Os complexos de superioridade moral da extrema-esquerda

Escreve o Filipe Moura, no 5 Dias:

Dito isto, creio que há um equívoco da parte de Ana Sá Lopes relativamente à posição de João Miranda. Não vi João Miranda lamentar nenhuma morte. Conforme já aqui escrevi há uns dias atrás, o que incomoda João Miranda em todo este processo não é a morte do sequestrador em si, mas o facto de esta ter sido perpetrada pelo Estado (neste caso, representado pelo agente da polícia). Permitisse a legislação o livre porte de armas, resultasse a morte do sequestrador, nas mesmas circunstâncias, da acção de um segurança privado do banco ou de qualquer outro civil armado (mas nunca de um agente do Estado) e tudo estaria bem para João Miranda. Até poderia ser não só um mas vários sequestradores a morrerem. É esta a forma de pensar da direita libertária.

Por estes dias, entre Insurgentes, discutia-se os disparos da polícia no assalto ao BES. Pareceu-me haver um consenso em redor da dificuldade de avaliar a acção da polícia, por se tratar de uma situação-limite; houve quem achasse que a conduta foi a correcta; outros, entre os quais, eu, pese embora não criticassem a acção da polícia, dado o contexto, manifestamos algum desconforto pelo facto de ter havido disparos e mortes.

No quadro libertário, não é habitual encontrar pessoas que desprezem vidas humanas, ou que se satisfaçam com chacinas. Aliás, não há registo na História das ideias libertárias patrocinarem massacres (disso as ideologias de esquerda não se podem gabar). O que o Filipe Moura escreve – na linha, aliás, do complexo habitual de superioridade moral da esquerda – é um insulto e uma enorme arrogância. Uma tristeza, mesmo.

13 pensamentos sobre “Os complexos de superioridade moral da extrema-esquerda

  1. Há uma coisa que não consigo entender no meio de toda esta discussão: o facto de se misturar os disparos da polícia com política. É uma coisa a que nos vamos já habituando, em todas as questões existem opiniões dos de esquerda e opiniões dos da direita, quem chega primeiro escolhe, quem chega depois fica com o que sobra. Pessoalmente acho que a conduta foi correcta e considero-me liberal (tanto no sentido económico como no político). Isto é uma questão ética e não uma questão política.

    um abraço,

    TMR

  2. Justiniano

    O dito de Filipe Moura vem na senda da chamada ocupação pela esquerda do quadro liberal! E cada vez mais atrevidos, tanto que um qualquer dia se apropriam do campo liberal!
    Já não consigo discutir mais o célebre caso do BES…esgotei! Creio que a PSP percebeu, posteriormente, a melhor doutrina para o futuro! E ainda bem que assim é!
    Agora em relação à esquerda…realmente não sei o que pretendem! Assimilaram o quadro Constitucional Liberal e tentam compaginá-lo com algum socialismo económico possível!?
    Aproveitar algum aparente antagonismo entre individualismo e propriedade!? Subsverter até à corrosão as Instituições do Estado de Direito Liberal!?
    Não sei!

  3. A arvorada superioridade moral da extrema esquerda não passa, como se sabe, de uma fachada.

    Estaa aventesmas são useiras e vezeiras na mentira e no assassinato de carácter. Tudo o que faça avançar a “causa”.

  4. Porra, mas passado tanto tempo ainda ninguém se interroga sobre quem deu a ordem do disparo?

    “Há uma coisa que não consigo entender no meio de toda esta discussão: o facto de se misturar os disparos da polícia com política.”

    Ó caro amigo, é que aquele incidente nada teve a ver com polícia mas política! Se fosse um acto policial, em todos os sequestros e roubos a bancos haveria mortes. O polícia deu o tiro mas foi um mero executante de uma ordem, dada por políticos, nomeadamente o Rui Pereira (presente no local mais a sua amiga procuradora Cândida Vilar). Dizer que o incidente do BES é da responsabilidade da polícia é, antes de mais, uma tentativa de branquear a culpa dos próprios sequestradores, mas também seria o mesmo que atribuir as culpas da excessiva carga fiscal aos funcionários das finanças, e não aos políticos.

    Também por isso é que o Rui Pereira mandou colocar em SEGREDO DE ESTADO um simples relatório do IGAI relacionado com os disparos dos agentes de segurança com a desculpa que poderia colocar em risco o próprio Estado – isto nem em Angola! Em democracia até os julgamentos são públicos, que implicam tanta coisa, quanto mais um simples relatório sobre a actuação dos polícias (e sobre as ordens que têm).

    Será que mais ninguém acha isto, no mínimo, estranho?!

  5. Não percebo como é que ainda há quem ligue a (ou perca tempo a falar de) alguém como o Miranda, cujo grau de alucinação atingiu dimensões insuspeitadas com o caso do assalto ao BES.
    Presumo que o homem estará, neste momento, em qualquer clínica de recuperação, porventura numa terapia do sono.
    Deixem-no em paz, portanto. Pode ser que fique por lá.

  6. a culpa é do João… de tanto andar a pregar o mesmo (e sem razão) toda a gente lhe cai em cima… é um bom teorico liberal, mas fica por ai… é um razoável critico do (des)governo em que vivemos, mas para além disso esgota a sua capacidade… o que é uma pena.

  7. atom

    Então:
    E acerca do assalto a uma ourivesaria de Setúbal, em que o assaltado foi baleado na cabeça, e morreu, ninguem diz nada?

  8. Pedro

    De tanto falarem do “complexo de superioridade da esquerda”, eu acho que os complexados são vocês. Não há diga em que não façam o choradinho do “compexo de superioridade da esquerda”. Grown up. Deixem-se vocês de queixas e complexos.

  9. OLP

    Não há dia que um bom “esquerdista” se arrogue a “psicologo social” daquilo que ele considera a direita.
    Sempre adulto e “resolvido” psicologicamente, politicamente, socialmente,educacionalmente e mais outros ..mentes.
    É a tal superioridade (revista na analise dos outros).
    Deviam era todos ir para padres.

  10. Caro Pedro,

    Gostava que eu escrevesse que você é a favor dos assassinatos, desde que praticados pelo Estado? é que é isso que o Filipe Moura diz, em sentido inverso: que a lógica libertária só se indigna quando os assassinatos são praticados pelo Estado, que nada diria se as balas fossem disparadas por milícias/seguranças privados.
    Como se a defesa da vida e exigência de proporcionalidade do uso da força fosse um monopólio moral da esquerda.

    Mas, claro, é mais fácil desconversar, como o fez com o seu comentário.

    Volto a perguntar, agora de outra forma: acha que a direita libertária defende o uso indiscriminado da força, sem sujeição aos limites da proporcionalidade, com o risco de pôe em causa a vida de outrem?

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