Nacionalização de perdas privadas (2)

Um oportuno comentário do leitor anti-comuna sobre a nacionalização da Fannie Mae e Freddie Mac, nacionalização esta que arruma com as derradeiras esperanças na liberdade e responsabilidade económica nos EUA:

Primeiro compra-se dívida hipotecária barata com dinheiro do Estado, emprestado pelo Estado a baixas taxas de juro. Depois lança-se o medo e o pânico junto da carneirada. Depois coloca-se alguém de confiança no governo. Depois nacionaliza-se essa mesma dívida, garantindo lucros chorudos, aos que compraram essa dívida com o dinheiro do próprio Estado!

Há quem lhe chame a isto engenharia financeira. Eu só conheço uma expressão para este tipo de actividades batoteiras: actividade criminosa muito bem organizada.

Vale a pena a leitura dos restantes comentários sobre o mesmo artigo do Blasfémias.

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43 pensamentos sobre “Nacionalização de perdas privadas (2)

  1. CN

    “Primeiro compra-se dívida hipotecária barata com dinheiro do Estado, emprestado pelo Estado a baixas taxas de juro.”

    O financiamento de ambas é privado. O que pairava no ar era se ambas as empresas tinham protecção do Estado (e assim a sua dívida). Pelos vistos tinham. Para salvar os credores.

    Falta-me saber até que ponto a dívida de ambas era monetizada (ou monetizável) via operações do FED (sabemos que é detida por Bancos Centrais, isso sabemos). Bem, suponho que agora vai ser mesmo “monetizável”.

  2. anti-comuna

    “O financiamento de ambas é privado.”

    Privado com dinheiro da Reserva Federal a baixas taxas de juro. Aliás, existe um programa em que se pode trocar determinados activos de alto risco por empréstimos federais a baixo custo. De forma a que o risco por parte da banca é sempre baixo ou inexistente mas os lucros muito chorudos.

    Ler esta notícia, por favor:

    “Fed loans not easing credit crunch

    Banks are still afraid to lend money even with cash infusions from Federal Reserve.”

    “Banks have already borrowed a total of $160 billion since the Fed started holding these auctions in December as a way to ease the credit crunch, which began last year when mortgage defaults and foreclosures began to skyrocket. Since then, the crisis has extended far beyond the residential home loans, roiling the markets for everything from municipal bonds to student loans to auto financing.

    After a particularly tough week in the credit markets, when even the value of formerly golden securities backed by Fannie Mae and Freddie Mac were called into question, the Fed announced Friday that it was upping the amount that would be available at the next two auctions to $50 billion, from $30 billion, and would continue to hold more rounds for at least six months. ”

    In http://money.cnn.com/2008/03/10/news/economy/fedauction/index.htm

  3. CN

    ANTI-COMUNA

    Mas isso são as facilidades extras que o FED e o BCE implementaram na sequência da crise, que aliás marca formalmente a primeira vez que os BCs estão a monetizar (compra ou financiamento pelo Banco Central) outros activos para além da Dívida Pública, coisa que ainda não mereceu grandes comentários pelo mainstream em economia (pela simples razão que estes nunca acham nada estranho desde que se ponha mais dinheiro/crédito a circular).

    Mas a Fannie Mae e Freddie Mac financiam-se (ou antes, financiavam-se) no mercado (ainda que pairando a áurea que a sua dívida tinha um risco menor… como se comprova…).

    Suponho que os títulos de dívida de ambas tenham passado a servir para recorrer a financiamento pelos Bancos no FED (ou injecções de liquidez).

  4. Ricardo Arroja

    CN e Anti-comuna,

    Mas, dada a actual situação, qual era a alternativa? Francamente, não vejo nenhuma. Deixar esta gente falir não era solução.

    Com esta táctica, eliminaram a incerteza que pairava no mercado, despediram os executivos, acabaram com o dividendo de forma a penalizar os investidores e, agora, se o Treasury e FED forem inteligentes, podem atacar o verdadeiro problema associado ao subprime: a forma como as securitizações se transaccionem em OTC entre os bancos. Leiam este meu post pf

    http://pedroarrojagrupofinanceiro.blogspot.com/2008/09/off-guard-saviour.html

    ra

  5. “Deixar esta gente falir não era solução.”

    Por quê?

