Esse dinheiro entra no sistema independentemente do que vai comprar com ele.

  29. “Se comprar um carro a 100 e o vender a 50, deu cem para o sistema e recebeu cinquenta. Teve prejuízo de cinquenta, mas nada disso afecta a quantidade de moeda do sistema monetário em questão.”

    Isso é verdade, mas é um caso completamente diferente daqueles exemplos que eu dei.

  30. Caro Michael,

    “As instituições de crédito que emprestam dinheiro que não corresponde a depósitos, também estão a criar moeda.”

    Os bancos têm uma prerrogativa delegada de criação de moeda, via concessão de crédito, dentro dos limites prudenciais, mas a emissão da moeda é sempre do banco central. Os bancos têm de ir buscar as notas a algum sítio, e quem lhas dá é o banco central (no nosso caso, o BCE). O banco central sabe, também, qual a capacidade de criação de moeda dos bancos, que está limitada à dimensão dos seus balanços (em especial dos capitais próprios), e joga com as taxas de juro para limitar ou expandir a procura de crédito. Mas esta criação/emissão de moeda resulta da concessão de crédito, e não da valorização dos activos, e tem correspondência em moeda. Se os activos que servem de garantia ao crédito se depreciarem, que é o ponto do TAF, o volume de moeda no momento da desvalorização é o mesmo, porque a moeda já foi emitida, e ela não desaparece: alguém vai é ficar a arder.

    A moeda, e essa é a grande dificuldade de compreensão, para lá do seu valor nominal ou facial, tem uma função de incorporação de valor e de facilitador de troca. Ela não vale por si, vale sempre em função daquilo que com ela eu consigo comprar. O facto dos activos se valorizarem ou desvalorizarem, não altera a moeda em circulação, mas aquilo que eu consigo fazer com a moeda que tenho no bolso (e, necessariamente, no sistema).

  31. Caro TAF,

    Fico à espera dessas fontes fidedignas que confirmam que esses activos são valores monetários, que a sua valorização corresponde a criação de moeda, e que a sua desvalorização e eventual destruição, até, determina uma “evaporação” de moeda, que como que, por artes mágicas, desaparece do mapa.

    Espero que o parecer não seja do Coperfield ou do Luis de Matos.

  32. Logo que possa. Mas, caro RAF, então como explica este caso que talvez seja mais evidente: quando eu atribuo capacidade de construção a um terreno que não era até então urbanizável, estou ou não a “emitir moeda”?

  33. Continuando a minha tentativa de explicação, enquanto aguardo pela contestação da minha afirmação sobre os PDMs. 😉

    O meu ponto é que se andam valores a circular em circuito fechado, sem entradas novas de dinheiro, em que a cotação sobe “por geração espontânea”, isso é efectivamente emissão de moeda. Os detentores desses valores passam a ganhar a capacidade de os transformar em liquidez, porque o mercado aceita as cotações, de obter empréstimos com base nisso, etc. Ganham efectivamente a capacidade de gastar. Tal e qual como se imprimissem notas. Repare-se que, enquanto não houver um crash, esse novo poder económico obtido pelos detentores desses valores nascidos por geração espontânea não provém de alguém em particular que o resolveu transferir para eles (ao contrário do que acontece se algum maluco compra uma acção pelo dobro do que ela vale, ou similar). Ou seja, ninguém em particular perdeu nada para que outros ganhassem. O mercado como um todo é que perdeu, tal como quando a emissão de dinheiro pelo banco central provoca inflação.

    Mas, RAF, aquilo que dizes quanto às notas não se aplica aqui porque a maior parte do dinheiro que circula é apenas “virtual”, são números em papel ou bits em discos de computador. Eu não digo que as notas físicas se esfumam, como é evidente. O que digo é que o dinheiro total em circulação (esse tal virtual também, que é a maior parte) aumenta e diminui através de acções como estas que eu exemplifiquei. Não me admira nada que a maior parte dos “especialistas” não se aperceba disso porque esses mesmos também não perceberam nada do que se estava a passar antes do credit crunch. A menos do Buffet, do Soros e outros que tais (como eu 🙂 🙂 🙂 )…

  34. Caro TAF,

    “Logo que possa. Mas, caro RAF, então como explica este caso que talvez seja mais evidente: quando eu atribuo capacidade de construção a um terreno que não era até então urbanizável, estou ou não a “emitir moeda”?”

    Não. Não está a emitir moeda. Está a dar valor ao terreno, mas o nível de massa monetária é o mesmo.

  35. Quanto ao comentário 35, é incomentável. E tenho de ir trabalhar: parece que o mercado está a “emitir moeda” loucamente, as cotações estão a disparar em flecha. Ups, parece que não há emissão de moeda, os gajos que andaram no short selling é que se lixaram, e agora vão ter de comprar acções para cobrir as suas posições ao preço que for. Afinal, o dinheiro está a circular…

  36. Vamos ver se eu me consigo explicar de outra maneira. Imaginemos então que havia uma operação por parte do Estado de aumento em larga escala da capacidade construtiva dos terrenos nas principais cidades do país. Havia ou não uma pressão inflaccionista equivalente à provocada pela emissão de moeda em montante equivalente à valorização dos terrenos? E um efeito equivalente ao de entregar essa moeda emitida aos proprietários desses terrenos, sem contrapartidas, em vez de aumentar a capacidade construtiva?

