Especuladores (II)

Caro Carlos,

Eventualmente, os bancos de investimento que fizeram produtos sobre o petróleo estavam certos, e encontraram, para já, aderência na economia real. Isso não significa que algumas posições mais longas não tenham um elevado risco, e eu acho que têm.

Já agora, há quem ache por aí que vale a pena investir em dólares, porque a evolução da moeda, a três anos, pode chegar a uma quase paridade de 1€-1,20USD. Há na história sinais que apontam para uma recuperação progresisva do dólar após este tipo de crises, acompanhando as evoluções positivas no médio prazo que a economia americana consegue imprimir passadas as ressacas (as crises nos EUA são quase sangrias economico-terapêuticas).

Esse cenário pode dificultar ainda mais a nossa performance, se o petróleo não baixar de preço na mesma medida da desvalorização do euro face ao dólar (o que é, também, provável, a resistência à descida é grande, não são de prever descidas radicais no preço). Como o mundo não gravita em redor do Euro, oscilações em baixa no preço do petróleo, ou uma certa estabilização, em dólares, são muitos positivas para grande parte das economias do mundo que dependem das importações de petróleo, mas complicadas para a Europa, se a sua moeda desvalorizar. A almofada do euro tem ajudado a atenuar a crise dos combustíveis, mas até quando?

O próprio euro tem sido capaz de aguentar as exportações da UE, mas até quando conseguiremos manter a moeda num patamar tão elevado face ao padrão de referência (que ainda é o dólar).

4 pensamentos sobre “Especuladores (II)

  1. Carlos Guimarães Pinto

    “Isso não significa que algumas posições mais longas não tenham um elevado risco, e eu acho que têm”
    Sem dúvida. É um risco assumido pelos especuladores e subtraído à economia real.

  2. André Azevedo Alves

    “Isso não significa que algumas posições mais longas não tenham um elevado risco, e eu acho que têm.”

    Eu também, apesar de a queda do USD ser muito grande.

  3. André Azevedo Alves

    “O próprio euro tem sido capaz de aguentar as exportações da UE”

    Aí não vejo como. O euro forte faz baixar (ou aumentar menos) os custos das matérias-primas importadas mas também torna as exportações mais caras.

    Não defendo desvalorizações mas acho difícil o euro forte (ou menos fraco) estar a ter um efeito positivo nas exportações.

  4. André Azevedo Alves

    “A almofada do euro tem ajudado a atenuar a crise dos combustíveis, mas até quando?”

    Esse é um ponto importante: se o euro vier por aí abaixo, mesmo que petróleo fique ao mesmo nível (em USD) os preços dos combustíveis vão disparar para níveis muito superiores aos actuais na zona euro…

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