Feminismos

Há no movimento feminista duas formas de actuar, que importa distinguir.

Uma é aquela que procura (ou será procurou?) instituir a igualdade entre homens e mulheres perante a lei. Foi o feminismo do direito ao voto, do direito a igualdade no divórcio, etc.

Depois há aquele que parece ser o feminismo do século XXI. O feminismo da sociedade igualitária, em que homens e mulheres se têm que distribuir igualmente por todos os sectores da sociedade. O feminismo das quotas, do aborto e das ministras para a Igualdade.

O mais tardar quando ouvimos Helena Roseta a falar em “novo contrato social” e em “construção de uma sociedade paritária” percebemos que este feminismo não é mais do que (mais um!) socialismo: Alguém tem uma visão de sociedade que entende ser melhor do que esta, e vai daí luta para a impôr aos demais.

É evidente que não há nada de mal em acreditar numa causa, e lutar por ela, tentando cativar a sociedade. Mas quando nos queremos servir do estado para nos impôr a todos, porque por nós próprios não temos sucesso, estamos a caminhar para a servidão.

Se damos poder ao estado para impôr quotas em listas eleitorais, impôr quotas em empresas ou fixar salários arbitrariamente ou de acordo com a agenda de um determinado grupo, como garantimos que ele pára aí? E porque diabo há de ser essa visão de sociedade melhor que a actual ou melhor que a de outro lóbi qualquer?

It may well be that a nation may destroy itself by following the teaching of what it regards as its best men, perhaps saintly figures unquestionably guided by the most unselfish ideals. There would be little danger of this in a society whose members were still free to choose their way of practical life, because in such a society such tendencies would be self-corrective: only the groups guided by “impractical” ideals would decline, and others, less moral by current standards, would take their place. But this will happen only in a free society in which such ideals are not enforced on all. Where all are made to serve the same ideals and where dissenters are not allowed to follow different ones, the rules can be proved inexpedient only by the decline of the whole nation guided by them.

Friedrich August von Hayek, in The Constitution of Liberty (cap. 4)

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19 thoughts on “Feminismos

  1. daniel

    caro amigo a igualdade não está instituída por natureza, nem sequer pela moral. E se queremos viver em dignidade ela tem que ser, infelizmente, estabelecida por lei. Enquanto as pessoas acharem que é da sua liberdade comportarem-se como sacanas não evoluiremos como sociedade.
    Não ha qualquer liberdade em relações de força como as que se verificam nas empresas que pagam menos às mulheres, ou que chantageiam a gravidez por exemplo.

  2. “caro amigo a igualdade não está instituída por natureza, nem sequer pela moral. E se queremos viver em dignidade ela tem que ser, infelizmente, estabelecida por lei.”

    Lá está. O problema de muitas pessoas é acharem que se consegue (e que é justo) estabelecer leis contra a natureza e contra a moral (com destaque para a primeira).

    Um comentário sem dúvida muito revelador e que resume em muito as pretensões “igualitárias”.

  3. ulaikamor

    “Where all are made to serve the same ideals and where dissenters are not allowed to follow different ones, the rules can be proved inexpedient only by the decline of the whole nation guided by them.”

    Esta frase de Hayek é extremamente poderosa, no entanto não sei se Hayek terá mencionado nas suas obras a nossa realidade, que não é realmente uma em que todos são forçados a seguir os mesmos ideais.

    A nossa realidade é uma em que os ideais são forçados perante uma maioria suficiente para garantir o domínio na sociedade, sem ser no entanto grande demais para esmagar completamente as vozes contrárias.

    A utilidade de garantir que existem minorias com vozes contrárias é uma de legitimização da Democracia e da Liberdade, sem que, no entanto, realmente existam.

  4. ulaikamor

    “E se queremos viver em dignidade ela tem que ser, infelizmente, estabelecida por lei.”

    É, sempre foi e sempre será desejável a igualdade perante a lei. Não é, nunca foi e nunca será desejável a igualdade estabelecida pela lei.

  5. «Lá está. O problema de muitas pessoas é acharem que se consegue (e que é justo) estabelecer leis contra a natureza e contra a moral (com destaque para a primeira).»

