A Bushologia

Uma pitada de desconfiança relativa aos Estados Unidos, enquanto símbolo do capitalismo, e uma dose q.b. de raiva a George W. Bush são os ingredientes certos para criar um prisma esquerdista através do qual se pode observar a América. De forma enviezada, claro. Julgar os Estados Unidos, em especial esta administração, torna-se assim uma ciência especial, com a sua própria base axiomática e epistemológica solidamente assente em coisa nenhuma e outras tretas. Uma “Bushologia”.

Não quer isto dizer que a administração Bush foi boa, ou sequer passável. Não foi. Foi uma bosta. Mas este meu juízo não se prende com o tipo de questões habitualmente apresentadas pelos bushólogos. Prende-se com o facto de que George Bush falhou redondamente nos três pontos principais em que fundamentou as suas campanhas em 2000 e/ou 2004:

  • Uma redução do envolvimento externo. A célebre “humble foreign policy” de que Ron Paul está sempre a falar.
  • A reforma do sistema de segurança social, com a adopção de contas individuais e o fim do esquema piramidal actual.
  • A reforma do sistema fiscal, com a simplificação dos impostos federais sobre o rendimento e a sua progressiva substituição por impostos indirectos.

Pelo contrário, Bush acabou por protagonizar um dos maiores crescimentos do estado federal desde Roosevelt. Rivaliza com Kennedy e Johnson; e acaba por ser imbatível se limitarmos a análise apenas a presidentes republicanos. Isso seria suficiente para considerá-lo péssimo. Mas on top, o senhor ainda consegue gastar perto de um trilião de dólares anuais armado em polícia do mundo.

Mas para os bushólogos isso não interessa. O que interessa é aplicar o tal prisma que vê tudo em função de vagas intenções e da glorificação do “estado infalível”, por um lado, e que só vê na América um suposto combate entre usurários especuladores e pobres desprovidos de cuidados de saúde, por outro. Os factos não interessam para nada. Bush aumentou brutalmente os gastos em educação, saúde e serviços sociais. Eu critico-o por isso, mas os bushólogos criticam-no por supostamente não o fazer. Neste post no Kontratempos, Tiago Barbosa Ribeiro não percebe como se pode pensar em reduzir o estado federal. Sai-se com o velho lugar-comum dos milhões de americanos que “não têm qualquer cobertura de saúde”. Sobre isso já escrevi aqui. Mas vai mais longe e dá o exemplo de um veto de Bush em que supostamente ele “recusou um programa que alargaria os cuidados médicos a crianças pobres”. O problema aqui é que o programa não era destinado aos pobres, constituindo antes uma expansão de cobertura a uma parte significativa das crianças na classe média. E é fácil ver isto. Na notícia linkada, lê-se que o alvo seriam crianças “carentes”, mas que não tinham acesso ao programa Medicaid. Como este programa cobre cerca de 14% da população e o limiar de pobreza está estimado em cerca de 12% da mesma, é fácil de ver que há alguma inconsistência na tese. E mesmo a pobreza nos EUA é uma assunto mal analisado: É que ao contrário da Europa, na América existe uma constante mobilidade social que faz com que as pessoas subam e desçam ocasionalmente à volta desse limiar. Na Europa a pobreza é um problema persistente, com as pessoas a dificilmente sairem dessa situação. Apesar do “estado social”.

19 pensamentos sobre “A Bushologia

  1. ulaikamor

    “Uma redução do envolvimento externo. A célebre “humble foreign policy” de que Ron Paul está sempre a falar.”

    Um sonho impossível de se concretizar, enquanto a Europa continuar a não querer partilhar da responsabilidade. Se os EUA retraíssem o seu poder, os primeiros a dizerem “NÃO” serão os Europeus.

    “A reforma do sistema de segurança social, com a adopção de contas individuais e o fim do esquema piramidal actual.”

    Aqui não se pode dizer que não tentou. O que se pode criticar é não ter tentado com mais insistência. Mas falando a verdade, o ambiente no país não está virado para aí…

    “A reforma do sistema fiscal, com a simplificação dos impostos federais sobre o rendimento e a sua progressiva substituição por impostos indirectos.”

    Pois… mas sabes que quando o “lame duckness” assentou no 2º mandato, e isso aconteceu logo a seguir a ter sido reeleito, nada mais já ele podia fazer…

    “É que ao contrário da Europa, na América existe uma constante mobilidade social que faz com que as pessoas subam e desçam ocasionalmente à volta desse limiar.”

    Cá na Europa, esta frase é interpretada como “mais pessoas passam por pobreza nos EUA do que na Europa.” 😉

  2. Carlos Carvalho

    O Migas esta’ a ser injusto e esta’ talvez a ser influenciado pelas vozes esquerdistas anti-EUA que existem na Europa.

