Mês: Outubro 2007
Mentiras sem consequência?
Há uns tempos atrás, houve um partido que através do seu líder e candidato a primeiro ministro, fez uma promessa (parece que não era bem isso, era mais um objectivo…): criar 150.000 postos de trabalho.
Qual era a mentira?
Era que o governo, usando dos poderes que dispõe, podia criar postos de trabalho. Um que fosse.
Não, não é verdade que as nomeações para cargos de confiança política sejam empregos e muito menos postos de trabalho.
Voltemos à mentira e aos mentirosos.
Uma mentira só se torna efectiva se houver quem nela acredite (palisseano, não é?).
Neste caso houve. Muitos e muitos milhares de portugueses acreditaram nessa mentira, dita por esse partido, pela voz do seu candidato a primeiro-ministro.
A realidade que nos continua a rodear de notícias tristes, em nada parece mover a crença geral num amanhã sorridente em que Homens omnipotentes e omniscientes, recorrendo a passes de mágica ou a poderes divinos, poderão transformar o mundo num paraíso. A cada eleição, a esperançosa frase “desta é que é!; neste é que podemos confiar!”.
Ou seja, o país socialista que somos, continua a ter medo de o deixar de ser.
Tal como os ilusionistas que desde sempre usam os mesmos truques, os políticos do “estado a que isto chegou” (e não só os do tal partido), sabem a receita para recolher os votos do Povo: prometer mais do mesmo. Se têm sucesso, se o rotativismo os contenta, porquê mudar?
Entretanto o desemprego sobe e Portugal continua relegado para as traseiras do mundo desenvolvido.
Brincar aos aeroportos
CIP: Opção Alcochete resulta em poupança de três mil milhões
Associação Comercial do Porto diz que Portela+Montijo é viável
Qual a melhor solução? Não sei! Mas deixem o mercado decidir e fiquem-se pelos videojogos:
Esta loura não é burra!
Donna D’Errico escreve sobre Ron Paul (via LRC).
Brincar aos farmacêuticos
Diário de Notícias (meus destaques):
As primeiras farmácias criadas à luz da nova lei que liberaliza a propriedade só surgirão em 2009. A legislação que retira aos farmacêuticos o exclusivo destes estabelecimentos entra hoje em vigor, mas a atribuição de alvarás para os cerca de 350 novos postos de venda deverá ainda demorar mais um ano.
(…)
Antes de lançar o primeiro concurso, o Infarmed terá ainda de avaliar os locais onde as farmácias serão abertas, adaptando-as às novas regras – se antes cada estabelecimento servia quatro mil pessoas, agora serve 3500.
Um dos objectivos do Ministério da Saúde é tornar este processo mais rápido. (…) [o ministro Correia de Campos] deu como exemplo a abertura, em 2001, de 204 novas farmácias, que só ficou concluída em Outubro de 2006. A forma encontrada pela tutela para evitar esta demora foi sortear o vencedor, porque através de um sorteio evita-se os recursos para os tribunais.
E porque não são os consumidores quem decide quais (e quantas) farmácias existem no mercado? Este é, afinal, o processo mais rápido!!! Ahhh, mas assim a classe política iria perder mais um “briquedo”…
O mais importante para os eleitores americanos
Poll: Bullshit Is Most Important Issue For 2008 Voters [video: The Onion; via LRC]
Credo Eco-Radical II: Man-haters
«Apparently, saving the whales is more important than saving 5.5 billion people. Paul Watson, founder and president of the Sea Shepherd Conservation Society and famous for militant intervention to stop whalers, now warns mankind is “acting like a virus” and is harming Mother Earth.
(…)
“No human community should be larger than 20,000 people and separated from other communities by wilderness areas.” New York, London, Paris, Moscow are all too big. Then again, so are Moose Jaw, Timbuktu and even Annapolis, Md.
“We need vast areas of the planet where humans do not live at all and where other species are free to evolve without human interference.”
“We need to radically and intelligently reduce human populations to fewer than one billion.”
“Sea transportation should be by sail. The big clippers were the finest ships ever built and sufficient to our needs. Air transportation should be by solar powered blimps when air transportation is necessary.”
At least Watson was generous and said people could still talk with one another across great distances. “Communication systems can link the communities,” he proclaimed from on high.»
(link aqui, via No passarán)
Credo Eco-Radical
«I’d like to share a revelation that I’ve had during my time here. It came to me when I tried to classify your species and I realized that you’re not actually mammals. Every mammal on this planet instinctively develops a natural equilibrium with the surrounding environment but you humans do not. You move to an area and you multiply and multiply until every natural resource is consumed and the only way you can survive is to spread to another area. There is another organism on this planet that follows the same pattern. Do you know what it is? A virus. Human beings are a disease, a cancer of this planet. You’re a plague and we are the cure.»
Agente Smith em conversa com Morpheus – Matrix
O dia da Memória
Foi-me hoje pedido na rua que comprasse uma rifa para uma associação de veteranos de guerra. De imediato, me veio à memória toda a minha infância, quando, nesta altura do ano, no colégio onde fiz a primária, comprávamos papoilas apoiando, dessa forma, os veteranos de guerra britânicos.
Todo o Reino Unido passa este dias com uma papoila ao peito. Aproxima-se o dia da Memória. De homenagem àqueles que combateram na guerra. A diferença com o que se passa em Portugal é abissal. Uma rifa para ganhar um carro é triste. Melhor: O não darmos dignidade à memória, dignidade a quem esteve na guerra, se feriu na guerra, morreu na guerra; matou, foi ferido e viu morrer. Tudo na guerra. A dignidade de quem perdeu a inocência da guerra, não mais sentiu a tranquilidade, deixou para trás as noites de sono bem dormidas e se arrepia só de pensar na guerra. Essa dignidade, num país que apenas em 1974 largou o Ultramar e os combates que marcaram gerações durante 13 anos, essa dignidade deveria sempre ser preservada. Devia sempre ser lembrada.
Comparado com outros, somos um povo demasiado magoado com tão poucas feridas.