    As instituições financeiras têm algum regime especial ou gozam de algum privilégio divino que as isente da lei das falências? Afinal há sectores da Economia “de 1ª” e “de 2ª”?

  6. Ricardo Arroja

    João Luís,

    Isso do liberalismo a 200% só acontece nos livros e nas aulas de Economics 101. Na vida real, temos de adoptar soluções pragmáticas. Seria um suícidio financeiro contemplar a falência de duas entidades que juntas valem metade de todo o mercado hipotecário. Seria lançar o caos…um cenário de Madmax versão moderna…além do mercado hipotecário, viria a abaixo o mercado accionista, o dólar, as poupanças depositadas nos bancos e sabe-se lá mais o quê. E acha que as pessoas ficariam impávidas e serenas a assistir a tudo isto?? Claro que não. Iam para a rua…olhe, eu pelo menos ia!

    ra

  7. CN

    “podem atacar o verdadeiro problema associado ao subprime: a forma como as securitizações se transaccionem em OTC”

    Ricardo, a securitização nunca poderá constituir um problema em si mesmo, quando muito a falta de experiência passada pode ter resultado em más avaliações, pagando um preço por isso, mas isso o mercado aprende.

    O que o mercado não apreende são os ciclos económicos via expansão monetária dos BCs.

    Quanto à falência, isso levaria à liquidação dos activos as suas carteiras de crédito pelos financiadores de ambas.

    “Too big to fall” então passou a ser um jogo giro: todos têm incentivo a conseguir maior crescimento possível para atingir o status de “too big to fall”. Suponho que isso representa um novo (pensando bem sempre terá sido assim) patamar do Capitalismo de Estado.

  8. Ricardo Arroja

    “a securitização nunca poderá constituir um problema em si mesmo”, CN

    Mas eu não disse o contrário. A securitização é um óptimo instrumento. O problema está na avaliação em OTC. Enquanto a conjuntura associada ao activo subjacente está boa, as contrapartes lá se vão entendendo quanto ao preço da coisa, os volumes de transacção aumentam e é tudo um espectáculo. Quando a coisa começa a correr mal no mercados do activo subjacente é que são elas. As contrapartes deixam de ser entender, ninguém quer cotar os activos e está tudo lixado.

    Se a maioria destes asset backed securities estivessem em mercado cotado, não tinhamos estes problemas.

    ra

  9. CN

    Ricardo

    Isso percebo, mas o “mercado organizado” não tem necessariamente de ser mais liquido. Na energia (electricidade, carvão, gás) por exemplo não é de todo, o OTC domina.

    O que se vai passar a ter é mais cuidado com as “inovações.”, devendo o mercado tradicional de gestão de activos ser mais cauteloso perante a “ultima grande ideia” que os comerciais lhes colocam à frente.

  10. “Na vida real, temos de adoptar soluções pragmáticas.”

    O problema é quando temos que colher, como agora, as consequências do “pragmatismo”, e as tentamos resolver com ainda mais “pragmatismo”.

    É preferível viver numa ficção agradável e “pragmática”, mesmo que completamente desprovida de realismo, ou encarar de vez os problemas de frente?

    De resto, faço minhas as palavras do CN: “‘Too big to fall’ então passou a ser um jogo giro: todos têm incentivo a conseguir maior crescimento possível para atingir o status de “too big to fall”. Suponho que isso representa um novo (pensando bem sempre terá sido assim) patamar do Capitalismo de Estado.”

  11. Ricardo Arroja

    “Na energia (electricidade, carvão, gás) por exemplo não é de todo, o OTC domina”

    Pois é. E veja-se no que deu no caso do fundo Amaranth…um grande estouro, o maior de sempre, maior que o LTCM…que curiosamente também se meteu no OTC antes de rebentar! E mesmo no caso mais recente do Ospraie, o OTC, provavelmente, também teve o seu impacto.

    Quanto mais leio acerca do assunto, mais me convenço que os maiores perigos financeiros provêm sempre do mercado não cotado. Sempre.

    ra

  12. Ricardo Arroja

    “É preferível viver numa ficção agradável e “pragmática”, mesmo que completamente desprovida de realismo, ou encarar de vez os problemas de frente?”

