A Grande Ilusão

A Semana Política

Foram tornados públicos os resultados dos exames nacionais do 12º ano, relativos ao ano transacto. A pobreza geral dos mesmos levou à habitual histeria dos partidos (e os bons resultados de alguns colégios privados à ira do BE). Todos criticam o estado do sistema educativo nacional, todos culpabilizam o Governo por nada fazer e tudo agravar, e o Governo, claro, acusa-os de se limitarem à crítica gratuita e acusa os que antes estiveram no seu lugar de nada terem feito para modificar a realidade. Todos afirmam ter a solução para os problemas da educação, mas nenhum escapa à ilusão que norteia (e estraga) o sector da ediucação em Portugal.

Imagine, caro leitor, que as empresas portuguesas, em vez de contratarem os empregados que querem para as posições que querem, vissem essa função entregue ao Estado. Imagine um concurso nacional que distribuíria os empregados pelas empresas. Imagine que os serviços a serem prestados por aquelas empresas era definidos, não por elas de acordo com as condições do mercado, mas de acordo com um “Programa” definido por uns senhores num qualquer Ministério. Imagine que, em vez do seu financiamento depender daquilo que os seus potenciais clientes estiverem dispostos a gastar pelos seus serviços, este partiria do Estado, que distribuiria o dinheiro pelas várias empresas do país de acordo com sabe Deus que critérios. Imagine, caro leitor, que os clientes, em vez de escolherem livremente a empresa cujos serviços preferem, teriam de se candidatar, através do Estado, a poder usufruir dos serviços de determinada empresa. Os resultados seriam óbvios: as empresas não prosperariam, os serviços que prestassem seriam de péssima qualidade, os clientes não ficariam satisfeitos e o país seria (ainda mais) pobre. No entanto, caro leitor, é neste modelo que assenta o nosso sistema educativo. E toda uma classe política se espanta com os tristes resultados que ele dá. A ideia de que a planificação, ineficaz na “economia”, é a que melhor serve a “educação”, é a última grande ilusão do “progressismo”. Como todas as outras, paga-se caro. Se as escolas poderem contratar livremente os professores que quiserem, se tiverem a liberdade de estabelecer o projecto educativo que bem entenderem, se os pais tiverem a liberdade de escolher entre a oferta em competição, e se o financiamento das escolas depender dessas escolhas dos pais dos alunos, talvez a educação deixe de ser apenas uma “paixão” dos discursos dos governantes, e passe a ser algo de decente.

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5 pensamentos sobre “A Grande Ilusão

  1. “Imagine, caro leitor,(…)”

    Não precisa de imaginar, caro leitor! Basta-lhe ler sobre as várias experiências comunistas.

    Bom post Bruno.

  2. ulaikamor

    E pensará um bom pai de família:

    “Para quê isso da competição, em que os nossos filhos têm que estudar, que trabalhar e que se esforçar para passar de ano, e que, nós, pais dedicados, temos que andar todos preocupados a garantir que os nossos filhos estão a aprender como deve ser numa escola como deve ser? O estado é que tem a obrigação de garantir um ensino de qualidade!”

  3. Pingback: blogue atlântico » Blog Archive » O preço da estatização da educação

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