Socialism is Fascism

O chefe do Governo espanhol José Luis Zapatero, que foi reeleito secretário-geral do PSOE, afirmou hoje a sua vontade de prosseguir uma política progressista tendo por objectivo a transformação da sociedade espanhola.

Esta frase encerra todo o projecto político do Socialismo. Socialismo é usar a força dos governos para moldar a sociedade à vontade dos iluminados interesses socialistas.

Uma espécie de fascismo a diesel…

23 pensamentos sobre “Socialism is Fascism

  1. Imagine-se uma sociedade esclavagista. Imagine-se também que o governo que governa essa sociedade decide abolir a escravatura.

    Isso faria desse governo um governo “socialista”?

  2. Carlos Duarte

    Caro Michael,

    Acho que existe um bocado de confusão nos termos. O socialismo não é forçosamente progressista, da mesma forma que o liberalismo não é conservador. Podemos perfeitamente ter um governo socialista e conservador (uma espécie de socialismo de direita), como se pode ter um governo liberal progressista (liberalismo de esquerda).

    Uma política conservadora, por definição, NÃO pretende mudar a sociedade, antes mantê-la como está (ultra-conservadorismo até se poderá dizer que pretende voltar atrás). Já uma política progressista tem por fim MUDAR a sociedade actual.

    A título de exemplo, em Portugal, qualquer ideia para reduzir a “rede social” (SNS, reformas, etc) é progressita. A posição conservadora é manter como está (eventualmente melhorando a eficiência MAS NÃO MEXENDO no essencial).

    O que o Miguel Madeira disse tem razão e de certa forma tem piada, pois reflecte uma coisa que nem todos sabem: aquando da abolição da escravatura nos EUA, com Lincoln, o Partido Republicano (a que Lincoln pertencia) representava o lado “liberal” dos EUA, enquanto os Democratas eram os conservadores. Só no final da decada de 60 do século passado, com o movimento dos “civil rights” é que se assistiu à verdadeira “troca de papéis” entre conservador e liberal (com os significados americanos) e, finalmente, se “alinhou” o conservadorismo social ao liberalismo (termo europeu) económico, da mesma maneira que os democratas se tornaram liberais sociais mas mais “socialistas” (dentro do curto espaço que existe nos EUA para essa ideologia).

  3. Ainda que alvo de comparações, o fascismo e o socialismo não podem ser equiparados quando falamos em desenvolvimento, ou progresso. O socialismo é progressista, em toda a Europa, e não o considero o molde dos iluminados interesses socialistas, até porque ao contrário do fascismo permite sindicatos e o parlamentarismo e, sendo assim, permite que seja a sociedade a criar o seus próprios moldes com a participação política.

  4. Michael Seufert

    Carlos, não tenho dúvidas que grande parte das forças conservadoras são socialistas. Pelo menos aquelas que pretendem usar a força do estado para alcançar a sua visão pré-racionalizada de sociedade. Mas Zapatero não se refere aqui a instituição ou eliminação de serviços do estado. Refere-se a mudar a sociedade, o que é bem diferente.
    Quanto ao que o Rui diz, penso que é relativamente consensual que o fascismo é uma forma de socialismo, ainda que o contrário não seja universalmente verdade – aqui é o em forma de provocação. Mais aqui.
    Quanto à pergunta do Miguel, muito pertinente, responderia, deselegantemente, com uma contra-pergunta: Sucederia um governo em fazê-lo sem que a sociedade estivesse “pronta” para aceitar essa medida?

  5. Filipe Abrantes

    Um governo que intervenha na libertação de pessoas não é bem a mesma coisa que um governo (tipo Zapatero) que quer intervir numa sociedade onde todos são iguais perante a lei. Estamos num grau de intervenção bem distinto.

    Claro que se formos maximalistas, teremos que afirmar que um governo abolicionista é um governo socialista. Afinal um governo serve para governar/gerir/comandar/intervir a sociedade, e nesse sentido é socialista todo o governo que exista.

  6. Carlos Duarte

    Caro Michael,

    Não sei se percebeste o que quis dizer. Na tua resposta dizes:

    “Carlos, não tenho dúvidas que grande parte das forças conservadoras são socialistas. Pelo menos aquelas que pretendem usar a força do estado para alcançar a sua visão pré-racionalizada de sociedade.”

