O GOP, Hillary e a saúde

Karl Rove comenta a política de saúde de Hillary Clinton, referida aqui pelo André Azevedo Alves.

Um pensamento sobre “O GOP, Hillary e a saúde

  1. “I believe everyone — every man, woman and child — should have quality, affordable health care in America,” Hillary Clinton

    O problema, cara Hillary, é que muitos dos que não têm seguros de saúde, não os têm não porque não os possam ter, mas porque acham que não precisam de os ter.

    Sejamos francos, nenhum ser humano gosta de pagar todos os meses 20, 30 ou 40 dólares para se proteger de um evento – a doença – ao qual todos nós temos aversão e que, por isso, consideramos de baixa probabilidade de ocorrência.

    A Hillary Clinton iniciou uma cruzada contra os 15% ou 20% da população norte-americana que não têm protecção contra a doença. É uma concepção que apela ao paternalismo estatal – o Estado tem de cuidar dos seus cidadãos irresponsáveis ou, financeiramente, incapazes.

    O Karl Rove defende a responsabilização dos irresponsáveis e a concorrência privada como o meio através do qual se baixam os custos com saúde. Em teoria, partilho da sua opinião e os custos com os prémios de saúde referidos no seu artigo comprovam os méritos da concorrência.

    Contudo, na prática, verifica-se que os seguros de saúde são cada vez mais compartimentalizados, mais específicos, menos abrangentes. Portanto, contas feitas, é provável que, num sistema privado, a cobertura exaustiva de potenciais doenças possa conduzir a prémios mais elevados do que aqueles gerados ao abrigo de um programa público.

    Como, então, resolver o problema que diz respeito à necessidade de reduzir o número de não-segurados nos EUA? Adoptando todas as medidas preconizadas por Rove (com excepção daquela que diz respeito às PME’s entrarem na pool risk das multinacionais – porque violaria a liberdade contratual das seguradoras). Adoptando as medidas de Clinton, mas apenas para aqueles que comprovadamente – através do agregado familiar – necessitam da rede social.

    O sector da saúde requererá sempre um sistema híbrido. Porque é o sector onde se verificam as maiores taxas de inflação. Porque é o sector onde o desenvolvimento e o investimento em propriedade intelectual é mais oneroso. E, porque infelizmente vivemos numa sociedade aterrorizada com o estigma da doença.

    No entanto, dado o fenómeno de “free riding” praticado pelos irresponsáveis, é necessário evitar a tentação de, por via estatal, subsidiar toda a saúde. Precisamos apenas de regular alguns abusos contratuais praticados pela indústria seguradora. E, já agora, também não fazia mal a ninguém se as campanhas de prevenção fossem só um bocadinho menos alarmistas.

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