    Mas, Carlos, não é assim que vivemos desde a abolição do sistema padrão ouro? De resto, o problema, tal como já insisti anteriormente, tem a ver como os bancos securitizaram os activos subprime e depois os transferiram entre si a preços totalmente descabidos e inflacionados. É isso que eu gostaria que as autoridades abordassem.

    ra

  13. CN

    Ricardo

    O OTC é onde está a inovação financeira. A inovação tem riscos comportados por quem participa (livremente) nele.

    O que eu acho é que o “disclosure” contratual da gestão de activos é que deve evidenciar bem se investe apenas em “mercados cotados” ou se em OTC (e em que proporção máxima possível).

  14. Ricardo Arroja

    “O OTC é onde está a inovação financeira. A inovação tem riscos comportados por quem participa (livremente) nele.”

    Sim CN.

    Mas não será razoável esperar-se um pouco de regulação sobre o OTC quando a “inovação” passa a ser prática “mainstream”?

    ra

  15. anti-comuna

    Caro Ricardo,

    Se o problema é a especulação no OTC que se impeça determinadas instituições em meterem-se onde não têm capacidade para retirarem-se do mercado a tempo. Ou sem elevados custos.

    O problema não está no OTC estás nos seus agentes. A Amaranth faliu e deu uma lição aos que julgam que brincar aos mercados é como planear trading no papel.

    Se os estados deixassem falir nunca chegariamos a este ponto. Ou seja, quanto mais o estado intervém maior a intervenção futura para salvar novos agentes do mercado. Ora, vai chegar o dia quem não há estado nenhum capaz de salvar um mau operador, tal o seu gigantismo. E as complexas ligações entre vários países, mercados e até reguladores.

    Isto é um erro que um dia ainda nos vai ficar mais caro.

    Enfim… Pragamático, sim. Deixar os bandalhos enriquecerem à custa dos dinheiros alheios, quase como roubo á vista desarmada, não!

    E isto foi mesmo uma roubalheira de todo o tamanho. Á medida que o mercado hipotecário e seus derivados perdiam valor, muitos foram comprando, fazendo média. Depois pressionaram o governo americano e este garantiu os lucros fabulosos dos que andaram a comprar, sabendo que há ali muito lixo. Mas também sabiam que pressionando as autoridades públicas e assustando a opinião pública, o estado cedia e garantia o retorno a estes investidores.

    E desde os chinocas ao Gross…

    Mas ainda houve aqueles que se financiaram junto da Reserva Federal, comprar os créditos hipotecários a muito baixo preço, com o dinheiro da Fed, e agora terão lucros astronómicos, com risco muito baixo.

    Afinal o crime compensa, certo?

  16. Ricardo Arroja

    Comentário por anti-comuna — Setembro 8, 2008 @ 4:25 pm

    Anti-comuna: preciso de tempo para absorver e responder a tantos argumentos!

    Quanto ao seu grande receio, a caixa de Pandora, concordo. O problema, meu caro, é que quando o risco de falência começa a atingir directamente a carteira do Mom & Pop, como está a acontecer este ano, a pressão política no sentido de se fazer alguma coisa destroi qualquer idealismo liberal que se possa ter. É como o keynesianismo e a ideia de utilizar os superavites e os défices para contrabalançar os ciclos económicos…na vida real não funciona porque, a prazo, só há vontade política de produzir défice. No tema de “Too big to fail”, passa-se algo de semelhante.

    ra

  17. João e Ricardo, tomem lá a solução liberal para o problema social-democrata das GSE’s.

    09:58 – JUST NATIONALISE THEM:

    The US government takeover of the mortgage giants Fannie Mae and Freddie Mac is presented as a major government intervention. Well, it is. But an even bigger one was the government decision to create them and to give them an implicit backing so that they could borrow cheaper and grow to dominate the mortgage market (their real names are the more officially sounding Federal National Mortgage Association and the Federal Home Loan Mortgage Corporation).

    The idea was that these government mission/private owners/government guarantees-hybrids would think more long-term and be more socially responsible than real capitalist institutions. Of course the opposite was the result. What would you do in Las Vegas if you could keep all the gains but send all your losses to the taxpayers? Well, they did all that and hired the best team of Washington lobbyists to protect their privileges against every reform proposal.

