O Robert Mugabe é que sabe

Agora que o Zimbabwe já votou certo, seria talvez uma boa ideia recomendar à Comissão Europeia, à presidência da União e ao gestor de carreira do nosso primeiro – que tão bem souberam receber o ex-novo-presidente Robert Mugabe em território europeu – que retribuíssem a visita, pedido ao recém-eleito presidente que organizasse um workshop, tendo como convidados especiais os dirigentes irlandeses, onde divulgasse as suas técnicas de campanha eleitoral e de persuasão.

Afinal, havendo alguém que demonstro dominar grande técnica para vencer à segunda, com resultados eleitorais na casa dos 90%, e iniciado que está agora o processo de bullying orientação do povo irlandês, um tão notável potencial contributo para a construção europeia não é de descurar, e muito menos de deixar de aproveitar.

Backdoor

Na generalidade das democracias constitucionais modernas, instituíram-se mecanismos bem definidos quer de aprovação e legitimação, que de revisão das constituições.

Para a sua aprovação e construção, adoptou-se um processo que é essencialmente dependente de um referendo ou de uma eleição de uma assembleia constituinte com poderes expressos de elaboração e de ratificação do texto constitucional.

Em termos da sua alteração sucessiva, definiram-se mecanismos de revisão ou de emenda, associando-se o processo geralmente à aprovação das alterações por uma maioria de dois terços. Em muitos casos, como por exemplo no caso português, estabeleceram-se até limitações explícitas da revisibilidade do texto constitucional em áreas concretas (nos artigos 288.º e 289.º), que deram até origem a uma diversidade de opiniões e de discussão jurídica acerca da possibilidade de se contornar ou não essas limitações através de duplas revisões.
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A crise no Zimbabwe põe a nu o dilema das potências ocidentais

Após um aumento da violência promovida pelo ditador do país, Robert Mugabe, o candidato a presidente do Zimbabwe Morgan Tsvangirai resolveu, a semana passada, desistir da sua candidatura, por temer que, caso continuasse a fazer frente a mugabe, este último pudesse exercer represálias ainda mais graves sobre os apoinates do seu rival. Mugabe, claro, foi reeleito, e garantiu que “só Deus” o poderia retirar do poder. No entanto, cada vez mais gente parece esperar tal intervenção divina com ansiedade: até os líderes afircanos que se têm mostrado indiferentes à brutalidade de Mugabe começam a ficar incomodados com os acontecimentos da última semana. Os países ocidentais, e organizações como a União Europeia, insistiram nas suas “condenações” do regime de Mugabe, procurando isolá-lo (coisa de que não se lembraram quando, ainda há alguns meses, muitos deles confraternizaram com ele alegremente nas ruas e hotéis de Lisboa).

No entanto, apesar desta posição de princípio dos países ocidentais, a forma como se processaram as “eleições” no Zimbabwe e a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU para chegar a um “consenso” quanto à forma de lidar com Mugabe e as atrocidades que este pratica no seu país demonstram bem a irrelevância da organização. Mas toda esta crise é, também, uma prova de como as potências ocidentais não sabem como lidar com crises humanitárias ou conflitos nas suas ex-colónias. Sempre que um destes países cai numa guerra civil, ou sempre que um qualquer ditador pós-independência se entretém a assassinar parte da população, ou sempre que um conflito étnico atinge proporções suficientemente grandes para chocar as consciências da opinião pública dos países ocidentais, os governos destes países (e organizações a que estes pertencem, como a UE ou a ONU) apressam-se a “condenar” o sucedido, e a “fazer pressão” para “que se encontra uma solução pacífica para a crise”. No entanto, não estão dispostos a fazer mais que isso, e as suas palavras, por muito duras que sejam, não chegam para assustar quem acha que “só Deus” lhe pode retirar o poder, tal como sanções económicas não assustam quem não se incomoda com a pobreza extrema da população do seu país. Os países ocidentais “preocupam-se” com as crises humanitárias em países como o Zimbabwe, mas não estão dispostos a fazer muito para acabar com elas, muito menos afastar os ditadores que as provocam.