    A reforma da seguranca social foi rejeitada, Bush bem tentou mas nao conseguiu passa-la no Senado. Alguns senadores republicanos passaram-se para o outro lado e tudo foi por agua abaixo. Estar a culpar Bush por isto e’ absurdo.

    Quanto ao intervencionismo, julgo que sofre do mesmo mal que varios insurgentes sofrem. Esta tolice de Ron Paul e’ sintomatica do ridiculo em que o Insurgente cai. Depois de 9/11, o Migas acha que os EUA podiam ter uma atitude passiva em termos de politica externa? Voce nao ve o ridiculo em que cai?
    Depois de 9/11 estamos em GUERRA! Eu repito: Estamos em GUERRA! Nao se pode combater uma guerra estando sentado em Washington, a ver o mundo passar, a ver terroristas ganharem acesso a mais e perigosas armas, talvez ate’ de destruicao macica. Quem nos iria proteger? A Europa? O exercito frances? Isso e’ de morrer a rir. Voce faz parte do grupo que diz que se os deixarmos (terroristas) em paz eles nao nos fazem mal… entao como e’ que voce explica os ataques do 11 de Setembro 2001? Nao havia guerra no Iraque, os EUA nao estavam em guerra com ninguem, tudo estava calmo. Entao porque e’ que a Al Qaeda nao nos deixou em paz? Tenha juizo por favor.

    O crescimento do governo federal teve a ver com a guerra. E’ obvio que depois do 9/11, teve de ser criado um novo departamento federal (Homeland Security), os EUA entraram em Guerra e isso tudo custa dinheiro. As condicoes em que Bush foi eleito mudaram radicalmente por causa dos ataques. O Migas e’ injusto e julgo que nao percebe a ameaca que todos nos enfrentamos. As suas posicoes sao BE, voce devia de escrever no Arrastao.

  3. Just me

    Cometeu um erro na ultima frase. Onde escreveu “Apesar do “estado social”” devia ter escrito “Devido do “estado social””.

    Cumprimentos.

  4. Pingback: blogue atlântico » Blog Archive » Os bushólogos e os mitos da esquerda sobre os EUA

  5. Que a América tem meios para resolver a ameaça terrorista a baixo custo, é algo que está acima de qualquer dúvida. A questão é se o quer fazer. Claramente desejar que o perigo não exista, fingir que se vive num mundo seguro, e fazer como se não existisse um inimigo determinado não é uma opção.

    O problema da política externa Americana é que tem como objectivo minimizar as baixas Iraquianas, e não minimizar o risco de ataques sobre as tropas e o povo americano. Enquanto estados como o Irão receberem esta mensagem, não haverá qualquer ambiguidade no seu modo de exportar carnificina. Os atentados vão continuar.

    O modo de agir do Clinton na Jugoslávia foi bem mais eficaz: não enviar tropas, não pedir desculpas pelas baixas, continuar a bombardear de cima, e aguardar pela capitulação inimiga. Por fim, deixar os destroços para trás e deixar bem claro que não são os americanos que vão pagar a reconstrução. Mas podem emprestar dinheiro.

    No apologies. No regrets.

  6. HO

    1. Não concordo. Na condução da política externa houve muitos erros prudenciais, mas raros de princípio (que também os houve). E Bush nunca prometeu nada de parecido com aquilo que Ron Paul propõe.

    2. Concordo parcialmente. Esta questão não é fácil. Ele tentou, mas os legisladores não deixaram. E não deixaram porque estão reféns dos seus constituintes e patrocinadores. O problema fundamental é a democratização populista da república. Basicamente, enquanto existirem financiamentos federais para projectos como a “Bridge to Nowhere” no Alaska, e Estações para a pesquisa horticultura no deserto do Arizona, reformas de longo alcance como esta não passarão de utopias. Antes de mais, é necessário mudar os incentivos dos legisladores.

    3. Talvez, mas isso não é muito importante. Até há razões para não ter grande interesse em tornar o estado mais eficiente na cobrança de impostos. Os maiores problemas do código fiscal estão nos loopholes que vão sendo sucessivamente introduzidos pelos congressistas. É outra situação similar à do ponto 2., que só será passível de correcção mudando os incentivos dos representantes. Contudo, a reforma fiscal é secundária; o outro lado da equação é que é prioritário.

    Ou seja, os pontos 2 e 3 foram, essencialmente, e se assumirmos que foram feitas de boa-fé, promessas irresponsáveis.