    Let´s hope that this nationalisation is the beginning of the end. Clean them up, break them up and privatise the pieces. It´s time for the demolition crew.

    http://www.johannorberg.net/?page=displayblog&month=9&year=2008#2839

  18. Ricardo Arroja

    “Se o problema é a especulação no OTC que se impeça determinadas instituições em meterem-se onde não têm capacidade para retirarem-se do mercado a tempo”

    Voilá. Acho que esse seria o caminho certo.

    ra

  19. CN

    Anti-comuna

    “Mas ainda houve aqueles que se financiaram junto da Reserva Federal, comprar os créditos hipotecários a muito baixo preço, com o dinheiro da Fed, e agora terão lucros astronómicos, com risco muito baixo.”

    De facto pela primeira vez os Bancos de Investimento (só os Bancos com depósitos podiam recorrer aos BCs, estes devem/deveriam apenas actuar sobre quem tem depósitos como passivo) passaram poder recorrer ao financiamento (criação monetária do FED) usando os seus títulos hipotecários.

    Enquanto continuarem a ignorar os efeitos da expansão monetária o sistema dá mais um salto para a frente em cada ciclo. Até…

  20. Ricardo Arroja

    “Enquanto continuarem a ignorar os efeitos da expansão monetária o sistema dá mais um salto para a frente em cada ciclo. Até…”

    Até voltarmos ao padrão qualquer coisa. Mas lá está, isso é o que devia acontecer em teoria. Na prática, mais uma vez, é impraticável -a ficção vai manter-se. Mais ainda agora, que o dólar iniciou um novo bull market.

    ra

  21. “Quanto ao seu grande receio, a caixa de Pandora, concordo. O problema, meu caro, é que quando o risco de falência começa a atingir directamente a carteira do Mom & Pop, como está a acontecer este ano, a pressão política no sentido de se fazer alguma coisa destroi qualquer idealismo liberal que se possa ter.”

    E como tal, repete-se a receita e avança-se tranquilamente para o próximo emperrar do sistema.

    O problema é pensar que estas intervenções são inócuas. E que o Mom&Pop não são afectados. Se calhar só se percebe quando a Mom&Pop chegarem à conclusão que sim senhor, efectivamente recebem o dinheiro que lhes foi “prometido”, mas que quando o receberem já não dá para mandar cantar um cego. Podemos não estar a falar dos Mom&Pop de hoje, mas dos de daqui a uns anos…

    A perspectiva de que é viável uma sucessão de “ups” sem “downs” é completamente irrealista, e (pior) irresponsável. Entretanto, os que se estão marimbando para os Mom&Pop de daqui a uns anos, como bem diz o anti-comuna, vão enchendo o saco à custa do “pragmatismo” e do wishful thinking de que tudo, afinal, se vai endireitar por milagre. O risco corre por conta. Afinal, quando o Mom&Pop forem levantar o seu saco de papel ao banco, já estarão provavelmente todos mortos.

  22. CN

    “Let´s hope that this nationalisation is the beginning of the end. Clean them up, break them up and privatise the pieces. It´s time for the demolition crew.”

    Sim, isso e a socialização das perdas de “Wall Street” (quem sabe, financiadores do CATO).

    “que se impeça determinadas instituições”

    Não sei porquê. Cada um que invista no que quer desde que faça o disclosure.

    Além disso, hoje em dia pensa-se que se pode investir a 30 anos, e julgar que pode transformá-lo em dinheiro de um dia para o outro se assim precisar.

    È uma falácia pensar que assim é. Não é, senão que sentido faria existir crédito a longo prazo e a curto prazo?

    O que contribui para isso é a permanente inflação monetária que em ciclos de subida (pós correcção da ultima crise) dá a ideia (errada) que existe dinheiro (poupança ) para tudo e todos.

  23. anti-comuna

    Na minha opinião, precisavamos de mudar as regras todas e trazer mais regulação aos mercados. Mas não uma regulação insensata, no sentido de impedir o surgimento de novos produtos e serviços. Mas sim, dividir muito bem as águas, separando os vários agentes do mercados.

    Porque considero inconcebível que se tenha acabado com o fim da separação entre banca de investimento e de retalho, por exemplo.

    Por outro lado, é absolutamente imprescendível acabar com a famosa criação do dinheiro do nada, que na prática coloca o dominio do sistema económica nas mãos da banca, pois esta consegue financiar-se sempre melhor e quando quer, ao contrário dos demais agentes do mercado. Em vez de termos accionistas e investidores a dominarem claramente a banca, passa-se o contrário. Esta é que domina quase toda a vida económica.