Na realidade, crises como a do Zimbabwe ilustram bem o dilema dos países ocidentais perante o “resto do mundo”: já que os seus métodos (palavras e sanções) não parecem ser eficazes, os países ocidentais poderiam reconhecer a sua incapacidade e, pura e simplesmente, ignorar o que se passa, deixando os zimbabweanos (ou os ruandeses, ou os iraquianos, ou qualquer outro país que caia em apuros destes) matarem-se uns aos outros. Mas aí teriam de viver com o sentimento de culpa de terem deixado “aquilo” acontecer. Ou então colocar, por trás das suas palavras e ameaças de sanções, o uso da força (ou a ameaça do uso da força) que dá credibilidade ao discurso “moral” que empregam. O “problema” está em que, se o fizerem, estarão a adoptar uma postura “neo-imperial”, e terão de viver com o sentimento de culpa que, numa época em que todos aceitam como sacrossanto o “princípio da autodeterminação dos povos”, tal conduta lhes provocaria. Como “adepto” de Niall Ferguson, tendo a achar que os EUA, em particular, deveriam assumir o papel de agente imperial que põe ordem em situações caóticas. Mas, sinceramente, já me contentava se os países ocidentais, muito humildemente, fizessem uma escolha: ou se deixam de proclamações morais acerca do comportamento dos governantes de outros países, ou, se acham que devem zelar pela “civilidade”, fazerem alguma coisa por isso, “putting the money where the mouth is”. Hoje em dia, eles preferem viver “in shit than to be seen to work a shovel”. E, como insistem em moralizar, combinam o pior de dois mundos: ao mesmo tempo que se mostram tão “arrogantes” como os “imperialistas” (com a “presunção” de que podem “dizer aos outros” como eles devem viver), exibem a fraqueza de quem não está disposto (ao contrário dos “imperialistas”) a “obrigá-los” a fazer o que dizem.

Quando Bin Laden falava do “cavalo cansado” do Ocidente, era disto que falava. Não era de um cavalo que ficava fechado num estábulo, longe da vista de todos, mas de um cavalo que, não parando de relinchar, nunca participava nas corridas: ao mesmo tempo que, nas palavras do dr. Soares, provocava o “ressentimento” do resto do mundo “humilhado” pelo sentimento de “superioridade moral” de quem “impõe” o que pensa, o Ocidente mostrava não ter vontade nenhuma de lutar por aquilo que apregoava. De cada vez que um político ocidental “condena” o que se está a passar no Zimbabwe, sem que nenhuma demonstração de força (nem que passe apenas pela ameaça credível do seu uso) seja feita por países como os EUA ou o Reino Unido, está apenas a confirmar a “tese” de Bin Laden. E, nem que seja só por isso, esta crise é bastante mais do que algo que está “lá longe”, num país africano que “nem se sabe muito bem onde fica”. Ela uma crise que tem lugar “aqui”, uma crise que mostrará, a quem olha para nós por razões que são tudo menos boas, aquilo que queremos e o quão longe estamos dispostos a ir por isso. Até agora, a resposta que estamos a dar não é a melhor.

Tempos modernos (III)

An eight-year-old boy has sparked an unlikely outcry in Sweden after failing to invite two of his classmates to his birthday party.

The boy’s school says he has violated the children’s rights and has complained to the Swedish Parliament.

The school, in Lund, southern Sweden, argues that if invitations are handed out on school premises then it must ensure there is no discrimination.

BBC News.

Tempos modernos (II)

The Times

Pupils are being rewarded for writing obscenities in their GCSE English examinations even when it has nothing to do with the question.

One pupil who wrote “f*** off” was given marks for accurate spelling and conveying a meaning successfully.

His paper was marked by Peter Buckroyd, a chief examiner who has instructed fellow examiners to mark in the same way. He told trainee examiners recently to adhere strictly to the mark scheme, to the extent that pupils who wrote only expletives on their papers should be awarded points.(…)

To gain minimum marks in English, students must demonstrate “some simple sequencing of ideas” and “some words in appropriate order”. The phrase had achieved this, according to Mr Buckroyd.

The chief examiner, who is responsible for standards in exams taken by 780,000 candidates and for training for 3,000 examiners, told The Times: “It would be wicked to give it zero, because it does show some very basic skills we are looking for – like conveying some meaning and some spelling.

“It’s better than someone that doesn’t write anything at all. It shows more skills than somebody who leaves the page blank.”

Tempos modernos

IOL

Uma juíza canadiana retirou uma punição imposta a uma jovem de 12 anos pelo seu pai que a tinha proibido de participar numa viagem escolar mas este recorreu da decisão da justiça, informou a sua advogada, citada pela agência Lusa.

A jovem de Gatineau, na localidade de Otava, recorreu à justiça porque o seu pai a tinha proibido de participar numa viagem de fim de ano, alegadamente porque a jovem passava muito tempo a «navegar» na Internet.

Uma juíza da Tribunal do Quebec deu-lhe razão e ordenou que participasse na viagem.

Segundo a advogada do pai, Kim Beaudoin, a juíza achou que o pai era demasiado severo e considerou que a jovem já tinha sido punida, uma vez que lhe fora retirado o acesso à Internet.

(via Câmara dos Comuns)