Na Quadratura do Círculo ninguém lê blogues. Se o fizessem, ou o António Costa não tinha levado para lá o “Magalhães” ou tinha sido ridicularizado.
Mês: Julho 2008
Preços
A questão da descida do IVA ser ou não reflectida nos preços ao consumidor já raia o absurdo*. Dando de barato que o excessivo intervencionismo do Estado no mercado provoca distorções que lhe ampliam os defeitos (protecção aos monopólios, por ex) e minimizam as virtudes (concorrência sã, por ex), numa economia “mista” como a nossa, os preços são (mais ou menos) livres. O IVA pode desaparecer e os preços aumentarem. Se isso acontecer fazem o quê? Enforcam as pessoas? O efeito virtuoso imediato da descida do IVA não é a baixa dos preços, é a possibilidade de maior folga na produção. Num mercado minimamente concorrencial (a maior parte daqueles onde se aplica a taxa de 20%) o ajuste dos preços é feito mais tarde e o ganho da baixa do imposto é dividido entre consumidor e fornecedor (esta divisão de ganhos está inclusivamente quantificada). De qualquer maneira a divisão dos 1% no IVA é irrisório para os consumidores individualmente considerados e dramático nas empresas grandes e no agregado da actividade económica. Deixem lá os preços de mercado em paz e concentrem-se no combate à intervenção discricionária do Estado, ao arrastão fiscal e ao autêntico roubo que é feito aos privados. Os preços ajustam-se sem precisar de ajuda.
Bottom line: uma empresa pode perfeitamente justificar um preço da seguinte forma: o preço resulta da política comercial da empresa cujo objectivo é maximizar o lucro.
Alguém se queixou quando o IVA subiu de 19% para 21% e muitas empresas mantiveram os preços? Claro que não.
*Qual foi a lei que a empresa de estacionamento de Évora não cumpriu? Não baixou os preços, foi?
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Comentário do comentário
Depois de ver e ouvir o Presidente da República, depois de ler e concordar com a análise que o Bruno Alves faz aqui, acho delicioso que o PS nacional remeta para o PS açoriano um eventual comentário ao aviso de Cavaco Silva sobre o fim da cooperação estratégica entre Belém e São Bento. O Verão está quente.
A mensagem de Cavaco
(publicado também aqui)
O Presidente da República anunciou ontem, para as 20 horas de hoje, uma comunicação ao país. A comunicação social, sem incêndios ou “vagas de crime” para encher os espaços noticiosos em época de Verão, criou grande expectativa em torno do evento. De que falaria Cavaco? Para quê tanto dramatismo? No fim, Cavaco “apenas” quis explicar aos portugueses as razões pelas quais discordava de um documento que o Tribunal Constitucional já havia rejeitado (o novo Estatuto dos Açores). Mário Bettencourt Resendes, na SIC, e Carlos Magno, na RTP, acharam estranho. Por que razão criou Cavaco tanta expectativa em torno de um discurso sobre algo que pouco interessa aos portugueses, e que, ainda por cima, terá agora de ser alterado pelo Parlamento? É, de facto estranho. Mas, precisamente por ser estranho, a comunicação de Cavaco não pode ter sido “só” por causa disso.
Depois do Tribunal Constitucional ter declarado a inconstitucionalidade do documento, a Assembleia da República irá provavelmente rever o documento, fazendo as alterações necessárias para que este se adapte às exigências da Constituição. Da sua intervenção fica claro que Cavaco não fica satisfeito com a apreciação do Tribunal Constitucional, pois vê no conteúdo do novo Estatuto dos Açores uma série de mudanças que, no seu entender, põem em causa o equílibrio das várias instituições do Estado português. Cavaco não esteve a falar do documento que foi rejeitado pelo Tribunal Constitucional, mas do documento que sairá da Assembleia nos próximos tempos. E se o documento que daí sair acabar por não satisfazer de novo o Presidente da República, ele poderá vetá-lo, pois tornou públicas as suas exigências no devido tempo. Claro que, depois desse eventual veto, a maioria parlamentar do PS poderá ultrapassá-lo, aprovando o documento que regressa à Assembleia.