    Só por aqui já começavamos a dominar este sistema pérfido.

    Uma das falácias que tem sido vendido ao mundo é que o fim da, digamos, separação das águas, entre os vários players, iriamos ter menos custos e mais inovação financeira. Na verdade, em termos de inovação tivemos mas os riscos cresceram exponencialmente. E até é natural, na medida em que o risco destas grandes aglutinadoras de dinheiro e poder aumenta, em vez de diminuir com a liberalização das suas actividades. Lembro-me sempre do príncipio aplicado aos petroleiros, em que existem compartimentos estanques, de modo a que o risco baixe drásticamente, em caso de torura no seu casco. (Aliás, a maioria da gestão do riscos dos sistemas assenta nesse príncipio. Até as células comunistas funcionavam assim, como as sociedades secretas.)

    Agora não. Permite-se que instituições com capitais próprias baixos possam alavancar-se brutalmente e investir em produtos financeiros que eles próprios desconhecem como funcionam, logo o seu risco. É por isso que uma falência deste tipo de instituições provoca logo um rombo no sistema e exponencie o risco sistémico para níveis que ameaçam desabar todo o sistema, a começar pelo ruir do normal funcionamento dos mercados, em especial no toca á liquidez e fluidez.

    Ao permitirmos que estes mastodontes envolvam-se em quase todo o tipo de negócios, ainda por cima com vantagens competitivas evidentes face aos demais agentes económicos, eles crescem à custa dos demais agentes e eles próprios tornam-se um risco elevado quando mal geridos. Ou apanhados num, digamos assim, black swan. E depois ainda chanatgeiam o resto do mercado, porque, “demasiado grandes para falhar”.

    A reserva federal foi mesmo criada nesse pressuposto. Garantir a uma élite financeira o acesso ao poder e à máquina do dinheiro, em caso de crise sistémica, acabando por abocanhar ainda mais quota de mercado, à custa dos mais fracos.

    Está-se mesmo a ver que uma Grande Depressão é inevitável. Mas não será como a da Década de 30, do século passado. Será ainda pior, como a que ocorreu quase 60 anos antes.

    Da maneira como está o sistema construido, para mim fica claro que as crises bancárias irão aumentar de intensidade e frequência. Vamos voltar a ter crises destas a cada 7 anos. Tal como no século XVIII e XIX.

    Ver-se-á o que nos espera o futuro. pagarei para ver. 😉

  24. CN

    “Da maneira como está o sistema construido, para mim fica claro que as crises bancárias irão aumentar de intensidade e frequência. Vamos voltar a ter crises destas a cada 7 anos. Tal como no século XVIII e XIX.”

    Essas crises em comparação eram muito passageiras e sempre devido a falências bancárias por bancos que emitiam mais depósitos e notas do que ouro detido.

    Por outro lado, mesmo sendo séculos de enorme crescimento, os preços desciam.

  25. anti-comuna

    Tem razão, caro CN. Mas as crises que aí vêm não serão como essas. Serão mais profundas, mais longas e se calhar acompanhas por… Deflação emperdernidas!

    Acho que as crises que se avizinham serão piores. A menos que se ponha mão nesta gente, que desata a emitir dinheiro como quem imprime bilhetes de cinema.

    É que há conta de querer evitar crises pequenas e falências de alguns maus gestores, acabaremos por ter crises maiores e com mais profundas mazelas sociais. É impossível manter um sistema como este, em que está tudo endividado. Em que se cria dinheiro do nada como se fosse um passe de mágica. Tarde ou cedo, a facturá virá. E quanto mais tarde vier maiores os custos.

    Será o salve-se quem puder. 😉

  26. CN

    anti-comuna

    O problema (de uma situação extrema) potencial a existir nunca será deflação monetária e de preços porque os BCs irão injectar toda a liquidez necessária para o impedir. O problema será a hiper-inflação que pode resultar disso.

    Outro problema é o da percepção, cada ciclo económicos torna as pessoas desconfiadas do “mercado” (quando na realidade deviam era ficar desconfiadas dos Bancos Centrais).

  27. anti-comuna

    “O problema (de uma situação extrema) potencial a existir nunca será deflação monetária e de preços porque os BCs irão injectar toda a liquidez necessária para o impedir.”

