O socialismo é progressista

“Nós somos socialistas, nós somos inimigos do actual sistema económico capitalista para a exploração dos economicamente fracos, com os seus salários injustos, com a valorização imprópria dos seres humanos com base na riqueza e no património, em vez da  responsabilidade e da produção. Nós estamos determinados a destruir este sistema em quaisquer condições.”

Um doce para quem adivinhar o autor progressista destas verdades eternas.

31 pensamentos sobre “O socialismo é progressista

  1. Será este?

    “Se, na origem da civilização material de hoje, vemos sempre personalidades que se completam umas às outras e sempre realizam novos progressos, o mesmo acontece na execução e aperfeiçoamento das coisas descobertas. Os vários processos de produção, em última análise, são sempre obras de determinados indivíduos. O trabalho puramente teórico que, em relação a cada pessoa, dificilmente se pode medir, e que representa a condição indispensável para todas as descobertas posteriores, até esse trabalho é produto individual. As massas nunca inventam, nunca organizam ou pensam por si. No início de tudo está sempre uma atividade individual.”

    “Uma coletividade humana só é bem organizada quando facilita, por todos os modos possíveis, o trabalho desses elementos criadores e utiliza-os em benefício da comunidade.”

    “O que há de mais importante em matéria de invenções, quer se trate de invenções de ordem material quer de descobertas no mundo do pensamento, é sempre o fruto da força criadora de um indivíduo.”

    “Utilizá-las em benefício da coletividade é a primeira e a mais elevada tarefa da organização social, que deve ser apenas o desenvolvimento desse princípio. Por isso deve livrar-se da praga da orientação mecânica para transformar-se em uma organização viva. Deve ser, em si mesma, a corporificação do esforço para pôr os valores individuais acima das massas e subordinar essas àqueles.”

    “Essa organização não deve impedir que os valores individuais surjam do seio das massas, mas, ao contrário, por uma ação consciente, deve promover essa evolução facilitando-a por todos os meios possíveis. Deve partir do princípio de que a prosperidade do gênero humano nunca é devida às massas, mas às cabeças criadoras, que, por isso, devem ser vistas como benfeitoras da espécie.”

    “Facilitar-lhes a mais vasta influência está no interesses da coletividade. Esse interesses nunca será atendido pela dominação das massas incapa7es mas Cinicamente pela direção das almas privilegiadas pela Natureza. A áspera luta pela vida, mais do que qualquer outra causa, concorre para o aparecimento dos indivíduos superiores. Nessa luta muitos sucumbem, não resistem às provas, e, no fim, somente poucos aparecem como os escolhidos.”

    “Nos domínios do pensamento, das criações artísticas e até nos da economia, ainda hoje esse processo de seleção se verifica sempre, embora. no terreno econômico, encontre grandes obstáculos.”

  2. A. R

    Não devem ser de comunista.
    Primeiro: porque pagam salários baixíssimos a toda a gente.
    Segundo: exploram todos os trabalhadores e tiram-lhes o prazer de dar um pontapé no rabo de um patrão e escolher outro melhor ou até ser ele próprio dono do seu trabalho.
    Terceiro: nunca venceram qualquer batalha de produção e nunca foram auto-suficientes na produção de trigo e muitos outros bens de 1ª necessidade.
    Quarto: Não sei se valorizam a riqueza e o património mas um deles até explodiu com uma central nuclear para subir na hierarquia do partido.
    Quinto: centenas de trabalhadores morreram em condições miseráveis de desprezo da vida humana em minas de carvão, muitos numa central nuclear a fervilhar de radiação e milhares em deportações (alguns queimados vivos num deportação no Cáucaso).
    Mistério?

    Mas como os comunistas são hipócritas e sempre se impõem pelas armas deve ser gente do PREC ou arredores.

  3. Fernando S

    O mesmo que também disse :

    “Eu não sou apenas o vencedor do marxismo … sou o que o realiza. Aprendi muito do marxismo, não o escondo … O que me interessou e aprendi com os marxistas, são os seus métodos. Eu apenas levei a sério o que eles tinham pensado … Estes novos meios de luta politica foram quase todos inventados pelos marxistas. Bastou-me adopta-los e desenvolve-los para ter o instrumento de que necessitavamos …”

  4. Talvez o chefe do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. O que dizia que os “meus desacordos com os comunistas são menos ideológicos que tácticos” e “agora que a idade do individualismo terminou, a nossa tarefa é encontrar o caminho que conduza ao socialismo”, e que “o problema dos políticos de Weimar foi nunca terem lido Marx”.

