Estamos bem entregues

Decidi abandonar a Atlântico porque não confundo pluralismo e diferença com má educação e perseguições pessoais. A motivação foi a mesma que me levou a deixar em tempos o Blasfémias. Se o ambiente descamba, se instala uma paz podre, e a má educação ganha terreno, eu estou fora. Sem grandes dramas, que eu sou um mero átomo, sem importância, não faço cá falta nenhuma.

O espaço liberal está bem entregue, na blogosfera lusa pupulam grandes personalidades, alguns deles intérpretes do exemplo de Churchill (aqui e aqui) e que me fizeram ver que eu e todos os pobres meninos educadinhos não passamos de sósias de Von Ribbentrops ou de Adolfs Eichmans. Declino da minha parte as comparações, já que sou um mero cidadão, acordo de manhã para ir para o emprego, tenho interesses banais e uma vidinha feliz, não tenho um desígnio; quando morrer, serei recordado quanto muito pela placa duma rua que já tinha o meu nome antes de eu ter nascido. Esses aí, os Vons-não-sei-o-quê e o Adolf-qualquer-treta foram homens que fizeram parte da História. Como qualquer um de vós, caro CAA, caro TM, a quem o futuro certamente sorri, já que parece que bebem dessa impertinência política do grande Churchill, e por isso podem, sem problema, fazer tábua rasa das regras do normal funcionamento de uma sociedade civilizada.

Nessa vossa grande caminhada progressista, para começar, têm a oportunidade de criar uma grande plataforma de diálogo com esse fenómeno da resolução dos problemas sociais e da democracia (e quem sabe, da meteorologia) que é o Daniel Oliveira, capaz de debater e solucionar “as grandes clivagens entre a direita e a esquerda (o futuro do Estado Providência, o papel do Estado na sociedade e na economia, os limites do mercado e por aí adiante)” quiçá o próprio aquecimento global do planeta, enquanto a Fernanda Câncio vos beija os pés (ainda por cima com miminhos em inglês, que é muito mais fino, que a esquerda e a direita iluminada que vai resolver tudo a todos não se perde na linguagem do povão).

Bem hajam, e não pestanejem nessa vossa cruzada.

13 pensamentos sobre “Estamos bem entregues

  1. CN

    Só li este post e nem sei bem do que se tratou (suponho que vou ter que ler mais abaixo), mas os Churchillianos tendem a ficar cegos com a personagem.

    Rudy é tipo 9-11, 9-11, os outros é tipo “Muniche, Muniche”, nem a derrota da civilização (as monarquias que Napoleão tinha tentado acabar, acabaram mesmo substituidas pelo comunismo e fascismo e nazismo) na WWI (para o qual foi um instigador) nem o facto de Estaline ter ganho a WWII (e ter perdido o seu Imperio pelo qual todas as guerras valiam a pena) lhes provoca a minima hesitação.

  2. Cuidado, que com o diálogo com o campo oposto pode se podem apanhar doenças perigosas.

    Nesta polémica só não entendi uma coisa: em que momentos é que AAA é “educado”? Só se for à mesa, porque a debater é das pessoas com mais falta de chá na blogosfera.

  3. Rodrigo Adão da Fonseca

    Caro Daniel,

    “Cuidado, que com o diálogo com o campo oposto pode se podem apanhar doenças perigosas.”

    Não há stress. É só por um preservativo na lingua.

    Em qualquer caso, quem vai dialogar consigo é o TM, o CAA e cia, que adoram que V. Exa. lhe coce as costas.

    Eu tenho uma vidinha mediana de gajo abastado para viver, não tenho tempo para resolver os problemas do mundo.

  4. CN

    Bem, o meu comentário é deslocado para o que está em causa, mas ainda assim, já se sabe que não perco uma oportunidade de beliscar o mito (parece que da Maçonaria).

  5. Luis Moreira

    Não perdeu nada em ter abandonado tal companhia:Vai ver que outros se seguirão.Há processos que perseguem quem os pratica,toda a vida!

  6. “Sem grandes dramas, que eu sou um mero átomo, sem importância, não faço cá falta nenhuma.”

    Caríssimo RAF,
    Permite-me só uma correcção: “não faço LÁ falta nenhuma”. Lá, talvez. CÁ continuas a fazer muita falta.

    Forte abraço

  7. Caro JTCB,

    O “cá” refere-se à blogosfera. Agradeço o comentário, mas com franqueza às vezes acho que anda muito blogger com um enorme sentido de importância, seria bom que houvesse a consciência que não somos nada de nada.

    Um abraço
    RAF

  8. Miles

    O país e os portugueses de sempre precisam duma direita desinibida, com ideias e caso necessário caceteira. Caceteira na defesa da liberdade se necessário for pois que todos sabemos que actualmente a justiça anda com uns óculos que só os deixa enxergar para a direita(autarquias, pnr, etc) enquanto são os meninos da esquerda que conta que tem as armas que roubaram e nunca devolveram, a não ser de vez em quando umas que aparecem enferrujadas por o revolucionário se ter amedrontado…
    Acho que aqueles que se rendem à situação devem ser colocados de lado. Porque quem trai uma vez…
    A mim me parece que para além dessas divagações doutrinarias o pessoal deveria aterrar, isto é ter os pés bem assentes na terra e começarem a discutir soluções, apontando os erros que estes tipos andam a cometer. Mesmo que não seja politicamente correcto como é óbvio.
    Por mim certos postadores são a versão moderna do MDP/CDE…do PREC ou dos Verdes, na actualidade…

  9. Alice,
    Aplicam-se, aplicam-se, mas por vezes a essa hora, e em alguns situações, o contexto facilita o erro.
    Não lhe tiro qualquer razão, logo eu, que a blogar dou erros a torto e a direito.
    Agradeço o seu crivo vigilante.
    RAF

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