José Miguel Júdice, proprietário do restaurante Eleven, paga de renda [à Câmara Municipal de Lisboa] 500 euros mês, o valor médio de uma refeição para duas pessoas.
Com um pouco de sorte, e quiçá com a consultadoria jurídica certa, ainda se candidata com sucesso ao arrendamento jovem Porta 65…
Não conheço nenhum dos sócios, e seguramente que nunca terei “tempo” para comer no Eleven.
No entanto, faz-me uma certa confusão a insistência nesse valor de renta (500€ por mês, ou 6.000€ por ano), omitindo o facto de os proprietários terem feito um investimento de 2M€ que, ao fim de 20 anos, reverte totalmente para a Câmara. Fazendo as contas só à amortização desse valor (portanto, esquecendo o custo do capital), dá 100.000€ por ano. Será muito? Será pouco? Confesso que não tenho a noção dos valores típcos para este negócio. O que sei é que representa muito mais do que os tais 6.000€ e, portanto, a discussão deveria centrar-se aqui. Não vale a pena discutir apenas uma alínea do contrato de concessão, ainda por cima menor.
“Não vale a pena discutir apenas uma alínea do contrato de concessão, ainda por cima menor.”
Exactamente. Mas, então, coloca-se a seguinte questão: para a Câmara Municipal de Lisboa que utilidade terá, em 20 anos, um restaurante?
À questão oportunamente levantada pelo BZ, acrescento:
– Qual será o nível de degradação desse investimento, em termos patrimoniais, daqui a 20 anos? Ou melhor, qual é que será o valor residual do imóvel nessa altura?
– Que fracção desse investimento terá tido efectivo relevo em termos patrimoniais?