    O Adolfo, chefe do Partido Partido Nacional Socialista cujo Programa era praticamente decalcado das medidas preconizadas no Manifesto Comunista e que incluia:

    -O primeiro dever do cidadão é trabalhar, física ou intelectualmente. A atividade do indivíduo não deve prejudicar os –interesses do coletivo, mas integrar-se dentro desta e para bem de todos.
    -A supressão do rendimento dos ociosos e dos que levam uma vida fácil, a supressão da escravidão do juro.
    -Pedimos a nacionalização de todas as empresas que atualmente pertencem a trusts.
    -Pedimos uma participação nos lucros das grandes empresas.
    -Pedimos um aumento substancial das pensões de reforma.
    -Pedimos a criação e proteção de uma classe média sã, a entrega imediata das grandes lojas à administração comunal e o seu aluguer aos pequenos comerciantes a baixo preço. Deve ser dado prioridade aos pequenos comerciantes e industriais nos fornecimentos ao Estado, aos Länder ou aos municípios.
    -Pedimos uma reforma agrária adaptada às nossas necessidades nacionais, a promulgação de uma lei que permite a expropriação, sem indemnização, de terrenos para fins de utilidade pública – a supressão de impostos sobre os terrenos e a extinção da especulação fundiária.
    -Pedimos que o Direito romano seja substituído por um direito público alemão, pois o primeiro é servidor de uma concepção materialista do mundo.

    O ovo da serpente é o mesmo.
    De resto, tb Mussolini era da ala esquerda do Partido Socialista Italiano.

  5. A passagem do Mein Kampf que eu citei não parece muito marxista, e aí é mesmo o Hitler a escrever, não é o Rauschning a pôr palavras na boca dele.

  6. “passagem do Mein Kampf que eu citei não parece muito marxista”

    Esta passagem do Evangelho tb não parece muito cristã.
    “Não julgueis que vim trazer paz a Terra; não vim trazer-lhe paz, mas espada…”(Mateus, X: 34-36).

    O MM pesca é bom na pesca à linha.

    Devolva-se-lhe a pescaria:
    Por exemplo, será “marxista” a interrogação de Marx em “Revolução e Contra-Revolução, na revista Neue Rheinischer Zeitung, 1849,sobre se seria possível “desembaraçarmo-nos dessas populaças moribundas, os boémios, os caríntios, os dálmatas, etc”?

    O bom pescador só vê o peixe que quer ver…

  7. “O MM pesca é bom na pesca à linha.”

    Quase todos os comentários deste post (e o próprio post*) são “pesca à linha” – pequenas citações escolhidas para ilustrar uma dada posição. A minha citação até e das maiores e menos descontextualizada (quase metade de um capitulo do Mein Kampf em vez de uma ou duas frase), logo já será pesca de traineira.

    *de qualquer forma, tanto eu como o autor do post somos de terras com tradição piscatória

  8. As citações do Miguel Madeira não colocam em causa o socialismo de Hitler e do partido nacional-SOCIALISTA. Apenas mostram que a variante do marxismo defendida por Hitler está temperada pela filosofia alemã do século XIX. Os desastres do século XX são tão filhos de Hegel como de Marx.

  9. “Apenas mostram que a variante do marxismo defendida por Hitler está temperada pela filosofia alemã do século XIX.”

