O desemprego

Apesar da correcção à taxa de desemprego feita pelo Eurostat, de 8.5% para 8.2%, Teixeira dos Santos continua preocupado com o desemprego. Diz mesmo que “o desemprego continua a ser a maior preocupação que devemos ter e que deve merecer a nossa mais cuidada atenção”. Mas diz mais, alertando que “o desemprego deve ser um objectivo nacional, [sendo imperativo] tentar minorá-la o mais depressa possível”. Ora, é aqui que ele começa a tentar “sacudir a água do capote”. Todos sabemos que quando algo passa a ser um objectivo de todos, a responsabilidade é de ninguém.

Já no editorial do DN de hoje encontramos o seguinte:

Este ciclo [de desemprego] só se quebra quando a economia voltar a crescer acima do seu potencial, na casa dos 3% reais ao ano, com mais investimento. Do nível de confiança actual dos investidores, nacionais e estrangeiros, traduzido em apostas produtivas inovadoras, depende a redução, daqui a um ano, do número de desempregados em Portugal.

Logo, o que os empresários fizerem agora terá consequências políticas relevantes nos próximos anos.

As palavras escritas parecem fazer sentido – a redução do desemprego depende e muito do investimento feito em Portugal, essencialmente pelo sector privado. O que me preocupa é a teoria subjacente ao que se escreve (pelo menos a interpretação que eu fiz dela): que a responsabilidade do desemprego de amanhã é dos gestores/empresários. Quanto a mim, não é esse o caso. Boa parte da responsabilidade da situação actual de desemprego cabe ao estado, aos sucessivos governos (laranjas, rosas ou às pintinhas) que não conseguiram ou não quiseram alterar profundamente a legislação laboral de forma a tornar esse mercado (sim, por muito que custe a várias pessoas, é de um mercado que se está a falar) mais flexível, mais eficiente. E a legislação laboral é apenas a questão mais visível, mais óbvia relacionada com o desemprego. Depois temos tudo o resto. É que hoje em dia, se nos recordarmos de episódios como os contados pelo André e pelo Helder (I, II, III e IV) é preciso uma dose bem grande de loucura coragem para abrir/expandir um negócio, contratar pessoas, arriscar.

Infelizmente, de forma realista, a maior ajuda na redução (que se deseja) do desemprego só poderá vir de fora, do crescimento económico da Europa, da recuperação dos EUA e da continuada expansão dos países emergentes. E quem estiver atento a estas coisas, sabe bem o quão pouco provável este cenário é.

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Um pensamento sobre “O desemprego

  1. Legislação laboral mais flexivél. Ora aí está um chavão da direita. Até parece que com mais flexibilidade laboral, as empresas em crise vão contratar mais gente. Se as empresas estão em crise, não contratam ninguem e ponto. Com ou sem flexibilidade laboral.

    Quanto ao nosso País, ja tem flexibilidade laboral que chegue, não sejamos nós o Pais com o emprego mais precário de toda a Europa. Querem mais flexibilidade do que esta???

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