Pedro Passos Coelho: o futuro é para esquecer?

Escrevi ontem que Pedro Passos Coelho, se Passos Coelho quiser ganhar o PSD, mas ganhar para mudar o partido e o país, terá de ganhar contra o “menezismo”, terá de criticar a liderança de Menezes, e dizer abertamente que percebe a jogada interesseira que Ribau e Marco António se preparam para fazer: se quiser ser levado a sério, Passos Coelho terá de mostrar que prefere perder votos a ser feito de refém de quem estragou a imagem do partido no país. Nos comentários, Tiago Azevedo Fernandes e Vasco Campilho criticam-me, por eu “não perceber” que Passos Coelho vai fazer uma campanha “centrada em ideias e não em pessoas”. Aparentemente, Tiago Azevedo Fernandes e Vasco Campilho não percebem que se pode fazer uma campanha centrada em ideias e simultaneamente, fazer uma crítica do caminho que o partido seguiu no passado e das pessoas que para aí o conduziram. Como não parecem perceber que, sem essa crítica, feita abertamente, Passos Coelho poderá até ganhar, mas ganhará refém das mesmas pessoas que descredibilizaram o partido nos últimos anos, e que só o apoiam para depois o “deitarem abaixo”, e ficarem com o que sair dos escombros.

Eu simpatizo com as ideias que Passos Coelho tem apresentado. Mas não lhe passo um cheque em branco. Passos Coelho tem de mostrar que está a falar a sério. E, mesmo mostrando que fala a sério, tem de mostrar que tem consciência das condições em que pode levar a cabo a promoção dessas ideias, e quais as condições que serão nefastas para o projecto que diz querer promover: essas ideias não servirão de nada de Passos Coelho não tiver consciência do lugar do partido na sociedade e da forma como este poderá servir de meio de implementação dessas ideias na prática governativa. Ganhando com o apoio dos “menezistas”, Passos Coelho ficará dependente de quem não quer aplicar essas ideias. Vasco Campilho diz-me que “Pedro Passos Coelho nao está a construir uma linha politica a partir de uma coligação de apoios, mas sim uma coligação de apoios a partir de uma linha politica.” O problema é que Menezes entra nessa “coligação de apoios” para destruir essa “linha política”. Se Passos Coelho não mostrar que percebe que o “partido autárquico” que Menezes encabeçou está contra um partido “liberal e reformista” a nível nacional, e mais ainda, se continuar a procurar activamente o apoio dos “menezistas”, estará apenas a mostrar que, das duas uma: ou não leva a sério a agenda “reformista e liberal” que diz defender, e prefere a mera obtenção do poder à sua conquista nas condições necessárias à implementação desse projecto, ou leva a sério essa agenda, mas não tem consciência do problema que o PSD hoje enfrenta, e portanto, não o poderá usar como instrumento de aplicação do projecto que diz ter para o país. E em ambos os casos, não se poderá ter confiança na possibilidade de Passos Coelho vir a cumprir aquilo que tem vindo a dizer.

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9 pensamentos sobre “Pedro Passos Coelho: o futuro é para esquecer?

  1. Carlos Duarte

    Pois…

    Como se costuma dizer, de boas intenções está o inferno cheio. E já agora, diz-me com quem andas e eu digo-te quem és. E o PPC tem BEM de se desmarcar da classe “chupista” que pulula no PSD, normalmente associada a autarcas.

  2. Caro Bruno Alves: não percebi. Quer dizer que PPC tem que dizer explicitamente que discorda deste, e mais daquele, e do outro, senão seria legítimo partir do princípio de que concorda com eles? Não bastará expor os seus princípios, as suas propostas, e fazer o seu caminho?

    Eu percebo que se pode “que se pode fazer uma campanha centrada em ideias e simultaneamente, fazer uma crítica do caminho que o partido seguiu no passado e das pessoas que para aí o conduziram”. Mas não é obrigatório ser assim. Eu prefiro, quando muito, criticar o caminho e não as pessoas. As mesmas pessoas, noutro ambiente, “em boa companhia” e com uma liderança competente, podem ter um papel positivo.

  3. s.andrade

    O que se percebe da enxundiosa postagem é que o sr.Alves tem um ódio de morte aos menezistas e quer que PPC seja o executor de uma vingança mesquinha “ad hominem”, encomendada como se fosse uma exigência programática e ideológica.Demasiado ridículo e de mau gosto este “recado” que o sr.Alves quer que PPC lhe “avie” à viva força,para gozo pessoal.Aliás,foi este tipo de ódios e bagunças na praça pública que em parte levou o PSD à lamentável situação em que se encontra. PPC cultivou sempre e continua a cultivar um distanciamento higiénico dessa bagunça,postura que é já imagem de marca de um candidato virado para o futuro e sem rabos de palha no passado.

  4. Amigo Bruno, um grande abraço!

    Não compreendo o abespinhamento por questões bem colocadas e pertinentes. Eu não seria tão veemente a colocá-las, mas penso que nenhum mal virá do esclarecimento.

  5. Bruno Alves

    Meus caros, eu não quero vingança nenhuma. Quero que Passos Coelho me mostre que percebe os interesses dos aparelhos locais de que menezes era uma emanação não estão interessados numa estratégia nacional do PSD que vise implementar uma política “reformista e liberal”. Quero que me mostre que percebe quais as condições necessárias a que o PSD possa apresentar essa linha política. E isso passa por uma análise do percurso do partido nos últimos anos. Até pode ser que Passos Coelho a tenha feito. Mas como não a fez publicamente, como não mostrou o que pensa acerca das questões internas do partido (organização, regras, interesses divergentes das várias partes do partido) eu e todas as pessoas que não conhecem Passos Coelho ficam com dúvidas acerca dele, e da consistência das ideias que ele diz ter. Quero que Passos coelho me mostre que percebe o porblema do PSD. Só isso.

    E já agora, para quem ia fazer uma camapnha sem criticar ninguém, apenas a apresentar as suas ideias, Passos Coelho anda a fazer muitas críticas a Ferreira Leite. do meu ponto de vista, faz muito bem. É uma crítica política, e que ajuda a esclarecer qual o seu pensamento. mas é precisamente por isso que eu gostria de o ver fazer uma crítica política ao passado recente do partido. Apenas e só para que ele mostre que percebe o problema que o PSD enfrenta, e eu possa assim levar a sério o que ele diz. Ainda acham que isto é mesquinho?

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  9. Manuel Amaral

    Ñão vim cá a mando de ninguem.Nem sequer estou,infleizmente,regiatado na militancia do partido mas,sem procuração de ninguem,faço minhas as palavtras de muitos amigos com quem tenho conversado sobre os últimos acontecimentos potiticos.Tenho uma grande esperança em que o Dr. Passos Coelho vai trazer um novo e grande alento ao partido e,se fõr eleito seu presidente,será,consequentemente,o futoro Primeiro Ministro.É o que eu e muitos portugueses da minha classe social desejam,sem desprestigio para os outros candidatos.Que são bons PSD’s ebons politicos.A questão que se põe actualmente é que é preciso uma pessoa com querer.Mas não um querer,habitualmente,politico como se nos outros candidatos.É um querer puder e mandar.E mandar coisas boas,positivas.Porque estamos aflitos.Sou um instrutor de condução reformado.Podem vêr por aqui onde me situo.E eu,e muitos amigos com quem tenho conversado,estou convensido que o Dr. Passos Coelho tem muito puder para pôr em movimento.

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