Menezes convoca eleições antecipadas no PSD (2)

Menezes sabia que Aguiar Branco daria hoje uma entrevista à Visão anunciando a sua disponibilidade para concorrer à liderança do PSD. Sabia também que António Borges daria uma entrevista à RTP, em que certamente o criticaria. Era portanto óbvio que um ataque à liderança do PSD se estava a iniciar. Por coincidência, hoje era o dia em que, como é habitual, Ângelo Correia (que ainda há dias, veio defender, e não criticar, Menezes) comenta a actualidade na SIC Notícias às 21h30 (hora em que terminaria a entrevista de Borges na RTP). Menezes resolveu aproveitar a oportunidade: não querendo dar tempo à oposição interna para continuar a operação de desgaste que agora iniciava, anuncia novas eleições imediatamente após Borges terminar a sua entrevista, e aproveita a presença do seu defensor Ângelo Correia na SIC Notícias para, de imediato, alguém fazer o spin da sua intervenção da forma que mais lhe interessa, pintando-o como uma vítima de opositores internos. Menezes convoca eleições antecipadas, não porque esteja “farto”, mas porque quer agarrar o poder. Por isso o fez hoje, às 21h30. Por isso não quis esclarece se se candidatava ou não: assim, o tema de discussão será a incógnita em torno do que irá ele fazer, e não as críticas dos seus opositores. A aparente confusão da sua liderança levou muita gente a desvalorizar Menezes e a considerá-lo “lelé da cuca”, nas palavras da outra senhora. Infelizmente, o homem é muito esperto, e sabe o que tem de fazer para agarrar o poder no partido. Como ele disse, só “mesmo à bomba” é o que o “tiram de lá”. Está na hora de as ir buscar.

3 pensamentos sobre “Menezes convoca eleições antecipadas no PSD (2)

  1. Jójó Coelho,jogador de xadrez

    Quem falou em “lélé da cuca” foi Marcelo,ha anos,referindo-se a Balsemão,não foi qualquer “outra senhora”.

  2. APRNS

    É bom que os candidatos à “cadeira do poder” no PSD tenham feito bem os seus cálculos porque os homens (Luis Filipe Meneses, Santana Lopes e Ângelo Correia) não brincam em serviço.
    Ao fazerem esta vitimização( que faz lembrar o Santana quando estava no governo a falar da oposição interna) mas ao mesmo tempo a marcarem eleições para daqui a um mês e sete dias (que é pouquíssimo tempo) comportam-se ao melhor estilo das ditaduras fragilizadas que precisam de dar uma “pincelada democrática” nos processos eleitorais e ao mesmo tempo garantirem que, nada nem ninguém, terá condições para atrapalhar os seus planos.
    Este processo no PSD é, mais do que muitos pensam, muito importante para o nosso país, pois para a consolidação da democracia é fundamental um governo que governe mas não é menos importante uma oposição forte (e isso não tem existido).
    É fundamental que a alternativa a este tipo de populismo, em que os fins justificam os meios, seja tão credível que a grande maioria dos militantes e eleitores do PSD se revejam nela e a apoiem.
    Se tudo ficar na mesma, após 24 de Maio, o PSD desagregar-se-há e o país ficará mais fragil e isto os amantes da democracia certamente não desejam que aconteça.

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