Sem dúvida interessante o artigo Educação pública: Portugal versus Suécia de Nuno Lobo, aqui ligado pelo André.
Mas, também não deixa de ser interessante que, lá como cá, os professores suecos continuem, ao fim de mais de uma década, a ser estatistas e a terem saudade de um modelo de escola estatizado, como se pode ler nesta notícia do The Local: Teachers: ‘Go Back to state schools’.
Eight out of ten teachers would like the state to exert more influence over Sweden’s schools, a new study has shown.
The issue of whether to re-nationalize the Swedish school system will be high on the agenda when the National Union of Teachers in Sweden (Lärarnas Riksförbund) convenes for its annual conference in Stockholm on Friday.
Deveria fazer-se um estudo de caso sobre esta persistente mentalidade estatista dos professores nos países ocidentais.
É verdade, mas convém ter alguma cautela: os mais visíveis (tanto nos sindicatos como nos media) são quase sempre socialistas pelo que podem transmitir uma ideia deturpada da classe como um todo.
Depois há também muita ignorância, como se vê em Portugal sempre que se levanta a questão de promover (ainda que de forma muito modesta) a liberdade de educação.
https://oinsurgente.org/2008/03/06/a-incapacidade-de-pensar-o-sistema-de-ensino/
É verdade que a notícia diz que o Sindicato perguntou a 1,000 professores se acreditam que a qualidade da educação pode melhorar com uma maior intervenção do Estado, mas também diz que o sindicato fez a mesma pergunta a 1,000 pais de crianças em idade escolar. Os resultados falam por si: 8 em cada 9 professores disseram que sim, mas mais de metade dos pais disseram que não. Tendo em conta que a educação existe para servir as crianças e não os professores (os professores só são importantes na medida em que as crianças devem ser educadas), eu arrisco dizer que as reformas implementadas na Suécia são positivas.
Por outro lado, Karin Nilsson, a directora da Agência Sueca de Educação que esteve na Gulbenkian a convite do Fórum para a Liberdade da Educação, não tem grandes dúvidas em relação ao caminho que a educação pública na Suécia está a seguir: “Nove por cento dos alunos da escolaridade obrigatória e 17,4 por cento do secundário frequentam escolas independentes. Estes números vão continuar a subir. Só este ano, a Direcção-Geral de Educação recebeu 560 novos pedidos” (entrevista ao PÚBLICO, 17 Maio). As escolas independentes são ainda uma minoria, mas o número está a aumentar. Os pais, pelo menos esses, aplaudem.
Corrijo: 8 em cada 10 professores.
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