    O Hitler fartou-se de dizer (pelo menos, nos textos que escreveu, como o Mein Kampf) que o seu socialismo nada tinha a ver com o marxismo. Mesmo que o marxismo e o nacional-socialismo tenham antepassados comuns (tanto da parte do hegelianismo, como da parte do Romantismo alemão) isso não torna um uma variante do outro (por essa ordem de ideias, via a influência partilhada de Adam Smith e Ricardo, o marxismo seria uma variante da economia da Escola de Chicago, ou vice-versa – um nacional-socialista provavelmente concordaria, dizendo que “o marxismo é o capitalismo do proletariado”)

  10. Fernando S

    Quem escreveu ?…:

    “Emancipation from huckstering and money, consequently from practical, real Jewry, would be the self-emancipation of our time…. We recognize in Jewry, therefore, a general present-time-oriented anti-social element, an element which through historical development — to which in this harmful respect the Jews have zealously contributed — has been brought to its present high level, at which it must necessarily dissolve itself. In the final analysis, the emancipation of the Jews is the emancipation of mankind from Jewry.”

    Podia ter sido Hitler. Mas não foi.
    Foi um insuspeito “marxista” !!

  11. “Podia ter sido Hitler. Mas não foi.
    Foi um insuspeito “marxista” !!”

    Duvido que Hitler se preocupasse muito com a emancipação dos judeus. De qualquer forma, consta que o autor desse texto disse uma vez que não era marxista

  12. Fernando S

    Marx escreveu esta passagem anti-semita num texto em alemão com o titulo : “Zur Judenfrage” (“A Questão Judaica”). A solução proposta é a de uma “dissolução”. A palavra alemã utilizada foi “aufloesen” !

    Para expressar a mesma ideia Hitler utilizou a famosa frase : “Endloesung der Judenfrage”. Ou seja : “A Solução Final para a Questão Judaica” !

    Uma subtil diferença : entre “”Aufloesen” e “Endloesung” !!

  13. Miguel, admirar-me-ia se Hitler alguma vez tivesse admitido influência directa de Marx (como duvido que muitos social-democratas modernos a admitam, embora não haja qualquer dúvida de que a social-democracia é descendente do marxismo). No entanto, o que está em discussão é se Hitler seguia ou não uma doutrina socialista, e se o NSDAP era um partido socialista. Sobre isso penso que não pode haver dúvidas. O Mein Kampf, e outros discurso de Hitler, têm lá tudo. Mais: olhemos para a evolução dos resultados eleitorais desde que NSDAP foi a eleições sozinho, até 1933, e vemos que, concidindo com a subida do NSDAP, houve uma descida dos pequenos partidos nacionalistas (obviamente) e uma descida do SPD. Os centristas mantiveram um eleitorado estável. Isso diz qualquer coisa sobre a natureza do discurso nazi, e sobre o eleitorado que seduziu.

  14. Fernando S

    Algumas afinidades entre os Marxistas e os Nazis segundo um artigo de Ludwig von Mises escrito em 1944 :

    “”The Nazis have not only imitated the Bolshevist tactics of seizing power. They have copied much more. They have imported from Russia the one-party system and the privileged role of this party and its members in public life; the paramount position of the secret police; the organization of affiliated parties abroad which are employed in fighting their domestic governments and in sabotage and espionage, assisted by public funds and the protection of the diplomatic and consular service; the administrative execution and imprisonment of political adversaries; concentration camps; the punishment inflicted on the families of exiles; the methods of propaganda. They have borrowed from the Marxians even such absurdities as the mode of address, party comrade (Parteigenosse), derived from the Marxian comrade (Genosse), and the use of a military terminology for all items of civil and economic life. The question is not in which respects both systems are alike but in which they differ.””

  15. “Mais: olhemos para a evolução dos resultados eleitorais desde que NSDAP foi a eleições sozinho, até 1933, e vemos que, concidindo com a subida do NSDAP, houve uma descida dos pequenos partidos nacionalistas (obviamente) e uma descida do SPD. Os centristas mantiveram um eleitorado estável. Isso diz qualquer coisa sobre a natureza do discurso nazi, e sobre o eleitorado que seduziu.”

    Eu não faço ideia se foi assim ou não (talvez me dedique a fazer essas contas), mas, segundo Liberty and Equality, de Erik von K.-L. (que de certeza não teria problemas em dizer que o NSDAP tinha ido buscar os votos ao SPD, se fosse o caso), o NSDAP foi buscar os seus votos sobretudo aos partidos liberais (e tenho uma ideia de ter lido isso também noutro sitio – talvez na Historia das Ideias Politicas, de Jean Touchard, mas não o encontro lá).

