Subsídios à comida cara

A OCDE declarou hoje que: A medida mais urgente a tomar para travar o aumento dos preços das matérias-primas agrícolas é uma redução drástica dos programas de subsídios aos biocombustíveis(…)“É a única alavanca que podemos accionar rapidamente”, acrescentou.
Esta é a primeira atitude inteligente dos burocratas face ao aumento dos preços dos alimentos. É certo que não chega, nem pouco mais ou menos, mas acabar com os subsídios a uma utilização particular de matéria-prima e terreno agrícolas fará com que os recursos se adaptem conforme a melhor necessidade dos mercados. Assim, um aumento na procura de alimentos, faz subir o preço, que incentiva um aumento na oferta, que faz baixar os preços. Fácil.
Ao invés, os subsídios aos biocombustíveis, introduzem distorções: o aumento do preço dos alimentos não se traduz num incentivo à produção, se a produção de alternativas à comida for mais rentável graças ao tal subsídio.
Efeitos parecidos, já agora, têm os subsídios à agricultura no geral, mesmo aquela que se destina à produção alimentar. Subsidiando os agricultores europeus, a Comissão está nos a taxar duas vezes: primeiro porque nos tira dinheiro para dar aos agricultores, e segundo porque compramos essa comida virtualmente mais barata o que impede produtores de fora da UE (que além disso são taxados ou limitados na alfândega europeia) a competir com os nossos e a desenvolver-se. O subdesenvolvimento desses custa-nos dinheiro em “generosos” – mas hipócritas – programas de desenvolvimento.

Claro que à lucidez duns, se contrapõe a cegueira de outros:Entre os defensores dos biocombustíveis está a Comissão Europeia, que fixou aos países membros uma meta de dez por cento de biocombustíveis nos transportes até 2010. Este objectivo é “imperativo”, disse hoje Klaus-Dieter Borchardt, chefe-adjunto de gabinete da Comissária europeia para a Agricultura (…) Segundo Klaus-Dieter Borchardt, “a primeira geração de biocombustíveis é uma fase de transição necessária antes de passar à segunda”, que fará a produção de energia não a partir de matérias-primas agrícolas mas a partir de resíduos, por exemplo.

Comida cara hoje, energia limpa amanhã. É só uma transição necessária. Obrigado UE…

Anúncios

4 pensamentos sobre “Subsídios à comida cara

  1. Defendi e defendo uma aposta na investigação de energias renováveis (incluindo os biocombustíveis) por quem bem entende, mas não sou a favor de qualquer subsídio (como de resto nas outras àreas). Muito grave é também pagarmos o subsídio ao lobby das eólicas, que torna o megawatt mais caro na ordem de uma centena, as fotovoltaicas a 4-5 vezes, e estarmos sempre a querer novas barragens quando as actuais não produzem mais do que uma parcela da sua capacidade.

    Bem-haja!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.