Os especuladores

bolha

Não é difícil imaginar como se formou de forma intencionada uma bolha especulativa no mercado do petróleo. Alguns bancos iniciaram um conjunto de instrumentos de investimento tendo como activo subjacente o petróleo. Convencendo um conjunto de investidores de que o preço do petróleo iria subir, o preço do petróleo acabou mesmo por aumentar pela procura desse activo enquanto produto de investimento pelos especuladores. Entretanto, os bancos de investimento que criaram os produtos foram passando mensagens para o mercado de que o petróleo irá aumentar ainda mais, de forma a cobrar mais comissões pelo investimento nesses instrumentos financeiros. Observando as performances passadas, ou acreditando nas mensagens dos bancos de investimento, outros investidores foram atraídos a investir no mesmo activo, aumentando ainda mais o preço. Ou seja, a procura do petróleo enquanto instrumento de investimento seria somada á procura de petróleo como matéria prima, fazendo aumentar o seu preço. Se isto tivesse acontecido, teriam razão aqueles que apontam o dedo aos especuladores (embora estivessem mais certos em apontar o dedo a quem incentivou a especulação, porque os especuladores até estariam todos de boa fé e na sua maioria acabariam por perder dinheiro).

Porém esta teoria falha num ponto. Como a compra de petróleo como investimento financeiro implica que quem o compra não o consome, só estaríamos perante uma bolha especulativa se os stocks de petróleo estivessem a aumentar. Não estão. A subida do preço do petróleo deve-se à procura da economia real.

Embora se compreenda o paralelo, matérias primas, mesmo as usadas em produtos financeiros, não são acções. Se no mercado de acções é possível que as bolhas especulativas durem muito tempo por falta de ligação directa à economia real, no mercado de matérias primas a formação de uma bolha especulativa não resiste a um aumento de stocks.

6 pensamentos sobre “Os especuladores

  1. Pingback: Especuladores (II) « O Insurgente

  2. João Pereira da Silva

    Relatório do Senado americano:

    “Although it is difficult to quantify the effect of speculation on prices, there is substantial
    evidence supporting the conclusion that the large amount of speculation in the current market has significantly increased prices; several analysts have estimated that speculative purchases of oil futures have added as much as $20-$25 per barrel to the current price of crude oil.

    Additionally, by purchasing large numbers of futures contracts, and thereby pushing up futures prices to even higher levels than current prices, speculators have provided a financial incentive for oil companies to buy even more oil and place it in storage. A refiner will purchase extra oil today, even if it costs $70 per barrel, if the futures price is even higher.

    As a result, over the past two years crude oil inventories have been steadily growing,
    resulting in U.S. crude oil inventories that are now higher than at any time in the previous eight years.

    The last time crude oil inventories were this high, in May 1998 – at about 347 million barrels – the price of crude oil was about $15 per barrel. By contrast, the price of crude oil today is about $70 per barrel. The large influx of speculative investment into oil futures has led to a situation where we have both high supplies of crude oil and high crude oil prices.
    (…)
    Because supplies have been rising along with demand, commercial crude oil inventories have been rising as well. As can be seen in Figure 5, the amount of crude oil in U.S. commercial inventories is higher today than at any other time in the current decade. The EIA forecasts that U.S. inventories will increase again in 2006.”

    Click to access PSI.gasandoilspec.062606.pdf

    Note-se que os “Comercial Inventories” também são reservas/stock directamente guardados pelas petrolíferas.
    O consumo diário americano ronda os 20.687.000 barris. O que representa uma queda de 8,8 milhões nas reservas como refere o artigo do Público?

    http://www.eia.doe.gov/basics/quickoil.html

  3. João Pereira da Silva

    Relatório do Senado americano:

    “Although it is difficult to quantify the effect of speculation on prices, there is substantial
    evidence supporting the conclusion that the large amount of speculation in the current market has significantly increased prices; several analysts have estimated that speculative purchases of oil futures have added as much as $20-$25 per barrel to the current price of crude oil.

    Additionally, by purchasing large numbers of futures contracts, and thereby pushing up futures prices to even higher levels than current prices, speculators have provided a financial incentive for oil companies to buy even more oil and place it in storage. A refiner will purchase extra oil today, even if it costs $70 per barrel, if the futures price is even higher.

    As a result, over the past two years crude oil inventories have been steadily growing,
    resulting in U.S. crude oil inventories that are now higher than at any time in the previous eight years. The last time crude oil inventories were this high, in May 1998 – at about 347 million barrels – the price of crude oil was about $15 per barrel. By contrast, the price of crude oil today is about $70 per barrel. The large influx of speculative investment into oil futures has led to a situation where we have both high supplies of crude oil and high crude oil prices.
    (…)
    Because supplies have been rising along with demand, commercial crude oil inventories have been rising as well. As can be seen in Figure 5, the amount of crude oil in U.S. commercial inventories is higher today than at any other time in the current decade. The EIA forecasts that U.S. inventories will increase again in 2006.”

    Note-se que os “Comercial Inventories” também são reservas/stock directamente guardados pelas petrolíferas.
    O consumo diário americano ronda os 20.687.000 barris. O que representa uma queda de 8,8 milhões nas reservas como refere o artigo do Público?

  4. Pingback: Os produtores « O Insurgente

  5. Não existem aumentos de stock de petróleo. Não houve nenhum na história. Os stocks de petróleo só diminuem desde o momento em que surgiram os primeiros poços no início do século XIX. Existem sim, cortes de produção com expectativa de vender mais tarde. Exemplo disso é a entrada de Angola na OPEP. A médio prazo, o valor intrínseco do petróleo dependerá do custo de mercado das suas alternativas, dos investimentos em prospecção e do desenvolvimento da procura dos países em desenvolvimento.

    Assim que houver uma percepção de que a bolha culminou, surgirá a pressa por parte dos países produtores de escoar o produto a um (ainda) bom preço. Catalisando ainda mais a queda.

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