    A descida do SPD terá mais a ver com a subida dos Comunistas do que com a dos Nacionais Socialistas (alguém escreveu que, quando um operário ia para o desemprego, tornava-se comunista; quando um “classe-média” ia para o desemprego tornava-se nazi).

    Quando o CMF diz que “os centristas mantiveram um eleitorado estável”, está-se a referir aos “Centristas” (o católico Partido do Centro) ou aos “centristas” (o Partido do Centro mais os liberais)?

  16. “Marx escreveu esta passagem anti-semita”

    Era exactamente a esse gajo que eu me referia com “consta que o autor desse texto disse uma vez que não era marxista”.

    E, seja como for, aí trata-se “apenas” de um anti-semitismo cultural, não biológico (seria complicado para Marx ser um anti-semita biológico) – é um bocado diferente querer que os judeus percam a sua identidade judia e querer fazé-los desaparecer fisicamente da Europa.

  17. Miguel, os resultados das várias eleições estão na net, é fácil ter uma ideia da evolução.

    “Quando o CMF diz que “os centristas mantiveram um eleitorado estável”, está-se a referir aos “Centristas” (o católico Partido do Centro) ou aos “centristas” (o Partido do Centro mais os liberais)?”
    Foi o Zentrum, o partido que se manteve mais estável durante o período de ascensão nazi.

    O SPD perdeu mais de 11%, o partido comunista ganhou cerca de 2 , desde as primeiras eleições em que NSDAP concorreu sozinho, até à “última”(embora eu não esteja seguro de que as eleições de 1933 tenham sido “livres”, no que ao Partido Comunista diz respeito). Para além disso, julgo que uma análise demográfica das variações do voto não permite sustentar a tese de transferência dos votos desde o SPD até ao KPD, mas isso já é assunto que nos daria mais trabalho investigar e discutir.

    Quanto ao que diz Erik von K.-L, não conheço, gostava de ler, mas de que “partidos liberais” estará ele a falar, ou seja, a que liberalismo se refere (no sentido continental ou no sentido anglo-saxónico?)? É que o DDP, por exemplo, um dos partidos que pode ter alimentado o NSDAP (ou será que houve transferência para o KPD?), era um partido liberal de esquerda.
    De qualquer forma, foi o DNVP, partido nacionalista, aquele que mais votos transferiu para o partido nazi (o que não é surpresa). (Eu disse ali em cima descida dos pequenos partidos nacionalistas, mas DNVP não era nada pequeno em 1924.)

  18. Penso que ele se refere ao DDP e ao DVP; e, sobretudo, ao eleitorado desses partidos (a classe média protestante)

    Nothing is more revealing than a study of the election results
    of the whole period between 1928 and 1933. Not only does
    the comparison of the religious with the political map of
    Germany tell a striking story, but also does the study of the
    increase and decrease of the individual parties. If we divide
    them into three groups, viz., the National Socialists, the ” Rigid
    Ideologists ” (National Conservatives, Catholics, Socialists and
    Communists), and the” Demo-Liberals ” (Democratic, Liberal,
    Protestant, non-partisan peasant and middle-class parties),
    we get for four of the elections of that period the following
    picture:
    ELECTION DEPUTIES ELECTED BY
    National-Socialists “Rigid” Demo-Liberals
    May 20, 1928 .. .. 12 363 116
    September 14, 1930 . . 107 351 119
    November 6, 1932 .. 196 364 24
    March 5, 1933 .. .. 288 346 13
    What had happened?
    Not only did the National Socialists succeed in mobilizing
    the inert non-voters, the ” private citizens ” (idiotae), who
    ordinarily show no interest in political matters,* but they
    also gobbled up the ” demo-liberals.” The German Democratic
    Party (later called Staatsparteï), which had over 80
    mandates in 1919 and in 1928 still had 25 deputies, decreased
    finally to 5 seats. The ” Wirtschaftspartei des Mittelstandes,”
    which boasted of 23 deputies in 1928, had none

    in 1933. Yet the royalist ” Bavarian People’s Party ” maintained
    and slightly increased its number of supporters, whereas
    the Catholic Centre Party rose slowly from 61 to 73 seats.
    The Socialists had small losses; the Communists increased
    considerably; the National Conservatives fluctuated but
    managed to maintain their hold. On the other hand the
    Deutsche Volkspartei, the heirs of Bismarck’s National Liberals,
    gradually declined from 45 to 2 members. It was German
    liberalism and German bourgeois democracy which had turned National
    Socialist.
    This is not surprising if we remember that German liberalism
    was strongly sectarian, opposed to Catholicism and orthodox
    Protestantism alike.

