Empurrar a factura para a frente

Público

O Conselho de Ministros aprovou ontem um diploma que limita a actualização real dos preços da electricidade nos anos afectados por “factores excepcionais” e que se aplica a 2009. (…)

Este será o segundo ano consecutivo em que o Governo limita a subida da electricidade depois de o efeito da decisão de 2007 já se ter esgotado. No final do primeiro semestre, o défice tarifário do país tinha voltado a subir para os níveis do ano passado.(…)

As contas semestrais da REN e da EDP, apresentadas nos últimos três dias, confirmaram (…) um desvio acumulado das estimativas de preços da energia e do câmbio euro/dólar para 2009 de 772 milhões de euros (correspondente a 400 milhões da EDP, 47 milhões da REN e 325 milhões que transitam do ano passado), sobretudo devidas ao salto nos preços do carvão e do gás natural. Este desvio traduz, na prática, o bolo das tarifas que o consumidor tem em dívida perante as companhias eléctricas, que se constituem credoras nesta situação.

Com eleições legislativas no próximo ano é natural (o que não significa que seja acertado) que o governo queira evitar todas as medidas que provoquem descontentamento no eleitorado. E neste caso nem pode invocar a “herança do passado”.

Não posso, também. deixar de registar que este governo que faz da diversificação e poupança energética uma das suas bandeiras rejeita uma medida que seria bem mais eficaz. Prefere subsidiar alternativas não-rentáveis que aumentam, ainda mais, a factura a pagar pelos contribuintes.

7 pensamentos sobre “Empurrar a factura para a frente

  1. And, yet,

    Correio da Manhã – 1 hora atrás

    O Governo anunciou que vai limitar a subida do preço da electricidade em 2009, pela segunda vez em pouco mais de um ano, depois de na última semana a EDP ter revelado lucros líquidos de 700 milhões de euros relativos aos últimos seis meses, mas ainda assim lamentando a diferença entre as tarifas da electricidade e o custos reais de produção.

    http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?channelid=00000021-0000-0000-0000-000000000021&contentid=FDE671BF-B221-4E86-BAD8-EF2E384A17FD

  2. Luís Lavoura

    Eu tenho a impressão de que, se o governo permitisse o aumento devido do preço da eletricidade (30%), poderia perfeitamente deixar de subsidiar algumas das energias “não convencionais” que subsidia, pois que elas passariam a ser rentáveis.

    Registo ainda que o governo classifica como “fator excecional” uma subida do preço do petróleo que, todos hoje em dia concordam, é inevitável e veio para ficar (porque sem ela não seria rentável a exploração de muitas das novas fontes de petróleo descobertas, como por exemplo aquele que se encontra a mais de 3000 metos de profundidade ao largo do Brasil).

  3. Já estava à espera dessa confusão.

    1. O défice tarifário diz repeito à facturação. Para se chegar aos lucros temos que adicionar os restantes proveitos e subtrair todos os custos. Resumindo, facturação é diferente (embora afecte) de lucros.

    2. O montante do défice tarifário [adenda=é um proveito e] aparece no activo da EDP tal como os restantes valores a pagar pelos clientes. Logo défice de exploração é neutral no apuramento do lucro/prejuízo da EDP.

    Nota: Estou a referir-me ao comentário do Diogo (aka citadino)

  4. O défice tarifário é a diferença entre o que seria o valor real da factura e o que o governo (esqueçam a ERSE que o governo parece não querer saber dela parqa nada) deixa que a EDP cobre. Idealmente este valor será positivo nuns anos e negativo noutros.

    Se o governo decidisse anular o défice tarifário suspeito que a EDP passasse de lucros a prejuízos.

  5. Quanto ao monopólio. Não sei sabem mas no último governo de Cavaco Silva estava previsto a cisão da EDP em várias empresas (mesmo na distribuição). O governo de Guterres que lhe sucedeu decidiu anular essa decisão.

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