Um dia rebenta

A Semana Política

Vive-se um clima pouco sadio em Portugal. O Primeiro-Ministro vai a Évora entregar computadores a um conjunto de pessoas, e é assobiado à entrada da cidade e no pavilhão onde se realizou a cerimónia. No entanto, para ele, tudo não passa de uma acção da CGTP, coisa a que ele está “habituado” e que até “faz parte” da “festa da democracia”, e portanto, não lhe parece ser merecedora de qualquer relevância. Todos os dias, a Saúde oferece notícias que chocam o país: desde conversas telefónicas de extensos minutos em que os participantes não sabem quem deve responder à chamada de uma ambulância, a hospitais que enviam doentes para casa sem qualquer roupa no corpo. O Ministro do sector, embora só demagogicamente possa ser considerado culpado do sucedido, é no entanto culpado de mostrar uma inquietante indiferença perante a realidade, dizendo que não passam de casos isolados que não representam a regra do funcionamento do SNS: ficamos a saber que, para o Ministro, podem passar-se as maiores barbaridades, desde que elas não se tornem num hábito. O senhor Bastonário da Ordem dos Advogados, num belo dia, opta por fazer acusações genéricas de corrupção nos “mais altos cargos”, algo que se tornou tão comum em Portugal, que já ninguém espera que daí se venha a descobrir quem pratica essa corrupção, ou que o acusador venha a ser responsabilizado caso se comprove que tudo não passava de uma histérica declaração infundada. No entanto, houve quem lhe tenha atribuído grande credibilidade, e preparam-se inquéritos da Procuradoria-Geral da República (cujo responsável há tempos fez acusações semelhantes, de uma forma ainda mais irresponsável e sem que nada viesse a sair daí) e audiências parlamentares. Enquanto isto, o maior partido da oposição está entretido com a “novela mexicana” do conflito Santana/Menezes a propósito da “relação íntima” que Ribau Esteves quer que o PSD mantenha com um tal de Cunha Vaz. O ódio ao Governo cresce, o sentimento de insegurança e de falta de protecção dos cidadãos também, a confiança nas mais variadas instituições parece estar à beira do fundo do poço, o Governo parece desprezar toda e qualquer manifestação de desagrado, e o PSD parece indiferente a tudo isto. A cada dia que passa, o país parece estar cada vez mais perto da ruptura, soprando um bocadinho mais de ar para o balão da crise e da revolta contra “isto”. Um dia, o balão rebenta. E o pior é que não se vê um caminho alternativo que se possa vir a seguir quando isso acontecer.

2 pensamentos sobre “Um dia rebenta

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