Amen

O chavão do papão neoliberal, responsável pelas misérias do mundo. O apelo à regulação e ao Estado Redentor. Nada de mais. A desgraça é que toda esta lenga-lenga miserável conste, com pompa e cicunstância, num jornal pretensamente económico. Baptista Bastos, no Jornal de Negócios, “Faltam Estado e paixão a Portugal”. Portugal dificilmente vai deixar de ser um país anémico, enquanto nos jornais moderados e, pasme-se, nos económicos, houver espaço para quem detesta as regras mais básicas do funcionamento dos mercados, e clama por aquilo que o mata.

16 pensamentos sobre “Amen

  1. lucklucky

    …ficamos´á espera dos fascistas, bom talvez não suponho que diriam quase o mesmo que BB, mas a teoria economia da Al-Qaeda talvez fosse diferente.

  2. HO

    “Acho que o Thomas Frank escreve no Wall Street Journal.”

    Exacto. E já escreveu no Financial Times.

    Eu não tenho qualquer problema com isto, na mesma medida em que não teria caso uma revista científica publicasse artigos de proponentes do ID.

  3. Joaninha,

    “pois é, esta mania dos jornais económicos serem plurais é uma chatice…”

    Os jornais não foram feitos para serem plurais. A sociedade tem de ser plural, um jornal não. Basta olhar para a vizinha Espanha, onde os jornais são bem segmentados, têm a sua personalidade, e talvez por isso vendam bem.

    Um jornal económico que sistematicamente escreve contra a economia de mercado – de uma forma tão pouco fundamentada, ainda por cima, como o faz BB – mata a sua própria personalidade.

  4. Manel

    Não concordo consigo. Não me parece errada presença de opiniões plurais num jornal moderado, desde que não haja dúvida na “agenda” dos prosadores (e não me parece que haja dúvidas na de Baptista Bastos). Cada um depois concorda ou discorda, tendo acesso aos vários pontos de vista. A alternativa é uma conduta acrítica que eu não consigo aceitar (e valoro bastante a presença de comentadores autênticos como ele).
    Apesar de não partilhar muitas das ideias que ele defende nos seus artigos, não consigo deixar de compreender este artigo e de partilhar algumas das suas conclusões. É verdade que o Governo e o Estado, para os papéis que lhes atribui a actual Constituição e toda a Legislação existente, não tem propriamente cumprido o seu dever (e a Constituição é bastante afim com o campo ideológico deste autor), por isso não posso senão concordar com ele.
    Outra coisa seria discutir se a Constituição, a Legislação e as instituições existentes no país estão adequadas ao contexto de Portugal no Mundo…
    Concordo, por exemplo, que na maioria das questões ESTE PS e ESTE PSD não oferecem alternativas (quando o mesmo não pode ser dito se nos referirmos à década de 70 ou 80), que o pensamento político de ambos os partidos não tem sido muito evidente, que o entendimento de “mercado” das últimas legislaturas não tem sido positivo para o país ou que alguns dos “defensores” do “capitalismo” têm contribuído para autênticas desgraças económicas (entendam-se as aspas – há muita confusão e oportunismo, como é evidente na discussão à volta das nacionalizações recentes).
    O futuro incerto que ele prevê no último parágrafo também me preocupa, principalmente quando vejo a conduta de um governo Republicano relativamente a estes dois bancos (aguardam-se os próximos até ao “Too big to bail” como disse o CN já não sei onde), quando vejo o poder que um Governo Comunista (o Chinês) detém sobre a Economia Americana, ou quando vejo a escalada face ao Irão e, mais recentemente, face à Rússia.

  5. Basicamente, pode-se argumentar que um texto de Baptista Bastos num jornal económico é o mesmo que um artigo criacionista numa revista científica de Biologia.É um contra-senso.
    De qualquer forma, a Ciência Económica é, devido à sua natureza social e humana, mais permeável ao debate com a sociedade pelo que é compreensível que se guarde algum espaço para intervenções como as de Baptista Bastos. Ainda por cima, há imensos economistas credíveis (Louçã, para dar um exemplo mediático e com um curriculum científico impoluto) que estão “contra” o mercado. Assim, estas opiniões devem ser discutidas e refutadas, mas não coarctadas ou censuradas. Penso eu de que.

  6. Caro LAC-C,

    Longe de mim ser pela censura. Acho é que textos como o do BB, deveriam ter o seu espaço. Em Espanha, por exemplo, estariam em jornais como o Cinco Dias, quanto muito no El Pais, mas não em jornais de negócios. E o problema nem sequer é a crónica do BB em si, não há aqui qualquer intuito personae, e “uma andorinha não faz a primavera”; o problema é que os jornais ditos económicos (DE, Negócios, Semanário Económico), ou moderados (como o Público), estão inundados deste “criacionismo” anti-economia de mercado.

  7. Manel

    Se a razão estiver do seu lado, o “mercado” acabará por indicar um caminho alternativo para esses “criacionistas” anti-economia de mercado.

  8. Miguel

    “Um jornal económico que sistematicamente escreve contra a economia de mercado – de uma forma tão pouco fundamentada, ainda por cima, como o faz BB – mata a sua própria personalidade.”

    Pode ser a doença bipolar a afectar as instituições. Afinal, elas espelham a sociedade.

  9. «Ainda por cima, há imensos economistas credíveis (Louçã, para dar um exemplo mediático e com um curriculum científico impoluto) que estão “contra” o mercado.»

    Bem… Essa frase devia vir com uma “declaração de interesses”… 😉

    Também não sei até que ponto o “pluralismo” nos jornais é boa ideia. Para que raio o Público concede espaço a textos do António Vilarigues? Ou, antes, do Vítor Dias? Só ocupam espaço. Um jornal não tem de ser plural. Diversificação de pontos de vista é agradável, mas tem limites. Certas opiniões só conspurcam um jornal.

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