Monarquia (2)

Os ‘posts’ do João Távora e do Luís Aguiar Santos são um bom complemento para a discussão sobre a monarquia. Ambos reconhecem que a questão monárquica não está (e vou desta vez utilizar uma expressão mais rebuscada que dizer que não interessa) na agenda política. Os dois ‘posts’ são um passo importante, porque apesar do desinteresse público da causa, tanto o João como o Luís se mantêm profundamente monárquicos. Perfeitamente convencidos nas vantagens de Portugal ter uma monarquia. Totalmente cientes da necessidade de termos um rei.

É assim que os monárquicos podiam manter essa convicção, mas preocuparem-se mais com os assuntos terrenos (o Luís é uma honrosa excepção). Procurarem soluções para os problemas das pessoas e manterem-se monárquicos, explicarem que pode ser uma ajuda para a busca das soluções em que acreditam. Porque a monarquia, o rei, a bandeira azul e branca com a coroa por cima das quinas (que até pode ser mais bonita que todas as outras) só não chega. É preciso mais. A monarquia não é um fim. Pode ser um meio. Apenas aguardamos que demonstrem que assim é.

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2 pensamentos sobre “Monarquia (2)

  1. Nuno A. G. Bandeira

    Os monárquicos acreditam, creio eu, na política. Mas há uma diferença entre discutir a monarquia por si só e politizá-la.

    Há deputados na AR que são monárquicos mas isso não lhes influencia necessariamente nas suas decisões nem tem que o fazer.

    Há no entanto aqueles que desejam politizar a monarquia e fazer dela um objecto ideológico como sendo algo de direita (à Câmara Pereira) ou de esquerda (à Manuel Alegre).

    Mas tal como reconhece o Luís Aguiar Santos como uma excepção, verá que a excepção é na verdade uma regra porque é assim que a maioria dos monárquicos e das pessoas funciona. Se Luís Aguiar Santos é um liberal convicto isso não advém do facto de ser monárquico ou republicano. Simplesmente é o que é porque tem uma visão conjunta das coisas.

    Não percebo a cisma que arranjou com o debate monárquico. É perfeitamente natural que se crie o debate ainda para mais que nos aproximamos do aniversário do regicídio e em 2010 teremos o aniversário da república. É inteiramente lógico e natural que uma sociedade que se diz madura e adulta discuta questões de regime (as que considera menos importantes) ao mesmo tempo que discuta questões de défice e gestão pública (as que considera mais importantes por serem quantificáveis e por influirem directamente na vida dos cidadãos).

    Continuo a achar que tem uma imagem demasiado estereotipada dos monárquicos e que ou não conhece monárquicos suficientes ou então conhece os errados.

  2. Caro André: Antes de ser monárquico sou português. O que cada um faz “pelas pessoas”, saberá Deus julgar. Pela minha parte, e com os meus limites, assumo na integra a minha cidadania. De resto, tenho muito gosto em seguir os seus textos no Insurgente, blogue que para mim se tem revelado um autêntico serviço público.

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