    Isso é uma contradição em termos. Uma força conservadora não pretende alcançar nada, antes pretende manter o que existe ou, no máximo, uma regressão ao que já foi. Como se tem dito – e bem – em Portugal as forças mais conservadoras são os comunistas e os sindicatos (especialmente os da CGTP). Existe, é verdade, um ultra-conservadorismo do “outro lado” representado pelos saudosistas, que tem alguma expressão no PP.

    Agora, quando se fala de ser “conservador”, normalmente o rótulo que se pretende é que se é conservado ao estilo de alguma coisa. Cá em Portugal, os que se intitulam conservadores (em parte, em incluído) querem dizer conservador ao estilo anglo-saxónico (no meu caso, com algumas nuances). Agora, não tenho a mínima dúvida que, do ponto de vista nacional, sou progressista (ou, aos olhos do PCP, reacionário 😉 ).

  7. Carlos Duarte

    Caro Pedro Sá,

    Não é verdade. O objectivo pode ser manter o status quo (o que seria um governo 100% conservador).

  8. Filipe Abrantes

    “Não é verdade. O objectivo pode ser manter o status quo (o que seria um governo 100% conservador).”

    Sendo que a sociedade tem pernas próprias e evolui por si mesma, um governo, pelo simples facto de intervir, terá sempre um efeito transformador. Só o facto de haverem conservadores a acreditarem na virtude dessa intervenção estado mostra o quão insatisfeitos estão com o presente status quo. Pretendem uma reacção contra as mudanças (por menores que sejam) ocorridas na sociedade.

  9. Michael Seufert

    Eu percebo o Carlos, numa abordagem terminologística. Mas o que acontece é que correntes conservadoras não são as que pretendem manter o Status Quo. Têm, tipicamente, um programa de intervenção na sociedade para implantar as suas visões.

  10. Carlos Duarte

    Caro Michael,

    Eu nunca disse que seria aplicável 😉 Uma sociedade 100% conservadora é impossível, assim como uma sociedade 100% progressista (ou se calhar reformista é melhor termo).

    Caro Filipe Abrantes,

    Reacção é diferente de transformação. A reacção é um acto que visa reverter uma acção feita por terceiros (inclusivé dentro da sociedade), ou seja, pretende manter o status quo ante (da acção).

    Como analogia, imagine que equilibra uma garrafa (vazia) pelo gargalo na palma da mão. Sendo o equilíbrio absoluto muito complicado (internamente, você apresenta pequenos desvios muscular; externamente, pode vir um vento mais forte), você REAGE ajustando ligeiramente a mão de forma a CONSERVAR a garrafa aonde está. Ou seja, está a manter o status quo (garrafa equilibrada na mão).

    Por outro lado, você pode pura e simplesmente estar farto de equilibrar a garrafa com a mão e quer equilibrá-la num pé, em duas mãos, na testa, etc. Você vai alterar (ou REFORMAR) a posição da garrafa. Não está a reagir mas sim a agir.

  11. André Azevedo Alves

    Uma discussão interessante.

    Parece-me que muito depende do significado atribuído a algumas palavras: especialmente “conservador” e “progressista”.

  12. “O objectivo de qualquer Governo é transformar uma sociedade”

    O que o Pedro Sá quer dizer não será mais “O objectivo de qualquer Governo é fazer com que a sociedade seja diferente do que seria se não fossem os actos do Governo e/ou do Estado”?

  13. Carlos Duarte

    Caro Miguel Madeira,

    O que diz é óbvio (ou pelo menos assim acho). Afinal, o “oposto” do Governo é o desgoverno, ou seja, a anarquia (sem significados valorativos ou perjorativos!).

    Caro AAA,

    Concordo que uma clarificação de termos não seria má. E acho que um bom começo seria separar a parte social/moral da parte económica.