    Onde, a meu ver, Bush falhou:
    – no descontrolo dos gastos, que atingiu dimensões cósmicas (e tanto é válido para o social welfare como para o corporate welfare)
    – em permitir o florescimento das “earmarks”, na prática promovendo-o – e impossibilitando qualquer tentativa séria de reduzir o tamanho do governo
    – na irresponsabilidade orçamental (incluindo a promoção de cortes de impostos demasiado custosos sem obter nada em troca)
    – em ter permitido que a administração vogasse ao sabor de um espírito amiguista-simonista, o que conduziu a algumas decisões bizzaras (ver e.g. Miers, Harriet; Brown, Michael D.) que foram erodindo capital político
    – na reforma da imigração, onde não conseguiu resolver um status quo inaceitável
    – na condução da guerra, onde foi durante muito tempo mal aconselhado e só demasiado tarde corrigiu o tiro (e tornou credível a associação entre a América e um método de tortura dos Khmer Rouge)
    – nos acordos alfandegários, onde foi pouco assertivo e muito timorato

    e foi, essencialmente, uma administração disfuncional. Feitas as contas, o veredicto só pode ser um: good ridance.

  7. E Bush nunca prometeu nada de parecido com aquilo que Ron Paul propõe.

    Nem eu disse isso. Uma coisa é o que RP propõe, que admito ser radical. Outra coisa é RP chamar constantemente a atenção para o facto de Bush ter concorrido prometendo contenção na política externa (no nation building, no policing the world) e não ter cumprido. Mesmo antes de 11/Set, como sabemos pelos leaks de alguns ex-colaboradores, já Cheney y sus muchachos planeavam uma operação no Iraque.

  8. Claramente desejar que o perigo não exista, fingir que se vive num mundo seguro, e fazer como se não existisse um inimigo determinado não é uma opção.

    Isto é uma self-fulfilling prophecy. A lógica de prevenção é perigosa porque ficamos sem saber se os inimigos atacam porque nos querem atacar ou se atacam porque têm medo que nós ataquemos preventivamente. Mas o mais certo é que alguém ataque outrém, sendo o resultado o mesmo, one way or another.

    Uma coisa é certa: tal como os adeptos do estado social não se interrogam porque é que décadas depois dele ter sido introduzido os resultados são tão maus, os adeptos da “war on terror” não se interrogam porque é que anos depois do ínicio dela o mundo está menos e não mais seguro.

  9. Carlos Carvalho

    O mundo esta’ menos seguro? Nao sei… sera’ que esta’ mesmo menos seguro? Em que se baseia o Migas para dizer isso?

    Osama Bin Laden esta’ escondido em algum buraco imundo na fronteira com o Paquistao. Os campos de treino ja’ nao existem, o povo afegao e’ livre, vive em democracia. Nao percebo o que significa menos ou mais seguro. Os atentados terroristas tem sido no ultimos anos pequenos e feitos por amadores. Desde os atentados de Londres que nao me lembro de nada significativo. A Europa teve que aprender a adaptar-se a estes ataques e percebeu que eles nao acontecem so’ aos americanos.

    Para mim estamos mais seguros hoje do que no dia 10 Setembro 2001, mas e’ obvio que o inimigo presiste e esta’ a fazer tudo para nos atingir.

    Bush e’ odiado, pelos proprios americanos, sem duvida. Mas eu acho que a Historia vai tratar de reinvidicar o seu legado. Ele fez o que tinha que fazer perante circunstancias e eventos catastroficos nunca vistos desde a II Guerra mundial. Al Gore deve estar ainda hoje a agradecer aos ceus a decisao do Supremo Tribunal de parar a recontagem na Florida. Mas ele provavelmente iria culpar o terrorismo ao Global Warming.

    Outra coisa que quero dizer e’ o facto o Migas andar a fazer gracolas com o meu ultimo post. Eu tenho sentido de humor, mas eu acho que as suas gracolas sao tragicas. Tragicas porque se esta e’ a direita portuguesa, a direita liberal, entao Portugal vai estar na M…. durante muitos anos. Continue as suas gracolas, que vai longe.

  10. (…) o povo afegao e’ livre, vive em democracia.
    (…) Eu tenho sentido de humor, mas eu acho que as suas gracolas sao tragicas. Tragicas porque se esta e’ a direita portuguesa, a direita liberal, entao Portugal vai estar na M…. durante muitos anos.

    De facto perante um comediante do seu calibre as minhas graçolas são muito fraquinhas. Lá isso são.

    Continue as suas gracolas, que vai longe.

    Quão longe? Até ao Arrastão?

  11. lucklucky

    “os adeptos da “war on terror” não se interrogam porque é que anos depois do ínicio dela o mundo está menos e não mais seguro.”