  19. Então é um liberalismo no sentido lato, pois os dois partidos moviam-se em lados opostos. De qualquer forma a divisõa é muito discutível, pois dentro do “Rigid” está o tal DNVP, que perdeu muito após a chegada do NDSDAP.

    “the National Conservatives fluctuated but managed to maintain their hold”
    Não entendo esta afirmação, pois os national-conservatives (DNVP) tinham 14.3 em 1928, e desceram para 8 em 1933 (e tinham 20.5 em 1924!!!)

    E parece-me que é melhor estudar percentagens, pois o de número parlamentares aumentou de 1928 para 1930. Repare-se que houve um grande aumento do NSDAP, mas os outros dois grupos permaneceram estáveis. Onde foi buscar o NSDAP tanto votos?

  20. Onde foi buscar o NSDAP tanto votos?, perguntei eu, e parece-me plausível dizer que foi ao DNVP, classificado como Rigid por Erik von K.L.

  21. Fernando S

    “… “consta que o autor desse texto disse uma vez que não era marxista”.

    “Consta” ?… Quem “pos na boca dele” ?!…
    Ja se falaria de “marxismo” no tempo de Marx ?
    De qualquer modo, não me parece ser algo de relevante para este efeito.
    Primeiro, porque ninguém contesta que “o marxismo” nasceu e se inspirou do pensamento de Marx.
    Segundo, porque as principais correntes e experiencias historicas ditas “marxistas” aconteceram depois do desaparecimento fisico de Marx.

    “… trata-se “apenas” de um anti-semitismo cultural, …”

    “”Apenas”” ?!!…
    Estamos a falar do fundador e referente de uma corrente ideologica que pretende dar lições de moral nestas matérias !…

    “… querer que os judeus percam a sua identidade judia …”

    Por sinal identificada por Marx com o trafico, o dinheiro, o anti-social !…
    Fosse como fosse, a verdade é que a “solução final” pretendida por Marx era claramente “a emancipação da humanidade dos judeus” !
    Tal como Hitler !

    “… [Marx não quer] faze-los desaparecer fisicamente da Europa.”
    Efectivamente, Marx não explica como é que entende na pratica um processo de “dejudeização da humanidade”.
    Podemos dar-lhe o beneficio da duvida e admitir que esta não passasse pela pura e simples eliminação fisica de uma inteira comunidade. Até pela circunstancia de Marx ser ele proprio “biologicamente” de ascendencia judaica.
    Mas a verdade é que Hitler também não falou explicitamente na eliminação fisica dos judeus antes de ter o poder e a possibilidade pratica de a por em pratica.
    Também é bom recordar que o método da “eliminação fisica” de partes significativas de grupos e comunidades consideradas “anti-sociais” foi depois amplamente utilizado por filhos ideologicos de Marx quando tiveram a possibilidade e os meios para o fazer !!

  22. A história que se conta é que Marx um dia recebeu dois jovens discipulos, que estavam sempre a falar de ideologia e da revulução; a dada altura, já farto de os ouvir, disse “Só vos digo que não sou marxista”; não sei se isto é verdade (e, de qualquer forma, é apenas um fait-divers sem qualquer significado real).

    Nunca li “A Questão Judaica” (nem faço tenções de ler), mas penso que o que Marx dizia era que a emancipação politica e social dos judeus só poderia ocorrer quando a Humanidade se emancipasse da mentalidade judaica. Essa espécie de anti-semitismo é muito diferente do anti-semitismo politico, que se à coisa que não quer é a emancipação politica e social dos judeus.