Ora, é compreendendo isto que se compreende o dramatismo da intervenção de Cavaco. Ele não só faz um “ataque preventivo” ao grupo parlamentar do PS, como cria margem de manobra para agir, caso esse “ataque preventivo” falhe. Se depois de o Presidente deixar claro, como deixou hoje, que certos aspectos destas propostas são entendidos por ele como desestabilizadores do equilíbrio da relação das instituições políticas portuguesas (do “regular funcionamento das instituições”), o PS avançar com esses mesmos aspectos, o Presidente estará disposto a impedir o PS de o fazer. Se, depois de um eventual veto presidencial, o PS der sinais de que o pretende ultrapassar, usando a sua maioria parlamentar para aprovar o documento, Cavaco terá, como o dramatismo que hoje colocou na questão, legitimidade e margem de manobra para agir no sentido de salvaguardar o “regular funcionamento das instituições”, e garantir que a maioria parlamentar não o ponha em causa. Ou seja, tendo criado hoje um grande dramatismo em torno do novo Estatuto dos Açores, Cavaco pretende não só avisar os portugueses daquilo que não está disposto a aceitar, mas também criar as condições para que, caso o PS queira ignorar a opinião presidencial, Cavaco tenha toda a margem de manobra para os impedir: dissolver a Assembleia sob o pretexto de que esta pretende introduzir medidas que afectarão o “regular funcionamento das instituições”.
Cães e gatos
Fazem mal às mulheres, pelo menos às da Arábia Saudita. A Animal já se pronunciou? E a Umar?
ATL
Nos campos de Verão promovidos por organizações humanitárias palestinianas, as crianças aprendem a interagir com algumas espécies de aves. É uma brincadeira pegada.
Empurrar o problema para a frente
O défice tarifário acumulado da EDP em Portugal atingiu os 600 milhões de euros por causa da crise dos combustíveis . Este valor cresceu 479 milhões de euros só no primeiro trimestre. O défice traduz a diferença entre os proveitos e as tarifas fixadas pelo regulador e o real custo da produção de energia, será repercutido nas tarifas eléctricas dos próximos anos.
O administrador financeiro da EDP, Nuno Alves, explicou ao DN que esta diferença terá que ser recuperada nas tarifas dos próximos anos até ao prazo máximo de 10 anos, sendo o período de recuperação definido pela ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos). Em 2006, o Governo impediu um aumento de 17% nas tarifas de electricidade provocado pela subida dos combustíveis usados na geração eléctrica. A decisão de limitar o aumento dos preços a 6% em 2007 gerou um défice tarifário da mesma ordem de grandeza. Só com recurso às receitas extraordinárias resultantes do prolongamento da concessão das barragens à EDP foi possível impedir a forte subida da electricidade em 2008. O remanescente desta diferença será paga pelos consumidores em 10 anos.
Can Britain Survive multiculturalism?
Artigo de Roger Kimball
Well, can it? Before you answer, take a look at the short video, available on YouTube, that the journalist Dale Hurd posted on CBN, the Christian Broadcasting Network, a few days ago.
Don’t let the word “Christian” frighten you: this is not a proselytizing documentary but rather an educational one. Hurd begins with the by-now-familiar news that Britains’s top judge and the Archbishop of Canterbury have both publicly declared themselves in favor of instituting some elements of Islamic sharia law in Britain. Lord Chief Justice Lord Phillips recently decided that “Islamic legal principles could be employed to deal with family and marital arguments and to regulate finance,” while the Primate of All England called for a “constructive accommodation with some aspects of Muslim law.” He also notes that British authorities have been bending over backwards to cater to Muslim sensitivities.(…) Continue a ler “Can Britain Survive multiculturalism?”
Desde que não sejam eles a pagar…
A ANAREC acha positivo o tabelamento do preço dos combustíveis na Madeira, mas…
«É uma medida positiva para todos os consumidores da Madeira», disse à Lusa Augusto Cymbron adiantando que é necessário saber se a descida dos preços, que se pretende, será feita através da descida do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) ou «pedindo sacrifícios às companhias»(…)
Na opinião de Augusto Cymbron seria negativo que o Governo Regional da Madeira optasse por impor a redução dos preços às companhias petrolíferas que operam no arquipélago.
O presidente da ANAREC justificou dizendo que as companhias que abastecem as ilhas têm custos adicionais devido às despesas inerentes com o transporte dos combustíveis.
«Se fossem pedidos sacrifícios às empresas, elas poderiam sair dos arquipélagos, porque já não têm tanta margem de lucro», referiu.
Será que o Governo Regional da Madeira está disposto a cortar na despesa pública?