  37. Diz-me o CN que parece que afinal o FED decidiu dar uma ajuda, trocando titulos de divida de curto prazo das suas filhinhas Fannie and Freddie por cash. Dinheirinho fresco. Isto hoje está uma verdadeira orgia, com o FED a patrocinar o sexo livre:) O contribuinte americano é que durante alguns dias vai ter algumas dificuldades em sentar-se:)

  38. “Vamos ver se eu me consigo explicar de outra maneira. Imaginemos então que havia uma operação por parte do Estado de aumento em larga escala da capacidade construtiva dos terrenos nas principais cidades do país.”

    Parece-me que se a procura de terrenos com capacidade construtiva for elástica, o resultado dessa “operação em larga escala do estado” seria o de diminuir o valor (ou anular em grande parte o incremento deste) dos terrenos com capacidade construtiva, por via do aumento da oferta.

    O que até poderia culminar numa diminuição da inflação por via da diminuição dos custos da habitação.

  39. “#42: Pronto, então para evitar esse efeito no mercado que perturba a análise do ponto em causa, reformulo o #38 para “pequena escala”.”

    “Havia ou não uma pressão inflaccionista equivalente à provocada pela emissão de moeda em montante equivalente à valorização dos terrenos? E um efeito equivalente ao de entregar essa moeda emitida aos proprietários desses terrenos, sem contrapartidas, em vez de aumentar a capacidade construtiva?”

    Não havia pressão inflacionista.

    Basicamente, para pagar o valor adicional dos terrenos os seus compradores passariam a usar mais divisas que teriam que ir buscar às suas poupanças ou pelo facto de prescindirem de outras compras para o fazer.

    Ou seja, houve uma transferência das divisas que teriam sido pagas por outros bens para colmatar o incremento de valor dos terrenos, ou seja, dos bolsos (potenciais) dos proprietários dos outros bens para os proprietários dos terrenos.

    A quantidade de moeda em circulação é a mesma. Lembremo-nos também que esse incremento do valor dos terrenos só se “monetariza” quando este terreno é comprado por um novo dono. Afinal, o aumento do valor só se materializa na quantidade de moeda detida pelo dono do terreno quando este recebe a contrapartida da sua venda.

  40. “E se eu o usar como garantia para um empréstimo bancário?”

    Nesse caso (e só nesse), já se concluiu há vários comentários atrás que, efectivamente o banco cria moeda (é sua prerrogativa conferida pelo BC), partindo do princípio que não estamos a falar num sistema bancário com plenas reservas.

    Logo, a pressão inflacionista que daí surge é fruto da própria natureza do sistema bancário.

  41. “efectivamente o banco cria moeda”

    Pronto, é isso mesmo. 🙂
    E foi isso, em grande parte, o que se passou nesta confusão toda dos mercados financeiros. Da mesma maneira que quando o sistema desaba, também se vai perder moeda.

  42. Ou seja, o que cria moeda não é a decisão do estado em relação à capacidade construtiva.

    O que cria moeda é o facto de o BC autorizar o banco a conferir empréstimos com reservas fraccionarias, conjugado neste caso com o facto de o dono do terreno o usar especificamente como garantia de um empréstimo bancário.

    O fluxo da moeda é do BC para o banco, não do banco para o proprietário do terreno.

    (Fustiguem-me os colegas economistas se estiver errado).

  43. “Pronto, é isso mesmo. :-)”

    Nope.

    “Da mesma maneira que quando o sistema desaba, também se vai perder moeda.”

    Não. É exactamente a mesma de antes (partindo naturalmente do princípio que não há novas injecções). O dinheiro não evaporou. O que se pode dizer é que o rácio moeda/valor (i.e. inflação) foi afectado.

  44. #49: O que eu queria dizer, se calhar com uma explicação menos feliz, é que as acções dos intervenientes podiam gerar ou destruir (mesmo que indirectamente) moeda. O que espoletou a criação de moeda foi a decisão do Estado quanto à capacidade construtiva, pois sem isso o património do dono do terreno não valorizava, e sem isso o banco não lhe emprestava o dinheiro. O resto decorre das regras do sistema.

  45. “O que espoletou a criação de moeda foi a decisão do Estado quanto à capacidade construtiva”

    Não, o que autorizou a criação de moeda foi o estado autorizar que o banco possa emprestar mantendo apenas uma fracção de reservas sobre esse valor emprestado.

    A sua analogia parece um pouco a perspectiva de que o aumento da capacidade construtiva de um terreno aumenta o crime por via da lavagem de dinheiro.

  46. Bem, não vejo como possa ser mais claro e exaustivo do que o Rodrigo, o Carlos ou o João mas vou tentar a minha sorte.