  14. De facto o fascismo tb ambicionava mudar a sociedade.
    Mussolini era, ele mesmo, do Partido Socialista Italiano.

    O socialismo e o fascismo só se tornaram inimigos a partir de uma decisão do Komintern de 1934).
    Foi a partir daí que se passou a chamar “fascistas” e “reaccionários” a todos os anticomunistas. Aliás, na altura chamavam social-fascistas aos socialistas.
    E o nazismo era ele mesmo um socialismo…nacional. Como o de Chavez…

  15. Pingback: [Análise/opinião] 7 Julho « A Vila de Potemkin

  16. A. R

    Após o colapso económico a que submeteu a Espanha, e com um governo de cabeça completamente perdida, só lhe restam “bravatas” frentistas para se manter à tona da política.

  17. “O socialismo e o fascismo só se tornaram inimigos a partir de uma decisão do Komintern de 1934”

    Imagino que, com “socialismo”, o Lidador queira dizer “comunismo” (não me vai dizer que os socais-democratas, anarquistas, trotskistas, etc. só passaram a ser anti-fascistas em 1934, e por decisão do Komintern?)

    E, de qualquer forma, mesmo o Comunistas-com-C-grande já se consideravam “anti-fascistas” antes disso – o próprio facto de, antes de 1934, eles chamarem “socais-fascistas” aos socialistas (depois daí passaram a ser “os camaradas socialistas”, até 1939) demonstra que consideravam o termo pejorativo..

    E já em 1923, o Komintern chamava “fascistas” ao regime conservador que nesse ano subiu ao poder na Bulgário, ou seja, desde o principio que, pelo menos em público, os comunistas consideravam fascista como um insulto.

  18. Ora vamos lá ver.

    Max Eastman, velho amigo de Lenine, admitiu um dia que “o estalinismo é mais cruel, bárbaro, injusto, imoral e anti-democrático, do que o fascismo e é melhor descrito como Superfascismo”.
    Precisou ainda que “Estalinismo é socialismo, no sentido em que preconiza as nacionalizações e a colectivização, como meios de atingir a sociedade sem classes”.

    Na verdade, nem os fascistas italianos, nem os socialistas nacionais alemães tiveram necessidade de inventar muitas coisas, limitando-se a usar a retórica e os instrumentos comunistas.
    Hitler sempre se considerou socialista, de facto era o chefe do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, e explicou a Otto Wagener que “agora que a idade do individualismo terminou, a nossa tarefa é encontrar o caminho que conduza ao socialismo”.

    Paul Eltzbacker, um ilustre teórico nazi, gabava tranquilamente o bolchevismo, dizendo que “o bolchevismo é o Estado forte … totalmente liberto do respeito excessivo pela liberdade individual e da lassidão sentimental que sofre a democracia”

    Mussolini era também oriundo da ala esquerda do Partido Socialista Italiano e a sua definição de fascismo é lapidar, nela se revendo tanto a chamada esquerda moderna, como a direita do tipo Le Pen:

    “Tudo para o Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”

    A ideia de um partido político susceptível de ordenar toda a vida individual, desde o berço até à cova, tendo em vista a realização de um bem colectivo supremo, foi dada à luz pelos socialistas.
    Foram os socialistas que começaram por enquadrar as crianças, os jovens e as mulheres em organizações de base, assegurando o controlo total da vida colectiva e privada, e a imposição de um pensamento único, guiado pelo partido, génese teórica do totalitarismo.
    A praxis redundou nas teorias de Lyssenko, que garantiam a possibilidade de educar os genes através da educação forçada, pelo que as ideias comunistas instiladas nos pais, seriam transmitidas por via genética aos filhos, o que aliás vinha na linha das ideias de Engels, o qual, no “Anti-Duhring” afirmava a crença na hereditariedade dos caracteres adquiridos.

    Como já disse, a ideia de que o Fascismo e o Socialismo são doutrinas opostas, é uma mistificação histórica e filosófica, lançada em 1934, por decisão do Komintern, e que fez o seu caminho com grande sucesso.
    Ainda hoje a maioria das pessoas não conhece a fundo as arrepiantes semelhanças entre as “teologias” e as práticas do fascismo, do socialismo nacional e do comunismo, mas absorve bem a ideia geral de que as primeiras duas são “de direita” e por isso “más” e a terceira é “de esquerda” e por isso “boa”.
    A máquina de embrutecimento oleada pelo já longínquo Komintern continua inacreditavelmente a funcionar, passados todos estes anos.