    Seria mais fácil apresentar Marx como anti-eslavo (ver a passagem do Lidador), anti-mexicano e anti-indio (e, já agora, pró-americano primário) do que anti-semita (já que o seu anti-eslavismo, anti-mexicanismo e anti-indianismo traduzia-se mesmo em apoio politico aos imperialismos germanicos e norte-americano). Claro que – variante da lei da Godwin – chamar alguém de “anti-semita” tem sempre um certo efeito

  23. Fernando S

    “Claro que – variante da lei da Godwin – chamar alguém de “anti-semita” tem sempre um certo efeito.”

    Esta “lei” e as suas variantes são sobretudo aplicaveis a certo pessoal de esquerda que procura utilizar sistematicamente o velho argumento “anti-fascista” para atacar os liberais e a direita.

    Não vejo é porque é que se deveria inverter a lei e pretender que não se discutam as afinidades ideologicas existentes entre o marxismo e o nazismo.

    Os marxistas benificiaram durante muito tempo de uma certa condescendencia a este respeito. Compreendo que preferissem continuar a ter o monopolio da diabolização “nazi-fascista” e não se sintam hoje muito à vontade quando se toca neste assunto.

    O facto é que Marx escreveu coisas claramente “anti-semitas”. Por sinal muito semelhantes às do discurso nazi. Claro que há diferenças e nuances. Como existem inclusivamente no seio dos anti-semitas e dos proprios nazis. Mas isso não obsta a que se chame a atenção para o muito que os aproxima no essencial.

    O “anti-semitismo” de Marx tem sobretudo interesse porque é um de entre muitos aspectos (embora nem sequer o mais importante) que mostram a afinidade ideologica profunda do marxismo com o nazismo. Apesar de se terem afrontado violentamente a partir de certa altura, são duas ideologias totalitárias de inspiração socialista (no sentido rigoroso da palavra, claro) !

    A verdade é que se pode hoje ser “socialista” e de “esquerda” sem se ser “marxista” e sem ser necessário defender a todo o custo um homem e uma ideologia que teem muito pouco de defensável !

  24. Fernando S

    “Claro que – variante da lei da Godwin – chamar alguém de “anti-semita” tem sempre um certo efeito.”

    Tanto quanto percebi, esta “lei” teria a ver sobretudo com as discussões na net e com tendencia para o insulto dos interlocutores.

    Que fique claro que eu não chamei nem pretendo chamar o Miguel de “anti-semita” !
    Dizer que o Marx escreveu coisas “anti-semitas” não é sequer, do meu ponto de vista, um insulto ao Marx.
    Muito menos o termo se destina ao interlocutor que é o Miguel.
    Defender que Marx não foi “anti-semita”, ou que o foi menos e apenas em termos culturais e muito diferentes dos de Hitler, não faz naturalmente do Miguel um “anti-semita”.

  25. Penso que a “lei”, por si só, não tem directamente a ver com insultos, mas sim com a tendência a, durante uma discussão, alguém acabar por trazer Hitler ou os nazis à baila.

    Aquilo a que chamei “variante” será a tendência a ir buscar o anti-semitismo (mais do que outros “anti”s disponiveis)

  26. Fernando S

    “Penso que a “lei”, por si só, não tem directamente a ver com insultos, mas sim com a tendência a, durante uma discussão, alguém acabar por trazer Hitler ou os nazis à baila.”

    Tem a ver com insultos de um certo tipo.
    A lei decorre da hipotese de que quanto mais tempo uma discussão na net durar maior é a probabilidade de os argumentos serem substituidos por insultos utilizando analogias extremas.
    Uma destas analogias extremas, a que se refere Godwin, é a associação das convicções do interlocutor com ideias nazis. Mas ha outras.
    Uma versão mais lata, e de resto mais perto da realidade nos paises europeus (Godwin é americano), vai para além do nazismo e inclui todas as formas de fascismo. Por isso me referi ao “velho argumento “anti-fascista””. Que, como se sabe, junta o fascismo e o nazismo.

    “Aquilo a que chamei “variante” será a tendência a ir buscar o anti-semitismo …”

    Ja tinha percebido e foi precisamente nesse sentido que comentei.

  27. Patricia elisa

    qual?
    eu amei essa citação mais nao consigo encontrar quem escreveu em nenhum lugar, vc pode me enviar?

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