    Relativamente ao comentário 51. No caso de o sistema bancário trabalhar com reservas de 100% (nos depósitos à ordem – entenda-se, pois estes têm liquidez imediata) a contracção de um empréstimo tendo por garantia um activo sobrevalorizado (vamos supor que sim) não cria moeda. O que pode acontecer é que se o empréstimo entrar em default o banco fica com um activo de valor inferior à dívida (vamos supor que o valor a amortizar é superior ao valor de mercado na altura do default). Imaginemos que o “buraco” é significativo e que o Banco Central decide intervir imprimindo dinheiro. Neste caso já há criação de moeda mas o que a “despoletou” foi a intervenção do Banco Central. Havia sempre a opção de deixar falir o Banco.

  47. #53: Estamos a ver a situação por perspectivas complementares. Se se aceitar que as regras do sistema financeiro são estas (como enquadramento inalterável), então é a decisão dos terrenos que provoca a situação descrita. Se não se tomar esse enquadramento como um pressuposto, a perspectiva é diferente. Mas a realidade é a mesma.

  48. Caro JLP,

    Bem hajas, que conseguiste levar o TAF a porto seguro!

    Caro TAF,

    “Pronto, é isso mesmo.
    E foi isso, em grande parte, o que se passou nesta confusão toda dos mercados financeiros. Da mesma maneira que quando o sistema desaba, também se vai perder moeda.”

    Não se perde moeda, ela já está emitida, e em circulação.

    O que acontece é que vai haver o mesmo valor de moeda, mas o valor dos bens na economia diminuem (por exemplo, as mesmas empresas cotadas hoje valem muito menso que há seis meses). É um pouco o que se passa agora no mundo: o volume de moeda é o mesmo, e muita dela está guardada nos Fundos dos países emergentes (porque os americanos compraram muita coisa a essa gente, que não a torrou), que agora esfregam as mãos de felicidade, com a possibilidade de comprarem as empresas em dificuldades, porque estão baratas.

  49. #52:

    Não, não se perdeu moeda. A moeda em circulação e os valores que continua a existir são exactamente os mesmos. O que se passou, e que define as tais “dívidas incobráveis”, é que houve compromissos que foram violados (bens dados como garantia erradamente avaliados, obrigações de pagamentos não cumpridas, …), e basicamente que alguém ficou “a arder”.

    Basicamente, houve alguém que entregou Porsches contra um contrato de mútuo, em que quem fez o crédito não o pagou, e os bens que deu como garantia afinal valiam muito menos que um Porsche. O banco faliu e não pôde ressarcir todos os credores (entre os quais o vendedor de Porsches) e entretanto quem vendeu o Porche ficou a arder.

  50. Caro TAF,

    A moeda é a mesma, ela vale aquilo que convencionarmos que ela vale.
    Pode não vir a valer nada, um dia. Veja-se o Zimbabué. Mas isso não é novidade para ninguém.

    Tu imputas à moeda efeitos e consequências que ela não tem. Por isso recomendei que lesses o outro texto, que explica o que é a moeda, e a sua função, e o que ela tão pouco é.

  51. #59:

    “Caro Pedro, isso vai em linha com os comentários 47 e seguintes aqui. E o ponto é mesmo esse: o sistema não exige que haja “dinheiro real” (passe a expressão) que cubra a totalidade do crédito.”

    Refraseando: o sistema não exige que existam bens (ou património) que cubram a totalidade do crédito.

  52. Tiago Coelho

    Após ter lido os comentários de todos, discordando em grande parte do TAF (com o devido respeito) por os raciocinios lógicos conterem premissas erradas, nomeadamente respeitante a conceitos, factos e noções técnicas (moeda, activos, valor) pergunto se o que o sub prime no fundo criou foi uma quebra de confiança entre os agentes, não fosse o sistema financeiro uma especie de “second life” baseado em confiança e expectativas?! As injecções de capital tiveram como objectivo de fundo quê? Não foi acalmar e ñ quebrar os indices de confiança entre os agentes? Muitos termos foram aplicados, mas creio estarem a esquecer-se de um essencial, já que se fala em sistema financeiro, que é a confiança.

  53. Caro Tiago Coelho,

    Concordo com o que dizes.

    Essencialmente, há uma crise de confiança, pois ninguém sabe quem tem o quê nos balanços. Quando empresas como a Lehman explodem, muitas outras podem a seguir ir abaixo. Convém ter a noção que além das relação directas com a Lehman, meio mundo construiu produtos estruturados que tinham como referencial a evolução da Lehman, sendo impossivel ao mercado perceber onde estão os grandes riscos. Daí haver uma crise de liquidez.

    Por outro lado, é necessário perceber- e isso vai demorar algum tempo – o papel que a imprensa tem na propagação do medo. As instituições, além de gerir a informação, têm de perceber se alguns dados são verdadeiros ou estão inflacionados por uma imprensa que vive do sangue e da sensação de apocalipse, sensação essa que interessava às empresas em dificuldades, para chantagear o governo americano, e retirar-lhe margem de manobra a pouco menos de dois meses das eleições.

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