    Lá vens tu com os “axiomas” do costume. És um fantoche dialético.

  6. daniel

    caro joao luis pinto, a evolução da humanidade foi feita a contrariar a natureza. Especialmente a humana.

  7. Caro daniel, leia o Discurso sobre a origem e fundamentos da desigualdade entre os Homens de Rousseau, esse mesmo no qual as sociedades ocidentais contemporâneas se baseiam quanto ao critério da desejável igualdade, partindo do Contrato Social. Será assim tão difícil perceber que a sociedade é desigual por natureza, porque a desigualdade é o motor da estabilidade instável da sociedade, isto é, da sua destruição e construção permanente? Como é possível que ande tanta gente atrás da falácia da igualdade…

  8. daniel

    samuel tudo o que disse foi em contradição com rosseau. quanto à beleza da “desigualdade” e “destruição” deixo isso para os nerozinhos de algibeira.

  9. Caro daniel a edição da europa-américa só custa uns 5 euros. Leia antes de falar daquilo que não percebe…e escreve-se Rousseau. Sobre a permanente construção e destruição leia qualquer coisa sobre a teoria dos sistemas, homeostase e homeorese (se quiser envio-lhe umas coisas ou sugiro-lhe alguns livros), e já agora, alguma coisa sobre construtivismo…é todo um mundo novo que se lhe vai abrir diante dos olhos…

  10. daniel

    caro samuel peço desculpa pensava que estavamos a discutir principios e condutas. não estou preparado para homoteorias e autoridade de professor primário. desarmou-me, parabéns.

  11. Pingback: Feminismos (2) « O Insurgente

  12. Daniel, estaríamos a discutir princípios e condutas se soubesse do que eu falei. A partir do momento em que diz que o que eu disse é em contradição com Rousseau não há muito mais que discutir.

  13. “caro joao luis pinto, a evolução da humanidade foi feita a contrariar a natureza. Especialmente a humana.”

    Pois. A confiança na existência de iluminados entre os humanos que conseguem contrariar a sua própria natureza.

    Infelizmente a História é pródiga em mostrar onde é que esse encantamento das massas desemboca.

  14. Daniel Azevedo

    “Infelizmente a História é pródiga em mostrar onde é que esse encantamento das massas desemboca.”

    Pois é, mas o que é a democracia senão o encantamento de massas pela ideia de que controlam alguma coisa na sociedade em que estão inseridas?

    “…a evolução da humanidade foi feita a contrariar a natureza. Especialmente a humana.”
    Eu acho que foi mais a impôr concepcções da natureza (e também da humana) novas que foram aceites após o impacto inicial.

    Cumprimentos

  15. “Pois é, mas o que é a democracia senão o encantamento de massas pela ideia de que controlam alguma coisa na sociedade em que estão inseridas?”

    Em que é que a democracia é chamada à discussão?

    “Eu acho que foi mais a impôr concepcções da natureza (e também da humana) novas que foram aceites após o impacto inicial.”

    Depende de qual é esse mecanismo de aceitação. Se for aceitação por conformismo, por impotência de não o fazer, por coacção ou ameaça, não me parece que exista “aceitação”. Se foi um mecanismo não-coercivo, por definição não há imposição.

  16. Daniel Azevedo

    Caro João Pinto

    “O problema de muitas pessoas é acharem que se consegue (e que é justo) estabelecer leis contra a natureza e contra a moral (com destaque para a primeira).”

    A moral da escravatura, que acompanhou a humanidade desde o seu inicio, nunca foi posta em causa até ao século XVII. No sul dos EUA essa moral era baseada na Biblia e só acabou violentamente.
    Estar a afirmar que as grandes alterações de mentalidades que ocorrerem foram boas pois foram não coercivas impostas é toatlmente falacioso. Então basta sentarmo-nos e esperar que a coisa mude por si?

    Não sou dos que acredita que as mentalidades mudem sem imposição externa (qual a natureza, depende…) pois se a imposição não fosse necessária, o problema não existiria.

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