1 ano de Médio Oriente – Isto não é a Estónia

 

Poderia escrever um livro sobre o prazer que dá (deu) visitar alguns países do Leste Europeu enquanto homem solteiro e descomprometido. Todos aqueles que já passaram pela agradável situação saberão do que estou a falar, e aqueles que não o fizeram dificilmente acreditarão naquilo que lhes poderia dizer, pelo que o melhor não entrar em detalhes. Em conversas com pessoas que passaram pela mesma agradável situação, as explicações adiantadas para o facto são diversas: a diferente natureza das locais, o regime comunista que terá atirado muita daquela população para o ateísmo libertando-as das amarras morais da religião, o frio, o consumo de bebidas pesadas, a atracção pelo exótico visitante estrangeiro,… Mas a explicação poderá ser bem mais simples e de natureza económica (salvo seja): procura e oferta. Olhando para o ranking do rácio de homens por mulher, os países que aparecem classificados nos últimos lugares são:

 

Estonia 0.84 male(s)/female

Ukraine 0.86 male(s)/female

Russia – 0.86 male(s)/female

Latvia – 0.86 male(s)/female

Belarus – 0.87 male(s)/female

Lithuania – 0.89 male(s)/female

Armenia – 0.89 male(s)/female

Aruba – 0.91 male(s)/female

Hungary – 0.91 male(s)/female

Georgia – 0.91 male(s)/female

Moldova – 0.91 male(s)/female

Monaco – 0.91 male(s)/female

Virgin Islands – 0.91 male(s)/female

(retirado daqui)

 

Nos países de Leste europeu um homem é um bem (serviço?) raro e apreciado. O outro extremo da tabela parece suportar esta explicação:

 

United Arab Emirates 2.19 male(s)/female

Qatar 1.85 male(s)/female

Kuwait 1.53 male(s)/female

Bahrain 1.25 male(s)/female

Oman 1.24 male(s)/female

Saudi Arabia 1.20 male(s)/female

Palau 1.12 male(s)/female

Greenland 1.11 male(s)/female

Jordan 1.10 male(s)/female

Grenada 1.08 male(s)/female

(retirado daqui)

Neste extremo estão os países árabes, onde as mulheres serão o bem raro e os homens o bem abundante. Nestes países, as restrições ao convívio com as indígenas são maiores que em qualquer outra parte do Mundo. Talvez por ser mais rara e mais valorizada, os homens terão tendência em protegê-las mais, em especial dos visitantes. Esta protecção chega a estar presente na lei: por exemplo, nos EAU uma mulher que se case com um cidadão estrangeiro perde o direito à nacionalidade. Outras restricções impostas à vida social da mulher também poderão encontrar justificação neste facto.

A economia do sexo tem obviamente muito que se lhe diga mas uma coisa é certa: os homens estrangeiros na região do golfo demoram pouco tempo a percebera mensagem: com as mulheres locais, não há convívio. Isto não é a Estónia.

10 pensamentos sobre “1 ano de Médio Oriente – Isto não é a Estónia

  1. Carlos Guimarães Pinto

    Foi tirada na Dubai Horse Race. Este tipo de contrastes é a imagem de marca dos locais públicos do Dubai.

  2. Já agora, qual é o estatuto da poligamia no Dubai? Existe, e, caso exista, é muito praticada (se for assim, ainda agrava o racio)?

    “Outras restricções impostas à vida social da mulher também poderão encontrar justificação neste facto.”

    Inclino-me mais para ser uma herança religiosa, mas eu nunca foi para mais oriente que a Tunísia (pelo menos, desde que tenho consciência de mim).

  3. Carlos Guimarães Pinto

    Miguel, sim existe. Não é comum mas também não é muito raro. Com a emancipação das mulheres, começa a entrar em forte declínio (lê esta notícia já um pouco antiga mas que retrata a situação actual http://www.khaleejtimes.com/DisplayArticle.asp?xfile=data/theuae/2005/December/theuae_December248.xml&section=theuae&col=). Com a excepção do yemen, em quase todos os países a tendência é a mesma. E mesmo quando existe poligamia, tende a restringir-se à bigamia.

    “Inclino-me mais para ser uma herança religiosa(…)”

    A questão é que para a manutenção da herança religiosa concorrem muitos factores e este pode ser um deles. Se reparares, os países Muçulmanos evoluíram de formas muito diferentes nos últimos 100 anos, e este factor, entre outros obviamente, pode ter afectado essa evolução.

  4. Carlos Guimarães Pinto

    A Sharia é aplicada nos EAU, mas muito fléxível no Dubai. Um exemplo de uma lei da Sharia que a aplicar-se resultaria na deportação de muitos dos emigrantes é a proibição de co-habitação entre pessoas de sexo diferente se não forem da mesma família. É um pouco como atravessar fora da passadeira em Portugal…

  5. Nuno

    Já dizia a triste anedota:

    “Se no mundo existem 2 mulheres para cada homem anda aí um sacana com 4”.

  6. Luís Lavoura

    Como é que se explica que nos EAU haja mais de 2 homens por mulher? Isto inclui os imigrantes, ou é fruto de alguma política de infanticídio seletivo?

    No caso de estes 2 homens por mulher serem o resultado da imigração, então, e uma vez que a imigração para os EAU é um fenómeno relativamente recente, isso em nada justifica a forma como, culturalmente, as mulheres são olhadas nos EAU.

    Já na Rússia a coisa é diferente: a Rússia tem um enorme excesso de mulheres sobre homens já desde há muitas décadas – já vem do tempo do czarismo. Creio que se deve a fenómenos como o alcoolismo masculino (verifica-se um fenómeno análogo no território do Yukon no Canadá, segundo uma vez me contou uma mulher de lá). Aí, compreende-se que a cultura se tenha adaptado a esse desequilíbrio demográfico.

  7. Nuno

    “Como é que se explica que nos EAU haja mais de 2 homens por mulher? Isto inclui os imigrantes, ou é fruto de alguma política de infanticídio seletivo?”

    Não sei no caso dos EAU mas na India existem provas de abortos selectivos em fases da gravidez que permitem determinar o sexo do feto:

    http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/south_asia/4592890.stm

    Em algumas áreas foram restringidas as ecografias para os pais…

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