O pé grande dos híbridos

Recentemente foi emitido em vários canais de televisão portugueses o seguinte anúncio publicitário ao Toyota Prius:

Os carros híbridos são a nova aposta de energia alternativa para muitos “ecologistas”, incluindo para o bloquista Francisco Louçã.

Lembro-me, contudo, que uma argumentação dos ambientalistas sobre a questão da energia nuclear passava por contabilizar a sua “pegada ecológica”. Por outras palavras, não basta dizer que o custo de produção de electricidade é mais baixo numa central nuclear. Há, também, que ter em conta o investimento necessário à sua construção.

Infelizmente esta metodologia de análise não é seguida quando se avaliam alternativas de produção e consumo energético, nomeadamente em relação ao Toyota Prius (via Blasfémias):

The Toyota Prius has become the flagship car for those in our society so environmentally conscious that they are willing to spend a premium to show the world how much they care. Unfortunately for them, their ultimate ‘green car’ is the source of some of the worst pollution in North America; it takes more combined energy per Prius to produce than a Hummer.

(…)

When you pool together all the combined energy it takes to drive and build a Toyota Prius, the flagship car of energy fanatics, it takes almost 50 percent more energy than a Hummer – the Prius’s arch nemesis.

Through a study by CNW Marketing called “Dust to Dust” [pdf], the total combined energy is taken from all the electrical, fuel, transportation, materials (metal, plastic, etc) and hundreds of other factors over the expected lifetime of a vehicle. The Prius costs an average of $3.25 per mile driven over a lifetime of 100,000 miles – the expected lifespan of the Hybrid.

The Hummer, on the other hand, costs a more fiscal $1.95 per mile to put on the road over an expected lifetime of 300,000 miles. That means the Hummer will last three times longer than a Prius and use less combined energy doing it.

So, if you are really an environmentalist – ditch the Prius.

7 pensamentos sobre “O pé grande dos híbridos

  1. João

    Penso que esse relatório da CNW Marketing já foi deitado por terra. Consta que se baseava em premissas erradas.

  2. João:
    “Penso que esse relatório da CNW Marketing já foi deitado por terra. Consta que se baseava em premissas erradas.”

    A crítica do Pacific Institute (pdf)??? Esta baseia-se no facto dos dados que levaram a tal conclusão não terem sido publicados.

  3. “A crítica do Pacific Institute (pdf)??? Esta baseia-se no facto dos dados que levaram a tal conclusão não terem sido publicados.”

    BZ, informe-se. Não se limite a linkar o pdf: leia-o, pois se diz isso é porque obviamente não o leu.

  4. toni

    oh não, a fabulosa solução do mercado para o aquecimento global não resulta! o mercado falhou!
    VAMOS TODOS MORRER!

  5. ulaikamor

    Apesar de achar que o editorial só vem a provar que, muitas vezes, o cálculo do que é mais ou menos poluente não é linear e é necessário ter muitos mais factores em conta, acho que também é preciso considerar que o Hummer é já um veículo com os seus anos e toda indústria que leva à sua produção já está bastante optimizada.

    O mesmo não se poderá dizer relativamente ao mercado dos veículos movidos a energias renováveis. O investimento é recente, a tecnologia nova e o produto final ainda não é certo. É, portanto, natural que o Prius seja mais caro nesta fase.

    Portanto, se os “verdes” estiverem dispostos a gastar mais dinheiro por um híbrido, devemos realmente estar contentes que há quem o faça, porque o que eles realmente estão a fazer é a pagar o investimento inicial. Quem não o faz agora, irá beneficiar no futuro de preços mais baixos, após o investimento inicial ter sido pago…

    No entanto, não é necessariamente forçoso, segundo as leis do mercado, que o preço da tecnologia dos híbridos venha a baixar. Pois, se fôr introduzida no mercado outra tecnologia superior ao dos híbridos, então esta última será simplesmente “phased out”.

    O mercado nunca falha, só falha quem não consegue compreender a multiplicidade e complexidade de soluções que o mercado produz.

  6. Tenham lá juízo…

    Então o Prius tem 100.000 milhas de vida e o Hummer tem 300.000 milhas de vida? 160.000 km de vida contra 500.000 km de vida?

    Tenham juízo e tentem ser minimamente sérios senão é apenas demasiado deprimente.

  7. João

    Justificar o tempo de vida de um híbrido como se fosse uma placa gráfica ou um processador que daí a dois anos está obsoleto, não tem sentido para mim.

    Não percebo muito da mecânica de um híbrido mas parece-me que não é uma tecnologia vinda do nada. Tem um motor a gasolina tal como o hummer com a excepção de ter uma componente eléctrica que ajuda o motor convencional.
    A introdução de uma nova tecnologia, ou o melhoramento da actual não significa a quebra de funcionamento dos carros actuais! O carro continuará a funcionar. Senão do ponto de vista dos senhores do CNW o Defender será o carro ideal.

    Eu não estou a escrever devido a alguma cegueira ideológica, mas que se justifiquem com estudos credíveis de instituições crediveis e que seja possível submeter os estudos a peer review.

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