    O facto é que estas doutrinas têm a mesma génese, partilham o mesmo ADN totalitário, não são opostas e têm uma visão do homem como mera engrenagem de um colectivo.

    O inimigo jurado de todas elas é o liberalismo, hoje associado a globalização, mercados, capitalismo, americanos, etc.

    Segundo Ludwig von Mises (O Estado Omnipotente), o programa económico de Hitler pôs em execução 8 das 10 medidas urgentes preconizadas por Marx no Manifesto Comunista de 1847.
    No 10º ponto do Programa Nazi, de 1920, Hitler anunciava a “abolição dos lucros obtidos sem trabalho e sem esforço”, o que nos soa muito próximo das modernas diatribes de Jerónimo de Sousa ou Francisco Louça.

    As citações que se seguem, são exemplos, entre muitos outros, que não deixam qualquer dúvida sobre o inimigo comum dos nossos “compagnons de route”:

    “…estamos a combater o capitalismo. Estamos a tornar as pessoas completamente livres”
    (Adolf Hitler)

    “ Nós queremos destruir o estado burguês”
    (Salvador Allende)

    “Se o século XIX foi o do indivíduo (liberalismo) o séc actual é o século colectivo”
    (Benito Mussolini)

    “A crise pré-revolucionária legou-nos um outro problema: o do combate e da constituição de uma alternativa dentro e contra o regime da democracia burguesa.“
    (Francisco Louça)

    “Estamos solidários com a Al-Qaeda e o que se passa no Iraque é uma perspectiva histórica da frente combatente anti-imperialista.“
    (Nadia Lioce, activista “altermundialista)

  19. «As citações que se seguem, são exemplos, entre muitos outros, que não deixam qualquer dúvida sobre o inimigo comum dos nossos “compagnons de route”:»

    Por várias pessoas/correntes terem um inimigo comum, isso não as torna “compagnons de route” – o Lidador considera que, no século XIX português, vintistas e miguelistas eram compagnons de route por serem ambos contra a Carta Constitucional?

    Ou que, no século XX, liberais e fascistas eram compagnons de route por serem ambos anti-comunistas? Ou que Ronald Reagan e Francisco Louçã eram compagnons de route já que eram ambos contra o regime soviético (o caso Irving Kristol pode dar que pensar…)?

    “Mussolini era também oriundo da ala esquerda do Partido Socialista Italiano”

    Se formos por aí, teríamos uma carrada de “socialistas”: Hayek, Nozick, Coase, Johan Norberg, e talvez Ronald Reagan e Milton Friedman (se contarmos o New Deal como uma forma de socialismo)

  20. «e a sua definição de fascismo é lapidar, nela se revendo tanto a chamada esquerda moderna, como a direita do tipo Le Pen:

    “Tudo para o Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”»

    A mim parece-me que nem a chamada esquerda moderna, nem a direita lepenista são particularmente admiradoras do Estado; ambas são um bocado ezquizofrenicas:

    – a “esquerda moderna” adora as funções sociais do Estado, mas não pode ouvir falar em “ordem”, “autoridade” e palavras afins – digamos que adora o Estado quando este é representado por um assistente social e detesta quando é por um policia

    – a direita lepenista tende a ser liberal (pelo menos economicamente) dentro de fronteiras e estatista na fronteira (anti-imigração, anti-comércio livre, etc.). Se a França fosse o único país à face da terra, o programa de Le Pen seria quase liberal

  21. Filipe Abrantes

    “- a direita lepenista tende a ser liberal (pelo menos economicamente) dentro de fronteiras e estatista na fronteira (anti-imigração, anti-comércio livre, etc.). Se a França fosse o único país à face da terra, o programa de Le Pen seria quase liberal”

    Só queria intervir para dar razão ao Miguel Madeira. Hoje, em França, Le Pen é o único político (com visibilidade, claro, já que temos sempre os liberais que são insignificantes) que defende algumas ideias liberais com firmeza (contra Bruxelas, pela independência política, liberdade de expressão, contra a oligarquia do sistema francês e os seus abusos, quem mais denuncia o roubo dos agentes do sistema).

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