Hayek no Estoril

Artigo de João Carlos Espada no Expresso.

Contrariamente à visão corrente sobre o chamado capitalismo – quer entre os seus críticos quer entre alguns dos seus defensores – Hayek não via as economias de mercado como moralmente neutras ou como fundadas no egoísmo. Ele acreditava que as economias de mercado estavam associadas a uma mundovisão cujas origens remontam às raízes da civilização ocidental, à cultura clássica de Atenas e Roma, bem como à tradição judaico-cristã.

A sua grande preocupação em 1944 era o abandono dessas tradições em nome de ideologias colectivistas que praticavam o culto de imaginárias leis deterministas do desenvolvimento histórico e das chamadas “éticas científicas”. Hayek mostrou com evidência incontornável que essa ideologia revolucionária e ateia estava igualmente na base do comunismo, do nacional-socialismo e do fascismo.

Ao defender o retorno aos princípios liberais e democráticos do governo limitado, comércio livre e livre empreendimento, Hayek bateu-se também pela redescoberta das chamadas “virtudes burguesas” que tinham estado na base da Inglaterra liberal: “a independência, a iniciativa individual, a responsabilidade, o respeito pelos costumes e as tradições, a saudável desconfiança em relação ao poder e à autoridade”.

3 pensamentos sobre “Hayek no Estoril

  1. Fernando S

    F.A.Hayek ; “The Fatal Conceit. The Errors of Socialism” ; 1988 ; Chap 9 – A religião e os defensores da tradição :

    “Mesmo aqueles que como eu não aderem a uma concepção antropomorfica de uma divindade pessoal, deveriam admitir que o desaparecimento prematuro do que consideramos como crenças não factuais teria privado a humanidade de um suporte importante durante o longo desenvolvimento da ordem alargada de que benificiamos actualmente, e que, mesmo nos dias de hoje, o desaparecimento dessas crenças, independentemente de serem verdadeiras ou falsas, provocaria problemas graves.”

    “Muitos dos fundadores de religiões ao longo dos dois ultimmos milénios opunham-se à propriedade e à familia. Mas as unicas religiões que chegaram aos nossos dias são as que defenderam a propriedade e a familia. As perspectivas do comunismo, que é contra a propriedade e contra a familia (mas também contra a religião) não nada brilhantes. Ele proprio é uma religião que ja teve o seu tempo e que actualmente se afunda a uma grande velocidade. Pode-se ver nos paises comunistas e socialistas o modo como a selecção natural das crenças religiosas trata as que não se adaptaram.”

    “Pode ser que o que muitas pessoas designam pelo nome de deus seja apenas uma personificação desta tradição moral e de valores que manteem a sua comunidade em vida.”

  2. «A saudável desconfiança em relação ao poder e à autoridade» incluiu, por muito embaraçoso que seja, a autoridade de Roma. O que mostra como hoje se perdem as boas tradições… em toda a linha.

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