
Há 20 anos, quando o professor Cavaco governava com uma maioria absoluta digna de um país ainda não habituado à democracia, dizia-se que o PS não conseguia apresentar nomes, pessoas de crédito, com provas dadas dispostas a governar. Que o partido socialista, independentemente de ter líderes (quer Constâncio, quer Sampaio) sérios, aptos e honestos, não chamava a si a credibilidade prática que advém da capacidade de ganhar eleições.
Nessa altura, vencer era importante. Vencer mudava tudo. Vencer cativava os interessados na arte da governação, convencia os cépticos e, naturalmente, fazia os interesseiros mudar de campo. O argumento social-democrata era, pois, frágil. Dependia das vitórias eleitorais. Do lado que soprava o vento.
Hoje o PS é governo e o PSD oposição, mas a nova realidade não se reduz a uma troca de lugares. É pior. É mais grave, porque traduz a falência de um dos partidos: O PSD. Os sociais-democratas não se preocupam apenas com a dificuldade de fazer um governo sombra que mostre uma alternativa a Sócrates. Os sociais-democratas não têm o tal líder capaz, que inspire seriedade e em quem se confie. Entregue a homens como Menezes e Santana, o PSD chegou, podemos dizê-lo, ao fim da linha. A credibilidade política do PSD não se conseguirá com uma vitória eleitoral, antes implicará uma mudança mais profunda. De pessoas, de líderes, de estratégia, de políticas, de pose, estatuto, forma e modo de fazer política.
O PSD que se espera, não surgirá em 2009. Talvez, nem em 2013. Mas, com ou sem mudança nome, ele chegará.