Definitivamente o nosso primeiro, que tem estado completamente ausente em relação ao protesto dos pescadores como em relação a toda a evolução recente do problema dos combustíveis, colocando a batata quente em exclusivo no colo dos ministros das respectivas pastas (seguindo a sua prática recorrente de, nos momentos difíceis, pôr estes a cozer em sua protecção), está apostado em lavar a imagem que ganhou com as intervenções dúbias das polícias ainda há uns meses em manifestações e greves.
Praticamente desde a manifestação ilegal “anarka” que teve lugar a 25 de Abril passado, de clara afronta contra as forças policiais, e que se pautou por um notório “low-profile” das últimas – que não tiveram qualquer intervenção que não fosse a de uma presença distante (tendo o facto de a manifestação ser claramente ilegal passado à margem das preocupações policiais) – que se pode concluir que com certeza novas directivas foram passadas às chefias policiais, na tentativa de minimizar os danos dos deslizes passados.
Agora, nada de intervenções “musculadas” nem de confrontos públicos com as autoridades que possam comprometer o governo e, particularmente, a imagem de José Sócrates. Mesmo que, com esse proceder, se pactue com desordens públicas e com flagrantes ilegalidades e danos a particulares, como é o caso em concreto dos bloqueios das lotas (que, lembre-se, são estabelecimentos públicos), incluindo lockouts, ameaças e sequestro de mercadorias já pagas.
Como dizia há pouco uma das compradoras de peixe afectadas, não é de compreender que a polícia não intervenha e que um piquete de meia-dúzia de gatos pingados consiga bloquear essas instalações. Acrescento, e tentar paralizar de forma todo um sector da economia.
Claramente as prioridades estão estabelecidas: os particulares e a ordem que se lixem, já que prioritário, prioritário é que o Sócrates solidário que vai começando a ser vendido até às próximas eleições não seja afectado por uma intervenção da polícia de choque apresentada na abertura dos telejornais.