    Já parou para pensar na dimensão da Guerra ? E da comparação dessa dimensão com a intensidade do Combate? A guerra é por todo o Mundo Muçulmano.
    Se uma das componentes da estratégiá é evitar baixas civis é evidente que a guerra vai demorar muito mais tempo. Mas ainda assim:

    Como é que mede o mais seguro ou menos seguro? Pelo número de jiahdistas prontos a combater ou pelo número de atentados efectuados?

    Pela existência de campos de treinos no Afeganistão e o suporte forçado de uma população ou pela falta deles?

    Pela capacidade logistica em 2000 ou pela capacidade logística em 2008?

    Pela capacidade ideológica em 2000 ou pela capacidade ideológica em 2008?

    Os atentados são maioritáriamente por todo o mundo ou essencialmente no mundo muçulmano?

    Essa reserva de capacidade não foi criada desde os anos 70 com o crescendo do Islamismo Radical, o falhanço dos regimes Socialistas e as contradições do Islamismo com o mundo moderno da informação e trabalho livre? Se durante 20-30 anos o Islamismo teve a ganhar forças: ideológicas, militares, logísticas num arco desde a Indonésia á Nigéria como é que se espera a diminuição da insegurança quando esse Islamismo decidiu combater em grande escala mas com baixa intensidade? Note-se que a intensidade só aumentou pela decisão de Bush intervir no Medio Oriente. Isto é o mesmo que protestar com Churchill por o exército alemão ser maior em 1943 do que em 1940 e de ter havido mais mortes e combates em 1943 do que em 1940.

    O Primeiro Ministro Iraquiano – de uma nação àrabe e muçulmana não tem medo em falar publicamente de “combate final” contra a Al Qaeda. Já nem falando em Saddam, tal seria possível em 2001 após os atentados?

    Quem então conseguiu aliados Árabes para combater o terrorismo?

    Quem avançou a cooperação com as relações dos EUA na Ásia um continente bem mais importante para os EUA que a Europa?

    Quem conseguiu que apesar de se estar em Guerra os mercados e a economia mundial não perdesse a confiança e apesar dos atentados o Mundo tenha crescido como nunca ou raramente tinha acontecido e apesar da economia estar muito mais dependente da liberdade de circulação de pessoas e bens do que nos anos 40?

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  13. HO

    “os adeptos da “war on terror” não se interrogam porque é que anos depois do ínicio dela o mundo está menos e não mais seguro.”

    Isto é, no mínimo, imensamente debatível. Qual é exactamente o critério métrico?

  14. Voce faz parte do grupo que diz que se os deixarmos (terroristas) em paz eles nao nos fazem mal…

    Já não há limites para a desonestidade intelectual. Nem o Migas nem algum insurgente alguma vez disse isto.

    Não se refuta que os “terroristas” existiam antes de políticas imperialistas americanas – já que estas existem (pelo menos fora das Américas) há 90 anos. Curiosamente, alguns destes terroristas foram treinados e armados por americanos – à semelhança do que está a acontecer agora com outros povos.

    O que se afirma é que políticas imperialistas não só são ineficientes para exterminar terroristas (seria um mero acto de justiça), como criam animosidade por todo o mundo por várias gerações contra a América, e contra os valores ocidentais.

  15. Isto é, no mínimo, imensamente debatível. Qual é exactamente o critério métrico?

    Exacto. Nenhuma “guerra política” pode provar que funciona. Porque alegadamente agem contra uma potencial escalada de um comportamento. Acontece com a guerra ao terrorismo, com a guerra às drogas, com a guerra à pobreza. É infalsificável.

  16. CN

    O Carlso Carvalhas-“estamos-em-guerra” e Filipe Melo demonstram bem a incapacidade de pensar para além de slogans e sangue quente.

    …qualquer solução, dizem, tem de passar por mais bombardeamentos, seja lá onde for, tem de existir bombardeamentos, e deixarmo-nos da moral cristã por vitimas ou conceitos claros de guerra justa.

    O Ocidente decai pela mão dos seus auto-intitulados maiores defensores.

  17. Euroliberal

    O pateta Bush, uma versão presidencial do Forrest Gump, foi o melhor presidente que Bin Laden podia desejar… Manipulado até ao fim pelo lobi judeu da AIPAC, mordeu anzol, isco e linha e deixou-se enredar em guerras de desgaste que nunca podia ganhar (porque injustas e de agressão) que acabaram de destourar com a frágil economia americana e com o papel (essencial para os EUA) de moeda de reserva mundial… O reinado dos EUA, iniciado em 1945, está prestes a terminar….
    E isso é muito bom….

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