    Bem, eu aqui não tinha tanta certeza. Como Vc. bem aponta, basta o mercado desconfiar dos demais agentes, para que essa liquidez não tenha efeitos práticos. Aliás é o que se está a passar agora. Dinheiro existe, pois os bancos centrais injectam o que seja preciso, mas se todos desconfiam uns dos outros (neste caso, os bancos não confiam nos balanços alheios), o mercado não funciona.

    Para mim, mais tarde ou mais cedo, todos nós teremos medo de até depositar 1000 euros numa porcaria de um banco. É por isso que anda tanta gente a distribuir os ovos por vários cestos.

    O futuro o dirá.

  28. anti-comuna

    Mais até digo. As justificações para a nacionalização do casal falido são um profundo sinal de aviso aos tomadores de dívida dos bancos. Porque, o tipo do Tesouro veio dizer ao mercado que há violações das regras da transparência, leia-se, maquilhagens das contas dos bancos, embora, pasme-se, o tipo diga que não é ilegal.

    Quando o responsável máximo pelo Tesouro americano vem dizer isto aos mercados, que vamos nós pensar de tudo isto? Anda todo o mundo a enganar o outro. Só que, lá está, a banca mundial está superendividada e vai ter que renovar os empréstimos que vão atingem o limite de idade. E quem os vai renovar, emprestando dinheiro aos bancos, se o próprio Tesouro nos diz que as contas apresentadas pela banca são manipuladas para esconder as reais perdas? Que são maquilhadas para esconder o seu verdadeiro risco? Que até muitas destes bancos estão mesmo em situação insolvente e falidos?

    Lá está. Apaga-se este fogo e acende-se logo outro.

    E assim vai o mundo da banca internacional… Glup!

  29. Pedro Arroja

    É claro que o governo americano fez aquilo que tinha a fazer – nacionalizar o Freddie Mac e a Fannie Mae. Qual era a alternativa? Deixar falir as empresas e desencadear o colapso do sistema financeiro americano e, por implicação, o do resto do mundo?

    E o mercado aprovou o que o Governo Americano fez, com subidas extraordinárias nas bolsas de todo o mundo durante o dia.

  30. Pedro Arroja

    Um verdadeiro liberal segue os ditames do mercado. E o mercado aprovou. Ponto final. Não há mais conversa.

  31. Jason Statham

    Invadindo metade dos países produtores de petróleo também agradará ao “mercado”. Logo, tudo o que o “mercado” aprova torna-se liberal. Como é que não me tinha lembrado disto antes.

    Você é maravilhoso ó Pedro Arroja!!…

  32. Jason Statham

    Note-se o tique tipicamente católico do «Ponto final, não há mais conversa» do Pedro Arroja.

  33. Jason Statham

    Solução para o declínio de uma indústria num país (imagine-se, sei lá, a siderurgia ou a construção de navios): nacionalizar.

    Afinal liberalismo é socialismo. Obrigadinho, Arrojaa.

  34. Jason Statham

    Roubar os cidadãos também se torna liberal se isso agradar ao “mercado” (ler, pessoas que especulam).

  35. Pedro Arroja

    Cale-se lá ó Jason, você não sabe o que está a dizer, aquilo que é típico de uma sociedade católica é pôr o dinheiro onde antes só se tinha a língua.

  36. Jason Statham

    Mandar calar oponentes também é típico de uma sociedade católica. Mas, pegando na sua máxima, o país onde mais é investido dinheiro é predominantemente católico? Quem investe são predominantemente católicos, que investiram em coisas onde previamente punham a lingua? Come on…

  37. Jason Statham

    Haverá alguém a pôr dinheiro em coisas onde nunca teve a língua? Você é genial, a sério, divirto-me. pena ser em português, antes soava mais a monti piton. Mas o conteúdo mantém-se.

  38. anti-comuna

    Caro Pedro,

    O mercado reagiu bem inicialmente, porque o risco sistémico baixou. Mas temporareamente. Porque se estava à espera desta medida, que desentalou muita gente.

    Mas relembro-o que já tivemos várias tentativas de colmatar a crise e todas elas falharam. Eu aposto (e tenho onde meto a boca) que vamos conhecer os mínimos, nos próximos tempos.

    A menos que os estados comecem a nacionalizar muitas instituições bancárias.

    A ver vamos.

  39. Pingback: Ponto final. Não há mais conversa. (uma semana depois) « O Insurgente

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