Respeitinho

Ainda no rescaldo da okupação, foi curioso observar a sua evolução, que a certas alturas quase lhe conferiu contornos de experiência sociológica. De entre as várias reacções, foi curioso e esclarecedor acompanhar a reacção dos auto-qualificados, especificados e organizados “liberais” da nossa praça. De entre todos os que foram mais directa ou indirectamente visados durante a okupação, foi pedagógico verificar que foi desses, que se tinha esperança que soubessem compreender o conceito de liberdade de expressão, o seu uso e a sua defesa, que vieram as ameaças mais concretas de que aquilo que se estava a fazer, nomeadamente em relação ao MLS, seria coisa para “em termos legais” poder render uma “bela condenação”.

Ou seja, por aqueles lados, quando a causa toca a ser a própria, ultrapassou-se a defesa do “bom nome” dos indivíduos (que, já por si só, seria liberalmente muito discutível) para se surgir como partidários do “bom nome” das associações e organizações, antropomorfizadas à boa maneira colectivista. Afinal, a liberdade de expressão tornou-se em mais uma das licenciosidades por ali defendidas, sacrificáveis em nome do “progresso” e do “bem comum”, a que agora se acrescentou o “bom nome”.

E afinal qual foi o nosso “crime”? Ao que parece, colocar uma ligação na página okupada para o movimento, e transcrever uma frase da sua declaração de princípios (sem qualquer indicação da sua proveniência mas que, ao que parece, passou bem integrada no conjunto) no manifesto da ocupação. Lesa-majestade, no mínimo, digno das reivindicações de um mullah contra as caricaturas de Maomé. Afinal, também nesse caso se clamou por ofensas individuais em nome da sua pertença a um colectivo supostamente injuriado.

Sem dúvida, muito curioso de seguir.

Ainda mais, quando o seu principal protagonista se desdobra, ele sim, em recorrentes (1, 2, 3, 4, entre outros) insultos e insinuações soezes ao elementos desta casa ou aos outros que se encontram a jeito na altura, numa casa em que parece difícil separar a crítica política do ataque pessoal e infeliz às pessoas.

Como os leitores com certeza acompanharão, não são poucos os que substituem a crítica do que é politicamente defendido nesta casa por insultos e ofensas pessoais. Como diria o outro, são mais que as mães, e basta despender algum tempo pela caixas de comentários. Mas neste caso, este torna-se paradigmático pelo perfil dos que enveredam por esse caminho, supostos defensores do liberalismo e do individualismo. Ficamos a saber com o que podemos contar daqueles lados, o que é sempre bom.

Afinal, mesmo na era do respeitinho, os partidos são brindados com os insultos mais coloridos. Os partidos instituídos são até um alvo frequente das críticas mais despudoradas. Mas em relação àqueles que alimentam a causa de um dia se virem a tornar em partido, já sabemos o que podemos esperar. Afinal, quem se meter com o MLS, leva!

8 pensamentos sobre “Respeitinho

  1. João,

    Apesar de tudo, acho que se deve distinguir entre o Miguel Duarte e o tal protagonista.

    Pela minha parte, acho que há substanciais diferenças de postura entre os dois e talvez seja um pouco injusto reduzir o MLS, que é essencialmente uma criação do Miguel Duarte, aos lamentáveis insultos e ofensas pessoais de outros membros.

  2. João Luís Pinto

    André,

    “Apesar de tudo, acho que se deve distinguir entre o Miguel Duarte e o tal protagonista.”

    Tens razão. Aliás, a minha critica não envolve pessoalmente o Miguel Duarte.

    Contudo, o facto de esses insultos e ofensas pessoais serem protagonizados por associados do movimento (alguns até com lugar nos órgãos sociais deste), num fórum patrocinado por esse movimento e alojado no seu site, não foi até ao momento alvo de nenhuma demarcação pessoal ou institucional dele desses actos. Acho portanto que, por omissão, a participação e o comportamente dele em tudo o que se tem sucedido não é de deixar de criticar.

    Além disso, no que toca ao movimento em concreto, que é efectivamente criticado, resta saber o que é que ainda sobra ideologicamente do discurso do Miguel Duarte no que se lê no respectivo fórum, ou seja, que real peso a sua postura e ideologia pessoal ainda tem no movimento (mesmo mantendo-se como presidente) e no conjunto do discurso deste e dos restantes, o que é que sobra de liberal na situação presente do movimento que todos podemos assistir.

    Foi isso que foi criticado. Honra seja feita, todo o diálogo com o Miguel Duarte tem sido sempre revestido da maior lisura, e não tenho o mínimo a apontar, para além das diferenças ideológicas, que são sempre discutidas (presumo que reconhecidamente de parte a parte) com honestidade intelectual e um mínimo de elevação.

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  4. “Contudo, o facto de esses insultos e ofensas pessoais serem protagonizados por associados do movimento (alguns até com lugar nos órgãos sociais deste), num fórum patrocinado por esse movimento e alojado no seu site, não foi até ao momento alvo de nenhuma demarcação pessoal ou institucional dele desses actos. Acho portanto que, por omissão, a participação e o comportamente dele em tudo o que se tem sucedido não é de deixar de criticar.”

    Sem dúvida.

  5. “Além disso, no que toca ao movimento em concreto, que é efectivamente criticado, resta saber o que é que ainda sobra ideologicamente do discurso do Miguel Duarte no que se lê no respectivo fórum, ou seja, que real peso a sua postura e ideologia pessoal ainda tem no movimento (mesmo mantendo-se como presidente) e no conjunto do discurso deste e dos restantes, o que é que sobra de liberal na situação presente do movimento que todos podemos assistir.”

    Quanto a isso, também não sei, mas confesso que também não é assunto que me interesse especialmente. De início achei o MLS uma iniciativa deeply flawed mas apesar de tudo com algum interesse. Hoje, o pouco que vou vendo, parece mais próximo de uma anedota. Mas isso interessará essencialmente a quem por lá continua.

  6. As opiniões do Igor valem por si. There is no such thing as a collective mind.
    E se fôssemos a ver os órgãos sociais do MLS, garanto que as pessoas que lá estão nem sempre representam a sua orientação política mainstream.

  7. Luís Lavoura

    O blogue do MLS alberga muitas pessoas diferentes e muitas opiniões divergentes. Tal como este também. É normal. As pessoas, mesmo que tenham algo em comum, ou um projeto em comum, têm muitas diferenças.

    O Igor Caldeira só recentemente (há 5 meses) entrou para o MLS, e não faz parte de nenhum dos seus órgãos sociais.

    Os posts no blogue do MLS têm uma classificação, uma votação. Faço notar que os posts referidos do Igor receberam poucos votos. Pelo que, pode presumir-se que os membros do MLS não gostaram particularmente desses posts.

  8. Ao menos, que também reconheças, que eu próprio coloquei no vosso site “okupado” uma disponibilização de ajuda técnica para resolverem eventuais dificuldades técnicas na recuperação das bases de dados e ficheiros perdidos.

    E tal como o insurgente são muitas pessoas, com opiniões divergente, o MLS também são muitas pessoas, cada qual com a sua opinião e forma de ver o mundo e de reagir a brincadeiras.

    É uma parvoíce de cada vez que alguém diz alguma coisa no blogue do MLS, vir dizer que o MLS diz isto, ou diz aquilo. Critiquem as nossas moções, que isso é o pensamento do “colectivo” do MLS, até contribuam com sugestões para moções e venham às nossa AGs, agora não misturem opiniões pessoais, com opiniões de uma organização.

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